Ir para conteúdo | Ir para menu do site | Ir para home do site

Superinteressante

Superinteressante

CANETA ESFEROGRÁFICA

Superinteressante edição 008
Edição anteriormai 1988 Edição posterior
Receba as atualizações da Super em seu RSSRSS
Outras matérias
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Começa a corrida ao trem voador
  • EUA e Japão competem para ser os primeiros a colocar em funcionamento um trem supercondutor de uso comercial.
  • DITO E FEITO
  • O lado prático dos Tabus
  • Perfil da antropóloga americana
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Estímulos à miopia
  • A leitura pode causar a miopia, pois quando se lê, uma parte da retina recebe baixa estimulação.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Genética procura a fonte da juventude
  • Geneticistas tentam descobrir como aumentar o limite de duração da vida humana, comparando o que acontece com homens e mulheres.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Naves de bolso
  • A NASA pretende construir naves espaciais minúsculas para transportar a baixo custo um ou dois instrumentos científicos.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Transplante para diabéticos
  • O cirurgião Arthur Roquete de Macedo acredita que dentro de dois anos poderá realizar-se no Brasil o primeiro transplante de pâncreas, diminuindo, assim, o número de pessoas com diabete.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Pintos de proveta
  • Cientistas ingleses conseguiram produzir os primeiros pintos de proveta, chocados em casca emprestada e sem ajuda da galinha.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Depois da Antártida, o Ártico
  • Cientistas do mundo todo se reunirão na cidade de Snowmass, no Estado americano do Colorado, para discutir a questão da ameaça à camada de ozônio, que protege a Terra dos raios ultravioleta do sol.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Luz nos confins do universo
  • A astronomia poderá resolver grandes mistérios, caso seja confirmada a descoberta de galáxias em formação.
  • Como surgiram as massas populares
  • O surgimento e processo de fabricação do macarrão; ainda, boxes sobre a massa que nutre e não engorda e uma receita de trujje, massa siciliana.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Beber pode estar no sangue
  • Através de testes, cientistas americanos constataram que ocorrem alterações no metabolismo de certas enzimas, presentes nas plaquetas quando se examina o sangue de alcoólatras; no entanto, ainda não se sabe se a mudança é consequência ou causa do alcoolismo.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Das pirâmides ao lixo atômico
  • O químico americano Joseph Dawidovits afirma ter criado um cimento tão resistente quanto o material utilizado para a construção das pirâmides que poderia solucionar o problema de como guardar o lixo atômico das usinas nucleares.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Impressão de dor de barriga
  • A impressão digital está servindo na investigação das dores de estomâgo e prisão de ventre.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Um gole de humor
  • Cientistas suecos descobriram que a cafeína age diretamente em células ligadas ao estado de ânimo da pessoa, deixando-a bem-humorada.
  • PERGUNTAS SUPERINTRIGANTES
  • ALIANÇA
  • O costume de usar aliança vem dos gregos, que usavam anéis imantados para atrair o coração dos amantes para sempre.
  • DOIS MAIS DOIS
  • Receita contra a ansiedade matemática
  • Tenta explicar por que a matemática tem sido uma das áreas do conhecimento menos procurada pelos estudantes.
  • Questão de tempo
  • Para a ciência, passado, presente e futuro são um grande mistério.
  • Brasil via satélite
  • O Brasil visto através de fotografias tiradas pelo satélite SPOT; ainda, boxe sobre o lançamento do primeiro satélite de sensoreamento remoto e as vantagens do SPOT.
  • PERGUNTAS SUPERINTRIGANTES
  • PIPOCA
  • A origem exata da pipoca é desconhecida, mas sabe-se que, muito antes de Colombo descobrir a América, os índios do norte do continente já comiam pipoca.
  • GRANDES IDÉIAS
  • A esferográfica
  • O surgimento da caneta esferográfica, dificuldades para a produção e comercialização e, como ela funciona.
  • PERGUNTAS SUPERINTRIGANTES
  • RONCO
  • O ronco é causado por uma obstrução parcial das vias respiratórias, que induz a abertura da boca e provoca o ruído.
  • Sob o signo do escorpião
  • Seu comportamento, forma de ataque, reprodução e espécies; ainda, boxes sobre como se fabrica o soro contra as picadas do animal e também relato de um pesquisador à procura de escorpiões no Saara.
  • De antenas ligadas
  • A antena parabólica vem sendo um instrumento importante para a revolução das comunicações, pois permite captar emissões de TV do mundo inteiro; a busca de imagens de alta definição poderá significar mudanças nos sistemas de transmissão.
  • PERGUNTAS SUPERINTRIGANTES
  • MEDICINA
  • O símbolo da medicina é uma cobra enrolada num bastão, chamado bastão de Esculápio, o deus grego da medicina.
  • PERGUNTAS SUPERINTRIGANTES
  • Forno
  • Explicação sobre o surgimento e funcionamento do forno de microondas.
  • PERGUNTAS SUPERINTERESSANTES
  • Galáxias
  • Não há um critério para se dar nome às galáxias e constelações; qualquer que seja o nome escolhido, tem que passar pelo crivo de nomenclatura da União Astrônomica Internacional.
  • Darwin: a evolução de um homem
  • Perfil de Charles Darwin; boxes em que Richard Leakey defende a obra de Darwin e, ainda, a visita do cientista ao Brasil.
  • LIVROS SUPERIMPORTANTES
  • Livros indicados pela revista Superinteressante, edição no. 5, ano 2.
  • Observatórios primitivos
  • A arqueastronomia descobre aos poucos como os antigos povos sabiam a época certa para plantar, colher e fazer suas festas e sacrifícios religiosos; ainda, boxe sobre os registros feitos pelos índios brasileiros.
  • TELESCÓPIO
  • Sóis, estrelas e cometas em cavernas no Nordeste
  • A descoberta de um observatório astrônomico na cidade de Central, BA, abre o caminho para os arqueólogos tentarem restaurar os conhecimentos e o modo de vida dos habitantes de determinadas regiões.
  • Pele para toda obra
  • Tudo sobre a pele; a descoberta de uma celulose para substituí-la e, ainda, boxe explicando por que a pele e o pêlo causam excitação.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Museu para gregos e romanos
  • Inaugurado na cidade de Siracusa, no sul da Itália, um museu de arqueologia que custou 8 milhões de dólares e possui um acervo de 20 mil peças.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Quem chora mais é feliz
  • O bioquímico William Frey provou que o funcionamento das glândulas lacrimais, responsáveis pelo choro, depende do hormônio prolactina, que as mulheres têm mais que os homens; e que as lagrimas eliminam substâncias que causam ansiedade.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Eterno enquanto dure
  • O monumento Taj Mahal, construído entre os anos de 1627 a 1649, sofre abalos devido ao excesso de peso dos blocos de mármore que o compõem; engenheiros indianos esperam resolver o problema sem desfigurar o mausoléu.
  • PERGUNTAS SUPERINTRIGANTES
  • LENTES
  • As lentes fotocromáticas escurecem quando expostas ao sol por causa de uma reação química.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • A mão e a luva
  • Inventada nos EUA uma luva equipada com fios de fibra ótica, capaz de repetir na tela de um terminal de computador os movimentos da mão.

