
Os cientistas sempre ficaram intrigados com a relação entre a hepatite B crônica e certos tumores - no Japão, por exemplo, o elevado número de casos de infecção acompanha uma das maiores incidências de câncer de fígado do mundo. Agora, pesquisadores do Instituto Pasteur, na França, parecem ter encontrado a chave do enigma: a posição estratégica do vírus da hepatite. Trabalhando com mar-motas, vítimas da infecção, notaram que em dois de cada três roedores que desenvolveram tumores após a hepatite o material do vírus se havia instalado, como um vizinho indesejável, ao lado de um gene capaz de provocar câncer. Isso o tornou irreconhecível ao sistema imunológico. "Quando esse gene é ativado, o sistema imunológico costuma destruir a célula cancerosa, muitas vezes antes que se multiplique", explica Erki Larsson, especialista em doenças do fígado, de São Paulo. "Na hepatite B crônica, porém, as defesas do organismo se confundem, tomando as células degeneradas por normais."