
É difícil imaginar como uma substância leve e solta - o ar – pode governar o regime dos rios e alterar os gigantescos volumes de água que eles contem. Mas a atmosfera, na verdade, age como uma terceira margem, cercando o curso dos rios. Exemplo dramático disso está num estudo do rio Paraná realizado pelo pesquisador Luiz Carlos Molion, o do Instituto de Pesquisas Espaciais de São José dos Campos.
Veja o gráfico: a linha azul revela como variou ao longo dos anos a vazão do Paraná – o volume que ele despeja a todo momento no mar. Em certos anos, a linha dá saltos súbitos, como se tentasse escapar às oscilações da linha vermelha, o que representa a ação da atmosfera. O fenômeno que explica os caprichos do Paraná é nada menos que a famosa corrente disse El Nino, que em 1972 causou secas e inundações violentas em várias partes do mundo.
Sua imagem mais simples é a de uma imensa gangorra atmosférica, que tende a acumular grandes massas de ar de um lado do oceano Pacífico e a criar vazios do outro lado.
O resultado são fortes vendavais, capazes de fazer com que um lado do Pacífico fique quase 1 m mais alto que o outro. No gráfico, os picos vermelhos parecem indicar que essa gangorra cria fortes fluxos de ar descendentes sobre o Brasil Central, que bloqueiam a ascensão das frentes frias e úmidas. Em conseqüência, as chuvas que deveriam cair no Norte e Nordeste derramam-se sobre a bacia do Paraná, provocando as cheias. Em outros anos, os jatos de ar são ascendentes , carregando as chuvas para longe do Paraná, que seca.