A esferográfica

O surgimento da caneta esferográfica, dificuldades para a produção e comercialização e, como ela funciona.

Num dia qualquer de 1937, o então revisor tipográfico Laszlo Biro, de 36 anos, foi à oficina do jornal em que trabalhava em Budapeste, na Hungria, para corrigir provas de página. Por acaso detevese a observar o funcionamento da rotativa. Chamou-lhe a atenção a maneira pela qual o cilindro se empapava de tinta e imprimia o texto nele gravado sobre o papel. Havia alguns anos, Biro sonhava criar uma caneta que não borrasse ou cuja tinta não secasse no depósito. Ele era mesmo dado a invenções: aos 17 anos, criou um tipo de máquina de lavar; aos 28, apresentou um sistema automático da caixa de câmbio dos automóveis.

Assim, ao observar a rotativa ocorreu-lhe que seria possível fabricar uma caneta baseada no mesmo processo, ou seja, que permitisse escrever por meio de um cilindro cheio de tinta. Com o irmão Georg, que era químico e o ajudou a conseguir uma tinta adequada, e o amigo Imre Gellért, técnico industrial, Biro levou adiante o projeto da revolucionária caneta. Após meses de trabalho, os três conseguiram criar um modelo em que a tinta molhava uma bolinha de aço por meio da pressão de um pistão de rosca sobre o reservatório de tinta. Surgia assim a caneta esferográficil - um dos inventos mais bem-sucedidos deste século, que como poucos se incorporou à vida diária de muitos milhões de pessoas.

Pode-se dizer que no mundo de hoje quem escreve, escreve com esferográfica: as clássicas, elegantes canetas-tinteiro de outrora são usadas apenas por uma minoria, até por uma questão de preço. Mas Biro teve de trabalhar muito para superar os inconvenientes da primeira versão de seu invento. A princípio, de fato, quando a pressão sobre o corpo da caneta era muito forte, a tinta e a bolinha de aço eram atiradas longe. De qualquer forma, já em 1938, a caneta esferográfica estava patenteada.

Apartir de então. Biro passou a dedicar-se a comercializar a novidade. Um acaso iria ajudá-lo nessa empreitada. Certo dia, num balneário iugoslavo, ele escrevia com sua caneta esferográfica um telegrama na portaria do hotel onde estava hospedado. A caneta chamou a atenção de um senhor que se apresentou como engenheiro argentino. Depois de conversarem, o estranho sugeriu a Biro que se mudasse para Buenos Aires e ali aperfeiçoasse a caneta. Ao se despedirem, o senhor deixou com ele seu cartão. Na verdade, tratava-se de um ex-presidente da Argentina, o general Agustín Justo (1876-1943).

