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Havaí emite alerta de surto de vermes invasores de cérebros

Lesminhas como aquelas encontradas na salada bateram recorde de meningite parasitária na ilha de Maui

Nos últimos três meses, a ilha de Maui, no Havaí, registrou seis ocorrências de um parasita que invade o cérebro e o sistema nervoso. Pode parecer pouco, mas a ilha só tinha dois casos registrados da doença em uma década inteira.

E as autoridades de saúde preveem que novos casos vão surgir. Isso porque o parasita, Angiostrongylus cantonensis, parente da famosa lombriga, foi encontrado não só em Maui, mas em Oahu, Kauai e Ilha Grande, outros territórios do arquipélago.

As larvas do verme habitam em pequenas lesmas. Elas só amadurecem dentro do corpo de ratos, que eliminam o parasita nas fezes – e elas voltam a contaminar lesmas, fechando o ciclo, além de outras espécies, como camarão, sapo e caranguejo.

É por meio da alimentação que o parasita infecta humanos. Além da ingestão de animais infectados, vegetais e frutas cruas e mal lavadas podem conter pedaços das lesminhas doentes.

Na maioria das vezes, o corpo elimina sozinho essa ameaça. Mas ela cresce quando o parasita vai parar no sistema nervoso central. Uma vez por lá, ele se espalha pelo líquido que “lubrifica” o cérebro, causando meningite parasitária. Os sintomas são dores de cabeça, tremores, dormência em partes do corpo e febres que, por vezes, são fatais. Pacientes comparam a sensação com a de ter a cabeça perfurada por uma agulha de crochê.

As recomendações das autoridades havaianas são de dobrar os cuidados de higienizar salada e frutas e evitar o contato com qualquer tipo de lesma ou caracol.

No Havaí, a suspeita nº 1 de causar o surto é uma espécie de “semilesma”, uma mistura de lesma (sem concha) e caracol (com concha externa), cuja população na ilha cresceu simultaneamente ao reaparecimento da doença. Atualmente, 80% dos indivíduos desta espécies hospedam o parasita que invade o cérebro.

No entanto, a doença foi identificada pela primeira vez em Taiwan, em 1944 – e, por isso, alguns especialistas acreditam que a culpada pelo espalhamento do verme é, para variar, a globalização.