
Em 1988, um grupo de dezesseis espeleólogos ingleses e doze chineses terminou a maior e mais perigosa etapa do projeto Cavernas Chinesas. Desde 1985, os cientistas exploram as cavernas do sul da China, onde, segundo Ivo Karman, geólogo da Universidade de São Paulo, possivelmente está situado o maior número de grutas calcárias do mundo. "O relevo é propício a essas formações", explica. Para melhor rastrear cerca de 500 quilômetros do desconhecido subsolo da região de Guangxi, os pesquisadores se dividiram em equipes. Uma delas visitou o distrito de Duan, onde mergulhadores exploraram as profundezas do rio Tisu, que encobre a maior parte das cavernas durante quase o ano todo. Lá, os espeleólogos bateram o recorde asiático de mergulho em cavernas: 70 metros de profundidade. Mas o principal objetivo é fornecer dados suficientes para um completo estudo de aproveitamento de águas subterrâneas. Outro grupo, no distrito de Marshan, fotografou e mapeou 7 quilômetros da caverna Jin Lun, conhecida pelos moradores locais por suas inúmeras entradas e túneis. Há trinta anos, exploradores do mundo inteiro tentam desvendar os mistérios das cavernas chinesas, mas somente há quatro o governo daquele país permitiu que ocidentais estudassem a região. Para Gavin Newman, fotógrafo da expedição, "ainda há muito o que descobrir".