De volta à Hungria. Biro achou 3 melhor mudar de ares. No primeiro dia de 1939, desembarcava em Paris. Na França, continuou tentando vender sua caneta - mas sem muito sucesso. Com o início da Segunda Guerra Mundial, em setembro daquele ano, as coisas se complicariam ainda mais para o refugiado húngaro, Foi então que ele se lembrou do cartão do ex-presidente argentino e resolveu tentar a sorte do outro lado do Atlântico. O cartão ajudou-o a conseguir o precioso visto de entrada. Um amigo, Luis Lang, que havia emigrado anos antes mandou-lhe a passagem. Em agosto de 1940. Biro chegava a Buenos Aires.

Em sociedade com Lang, Biro montou então uma fabriqueta, que funcionava inicialmente numa garagem. Começava assim a produção industrial das canetas esferográficas. Depois de um tempo descobriu que a caneta não precisava de pressão para que a tinta molhasse a esfera de aço, o que simplificou bastante o modelo. Assim três anos depois de sua chegada a Buenos Aires, as canetas esferográficas - ou biromes, como ficariam conhecidas ali - apareceram nas lojas argentinas. Em agosto de 1944, a revista americana Time publicava uma nota sobre o invento lembrando que a birome era a única caneta que permitia escrever a bordo de um avião, por exemplo, porque a tinta não vazava.

A nota informava ainda que as Forças Armadas americanas queriam comprar 20 mil unidades. Pouco depois. Biro recebia da empresa americana Eversharp uma proposta de compra dos direitos da invenção para os Estados Unidos pela bagatela de 2 milhões de dólares. O húngaro fechou negócio e assim que a guerra acabou as esferográficas já faziam sucesso em Nova York. Os demonstradores de uma grande loja passavam o dia nas vitrines escrevendo em tanques de água para atestar as qualidades da nova caneta.

A moda da esferográfica pegou de uma penada - e veio para ficar. Hoje as mais populares são as tradicionais baratas e descartáveis. Sofisticadas ou simples o funcionamento das esferográficas baseia-se sempre no mesmo princípio: uma pequena esfera feita de metal (aço ou tungstênio) com 1 milímetro de diâmetro gira na ponta de um tubo contendo tinta. A esfera por sua vez, é presa em uma ponta metálica feita de latão. Uma boa esferográfica deve movimentar-se em todas as direções - algo que a pena da caneta-tinteiro não consegue. Ao deslizar pelo papel a esfera se move e suga a tinta do tubo que fica dentro do corpo da caneta. Para que a tinta não saia além ou aquém do necessário é preciso que a distância entre a esfera e a ponta metálica tenha a precisão de milésimos de milímetros.

Um dos obstáculos enfrentados por Biro para aperfeiçoar seú invento foi justamente a tinta que precisava ser suficientemente viscosa para não escorrer do tubo à esfera. Atualmente a viscosidade é obtida ou àbase de óleo - em que a secagem se dá pela absorção no papel - ou de um solvente como o álcool - em que a secagem se dá por evaporação. Uma esferográfica comum costuma ter de 0.5 a 1.5 mililitro de tinta. Mas os reservatórios de tinta de 1.5 ml precisam de uma tampinha e um respiradouro além de uma pequena quantidade de um líquido ainda mais viscoso, pois, sem isso e com o tubo fechado a tinta não flui pela esfera por causa da pressão. Por esse motivo há um furinho nos corpos das esferográficas comuns.

O diâmetro da esfera também varia: é isso que determina o tipo de escrita, mais grossa ou mais fina. Na década de 50, o tubo cheio de tinta viscosa com uma esfera de metal na ponta impressionou o barão Marcel Bich, dono de uma pequena fábrica de canetas-tinteiro na França. Bich comprou os direitos do invento e construiu um verdadeiro império com as esferográficas. As canetas do barão começaram a ser fabricadas no Brasil em 1961. De início, foram recebidas com certa desconfiança pelos consumidores acostumados à tradicional caneta-tinteiro. Temendo que se prestassem a falsificações, os bancos recusavam cheques assinados com esferográficas.

Nas escolas primárias, as professoras advertiam que, por deslizar com muita facilidade pelo papel elas atrapalhavam a alfabetização das crianças. A resistência dos bancos durou pouco. Nas escolas, embora não sejam proibidas, as professoras dão preferência ao lápis e à borracha. Nessa fase, as crianças não têm ainda o controle motor necessário para ma-nusear uma esferográfica. Além disso, com o lápis, quando erram, podem apagar e escrever de novo. Mas desde o maternal a esferográfica serve para desenhar. Hoje em dia, os brasileiros compram 700 milhões dessas canetas por ano. E o húngaro Biro? Ele se naturalizou argentino e viveu em Buenos Aires até morrer, em 1985, aos 84 anos. No dia de sua morte, as papelarias portenhas hastearam a bandeira a meio pau.

 

Capa de Super 265 Leia a Super 265
Publicidade
Anuncie
topo
Superinteressante

[1987 - 2010] Editora Abril S.A.

Todos os direitos reservados.