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Aplicativo HelpMe ajuda a denunciar abusos no transporte público

Ferramenta permite gravação de vídeos, fotos e áudios para alertar situações de risco

Se você faz parte dos 3,7 milhões de passageiros que usam o metrô de São Paulo ou dos 2,7 milhões que diariamente pegam os trens da CPTM, já deve ter presenciado ou ter medo de que aconteça alguma situação de assédio sexual – principalmente se for mulher.

Denunciar esse tipo de comportamento é fundamental, mas nem sempre é possível alertar as autoridades responsáveis, muito menos se você estiver em um vagão lotado no horário de pico.  Pensando nisso, o desenvolvedor Renato Sanches criou o HelpMe, um aplicativo para ajudar homens e mulheres a reportarem situações incômodas ou desrespeitosas nos metrôs e trens da capital paulistana.

“Temia por mim, pela minha mãe, minha irmã e minha namorada. Sabia que existia uma central de denúncia, mas nem todo mundo tem o número. Quando as pessoas estão em pânico, perdem a reação, ficam perdidas e dificilmente conseguem contato com alguém que possa ajudá-las”, conta Sanches, de 27 anos, que desenvolveu a ferramenta sozinho e vem fazendo melhorias desde setembro de 2015.

Além de casos de assédio e abuso sexual, o HelpMe também serve para reportar outros problemas bastante recorrentes no dia a dia dos transportes públicos, como uso indevido de assentos preferenciais, roubos, furtos ou vandalismo.

Para enviar um pedido de socorro urgente à central de denúncias do metrô ou da CPTM, basta que a vítima de abuso entre no app e clique na opção “Enviar SMS para o Metrô” ou “Enviar SMS para a CPTM”, já que são números diferentes.  Em seguida, aparecerá na tela uma mensagem padrão “ESTOU SOFRENDO ABUSO”.

Há também a opção de acionar uma sirene no celular para inibir comportamentos inadequados e chamar a atenção dos outros passageiros do vagão.

(HelpMe/Reprodução)

O serviço de mensagens do metrô e da CPTM da capital paulistana já existia, mas o aplicativo agilizou o pedido de ajuda. “Se você fosse enviar o SMS manualmente, teria mais de seis etapas para cumprir, com o HelpMe aberto no celular são apenas duas”, explica Renato.

Para os casos em que o usuário tiver mais tempo, existe uma opção detalhada para indicar na mensagem o número da linha, sentido, próxima estação, motivo do pedido de ajuda e número do carro – sendo esses dois últimos não obrigatórios.

 

(HelpMe/Reprodução)

(HelpMe/Reprodução)

A novidade é que a nova versão permite tirar e compartilhar fotos, vídeos e áudios para pedir socorro e ajudar no reconhecimento dos suspeitos. Além disso, o aplicativo ganhou funcionalidades que não são apenas para notificar infrações no transporte, mas para auxiliar o fluxo de passageiros:  ferramentas para consultar a situação das linhas, compartilhar os boletins com amigos e gerar atestados oficiais para justificar atraso. E para os dias em que houver muitos problemas de circulação e o usuário desistir do transporte público, é possível chamar um Uber diretamente do HelpMe.

(HelpMe)

Sobre os planos de expansão da ferramenta para outros lugares do país, Renato acredita que o que falta são canais de denúncias que respondam aos pedidos de ajuda dos passageiros imediatamente e não apenas serviços de reclamação como SACs. “As pessoas que não são usuárias dos metros e trens de São Paulo ou não moram em São Paulo, podem utilizar os recursos complementares do HelpMe para se protegerem em qualquer local e em qualquer Estado. ”

A ferramenta é gratuita e está disponível para Android e iOS.