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CÁLCULO

Superinteressante edição 009
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  • Os perigos do lixo espacial
  • O lixo espacial é responsável pela maior parte dos acidentes com naves, satélites e até astronautas. No entanto, os perigos desses objetos causarem danos na Terra é bem pequeno.
  • O livro da vida, edição integral
  • A ciência tenta decifrar o genoma, o conjunto de dados que define a hereditariedade do homem. Serão quinze anos e 3 bilhões de dólares.
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  • Cavalo-marinho: forma do corpo, funcionamento do organismo e comportamento sexual; ainda, boxe sobre como capturar e manter vivos os cavalos-marinhos.
  • Esculturas de luz
  • As muitas utilidades da holografia. Boxes: como se faz um holograma; como foi feita a imagem do cavalo-marinho que serviu de modelo para a capa da revista Superinteressante e, finalmente, como ver um holograma.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • 120 mil estrelas com endereço
  • A ESA (Agência Espacial Européia) deverá lançar, em junho de 1989, o satélite Hipparcos, que catalogará as posições de 120 mil estrelas.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Veneno de rato é supercondutor
  • Descoberto nos EUA um novo material supercondutor: o tálio. A substância é um metal que, em pó, é usado como veneno de rato.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Ventania solar
  • Vários satélites artificiais deverão cair até o final do ano, devido ao aumento da radiação solar, que se manifesta no espaço como um portentoso vento.
  • Lições de 3 mil anos
  • Aos poucos, os segredos das múmias egípcias estão sendo desvendados. Isto pode levar à criação de novos remédios e representar grandes avanços científicos. Explicação para a morte de diversos pesquisadores que penetraram nos túmulos existentes no Vale dos Reis, no Egito.
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  • Tout Paris
  • Inaugurada em Paris uma das mais modernas videotecas do mundo, com computadores e até robô.
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  • CERVEJA
  • O calor humano altera o equilíbrio de uma cerveja retirada do congelador devido a uma brusca mudança no seu estado de sobrefusão.
  • LIVROS SUPERIMPORTANTES
  • Livros indicados pela revista Superinteressante.
  • DOIS MAIS DOIS
  • Pelos dedos, de dez em dez
  • A técnica mais simples para aprender a contar.
  • A saga do sultão Suleiman
  • Suleiman governou o império otomano durante 46 anos e levou suas fronteiras até a Europa e a Índia. Criou leis, estimulou as artes e foi duro e cruel.
  • Climas do outro mundo
  • O clima dos planetas que fazem parte do sistema solar.
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  • Recorde no mar
  • Mergulhadores franceses batem o recorde mundial de permanência no mar em grande profundidade.
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  • Onda vermelha
  • Os habitantes da ilha de Christmas, no oceano Índico, já se habituaram a conviver com caranguejos-vermelhos. Uma vez por ano, estes crustáceos atravessam todo o povoado para procriar e desovar nas praias.
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  • Lentes de contato
  • As lentes de contato foram criadas há exatamente cem anos. Servem para corrigir deficiências da visão e até para questões de estética e conforto.
  • NOTÍCIAS SUPERINTERESSANTES
  • Feito criança
  • O robô japonês ARI, capaz de reproduzir construções de bloquinhos como garoto, deverá, em breve, ser utilizado na indústria.
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  • O sonambulismo é um distúrbio benigno que ocorre na primeira das seis passagens de um sono profundo para um mais superficial.
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  • A temperatura ambiente diminui com a altitude devido à maior distância do nível do mar.
  • Por favor, leia este texto
  • O comportamento das pessoas mudou bastante ao longo dos anos. Por que as boas maneiras não são usadas pelo homem moderno.
  • Visões interiores
  • Novas máquinas utilizadas para a realização de exames, revolucionam a medicina e tornam mais preciso o diagnóstico de doenças.
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  • A consagração de Lavoisier, o "pai da quimica moderna".
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  • Visita a Phobos
  • Soviéticos enviarão duas sondas a Phobos, pois querem saber de que é feito o satélite marciano.
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  • Ozônio em baixa
  • Um recente relatório da NASA confirma as piores previsões dos cientistas sobre a diminuição da camada de ozônio que protege a Terra dos raios ultravioletas do sol.
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  • Alta costura
  • A NASA está testando dois tipos de roupas a serem utilizadas para proteger os astronautas que irão trabalhar na construção da futura estação espacial americana.
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  • Herança de Hiroshima
  • Cientistas americanos e japoneses, estudando as consequências da explosão atômica em Hiroshima, constataram que os efeitos dos raios gama, liberados pela fissão nuclear, são mais nefastos para o homem do que se acreditava.
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  • Mau e bom café
  • Pesquisadores americanos constararam que o café pode afetar o ritmo cardíaco, quando ingerido em grande quantidade. Na França, uma recente pesquisa indicou que a bebida não causa câncer no pâncreas como se imaginava.
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  • Papagaio
  • Os papagaios imitam a voz humana por sentirem-se frustrados quando em cativeiro. Existem outras espécies de aves que agem da mesma forma.

Pelos dedos, de dez em dez

A técnica mais simples para aprender a contar.

Por Luiz Barco

A maioria das pessoas aprendeu a contar ainda muito criança e poucas tiveram oportunidade de refletir sobre esse aprendizado. Ele começa com uma espécie de coordenação entre os dedos e certas palavras; logo passamos a associar certos padrões formados por nossos dedos (ou palitos, ou blocos de madeira, ou contas) com certas palavras. Essas palavras são chamadas números, e nós temos de memorizá-las numa série ordenada. Quando os dedos já não são suficientes, aprendemos um processo retórico que nos faz capazes de aumentar os limites de contagem, sem recorrer a novos padrões.

A essa altura, a contagem transformou-se num jogo de palavras. Quando percebemos que o que foi feito uma vez sempre pode ser repetido, completamos a série numérica com um "e assim por diante". E assim julgamos completada nossa educação sobre contagem, sem ao menos perceber que plantamos na mente a idéia da infinidade. Apesar de dominarmos esse processo desde criança, não há dúvida de que ele se apóia numa idéia matemática bastante complicada.

Essa idéia afirma que qualquer número inteiro positivo só pode ser representado de uma maneira. Tomemos um exemplo: 507.234. Será representado assim: 500.000 mais 7000 mais 200 + 30 + 4, como um polinômio arranjado em potências em potência de 10 (5 x 105 + 7 x 103 + 2 x 102 + 3 x 10 + 4), com os coeficientes (5,7, 2,3 e 4 no exemplo) restritos a inteiros menores que 10.

Tal sistema foi desenvolvido pelos fenícios muitos séculos antes de nossa era. Eles escreviam o número do nosso exemplo mais ou menos assim: 5c 7m 2c 3d 4. O c representa a centena do milhar, o m a unidade do milhar, ou c as centenas simples, o d as dezenas simples. Nos primeiros séculos de nossa era, um hindu anônimo imaginou o zero para marcar a ausência de qualquer quantidade. E nosso número passou a ser descrito desta forma: 5c, 0d ,7m, 2c, 3d e 4. O d depois do zero significa dezena de milhar. E assim acabou nos dispensando de acrescentar as letras aos números, pois, usando o zero para as casas que ficariam vagas, todos eles passaram a ocupar o lugar correto na ordem que pretendemos representar. Nosso sistema posicional de numeração é decimal: cada unidade colocada em certa ordem vale dez vezes a unidade da ordem imediatamente anterior. O sistema decimal e é aceito universalmente, mas outras bases também são usadas eventualmente. O sistema sexagesimal (base de sessenta) persiste na medida do tempo e dos ângulos. Talvez seja uma herança dos babilônios, grandes astrônomos do passado.

A preferência pelo dez não se baseia em algum mérito especial desse número, mas é apenas uma conseqüência do acidente fisiológico que nos dotou de dez dedos. Hoje seria insensato pensar em mudar essa base, mas no passado algumas tentativas foram feitas. No final do século XVIII, o grande naturalista francês Georges – Louys Leclerc, Conde de Buffon (1707-1778), sugeriu o sistema duodecimal (base 12). As vantagens desse sistema decorrem do fato de que a base em doze é mais rica em divisores que a base dez. O o hábito de cotar em dúzias é uma herança da idéia de Buffon.

Outra tentativa foi a de Joseph-Louis de Lagrange(1736-1813), matemático, que sugeriu que a base fosse um número primo (com somente dois divisores, ele mesmo e o um). Escolheu o onze, destacando que nesse sistema de onze símbolos todas as frações seriam irredutíveis.

Há ainda o sistema binário, utilizada na informática. Dele falaremos em outra oportunidade.

Agora vamos lembrar apenas que mesmo pessoas instruídas costumam não se dar conta da importância dessa construção. E nem sabem que há menos de quatro séculos a única bagagem que o homem de cultura média dispunha para calcular eram seus dedos. Para elas vale lembrar a frase do matemático americano Tobias Dantzig: "Enquanto o homem contar por dezenas, seus dedos lembrar-lhe-ão a origem humana dessa fase muito importante da sua vida mental. Assim possa o sistema decimal permanecer como monumento à proposição: o homem é a medida de todas as coisas".

 

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