
Em um país muito distante, sete em cada dez habitantes têm telefone celular. O aparelho é chamado de kännykkä (pronuncia-se "quénilca") — que na língua deles significa extensão da mão — ou känny ("quéni"), o apelido dado pelos jovens. Ao entrar na adolescência, todo mundo ganha um. Além de falar muito, a garotada usa o celular para navegar na Internet. Eles checam e-mails, lêem notícias e compram refrigerantes pelo aparelho. Sim, basta aproximá-lo de uma máquina, digitar uma senha e pronto: a latinha cai automaticamente. A conta é paga junto com a do aparelho no fim do mês.
O país é a Finlândia, onde surgiu a Nokia, empresa que lidera a venda de celulares no planeta. Ali o futuro do aparelho já está desenhado e resumido em uma sigla: mmm, as iniciais em inglês de Modo de Mídia Móvel. Se o trio mais famoso da tecnologia até hoje era WWW, World Wide Web, a partir de agora vire-o de cabeça para baixo. A Internet vai invadir o seu celular.
gabriela.aguerre@abril.com.br
Fale, veja e seja visto. O celular terá uma câmera de vídeo embutida que filma você ou objetos à sua frente. As imagens em movimento poderão ser vistas em tempo real ou gravadas para você ver depois.
O monitor vai aumentar muito de tamanho, ocupando quase toda a superfície do celular. Colorido, é claro, e com alta resolução. Também terá tela sensível, para escrever ou marcar números.
O aparelho dará acesso à Internet. Só que o conteúdo será especial. O que deve vingar são os jornais personalizados ou informações práticas, de tempo e dinheiro, acessíveis a toda hora.
Munido do chip Bluetooth (leia na página 37), o celular vai se comunicar também com outros objetos, como computadores, eletrodomésticos ou alarmes. E vai carregar dinheiro eletrônico.
Nokia é o nome de um rio em uma cidadezinha no interior da Finlândia.
A empresa nasceu em 1865, como uma fábrica de papéis. Antes de começar a fazer celulares, há vinte anos, chegou até a produzir galochas.
Pequenos e bonitos. Assim são os celulares que existem hoje no Brasil. A novidade são os cromados, com antena embutida, e os coloridos. O vermelho pode ser trocado por outras cinco cores.
Nokia 8 800
Preço: 1 800 reais
Nokia: 11 816 7765
Strike Digital
Preço: 450 reais
Gradiente: 11 814 8222
Este celular já opera com o sistema WAP, que dá acesso à Internet. Com ele, você acessa notícias, previsão do tempo, cotação da Bolsa e e-mail. O programa de navegação é pequeno, mas simples de usar.
Nokia 7 110
Preço: 980 dólares
www.nokia.com
A tela deste celular é grande o suficiente para acessar conteúdos tão extensos quanto uma edição da Bíblia em coreano, que está gravada ali. Ele também dispõe de um dicionário de 80 000 palavras.
Webphone
Vai estar disponível no Brasil no segundo semestre deste ano
www.samsungmobile.com
Este é o primeiro celular com televisão embutida. A tela é de cristal líquido, de alta resolução. Pesa 160 gramas sem a bateria, que dura até 200 minutos. Vai estar à venda na Coréia no começo do ano.
TVphone
Sem previsão de chegar ao Brasil
www.samsungmobile.com
Ideal para jovens, este aparelho toca mp3. Plugando o telefone ao micro, dá para carregar até dez músicas. Se alguém liga, o som pára. Também reconhece voz, disca sozinho e grava conversas.
MP3
Vai estar disponível no Brasil no segundo semestre deste ano
www.samsungmobile.com
Este é um celular que tem vocação para virar computador de mão. Fechado, é um telefone normal. Aberto, recebe desde correio eletrônico até fax e mensagens instantâneas, como um pager.
Communicator
www.nokia.com
Nokia: 11 816 7765
A tecnologia necessária para levar a Internet ao celular já existe desde abril de 1998, quando gigantes da indústria como Nokia, Motorola, Samsung e IBM criaram um padrão para comunicação entre portáteis digitais. É o WAP, sigla em inglês que significa protocolo para aplicações sem fio. Na prática, é uma linguagem nova a ser adotada por todos, para que aparelhos de marcas diferentes possam "conversar", quer dizer, enviar dados um para o outro.
Para completar o pacote, no entanto, é preciso que a operadora, que controla o trânsito das ligações, tenha autorização para mandar outros tipos de dados além da voz. Na Europa e nos Estados Unidos, isso já funciona. Mas no Brasil ainda se espera o o.k. da Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, que só em dezembro passado liberou o uso do celular como pager. Para a Internet, ainda falta uma decisão.
Enquanto isso, as fábricas de aparelhos não perdem tempo. Depois dos analógicos — hoje peças de museu — e dos digitais, vem aí a terceira geração de celulares, a dos multifuncionais. São os telefones multimídia, que vão integrar Internet, TV e pager. Além, é claro, de fazer ligações. "O consumidor está menos interessado na tecnologia e mais no que será possível fazer com ela", disse à SUPER Pablo Moray, diretor da Motorola, empresa americana que inaugurou a telefonia móvel no Brasil, em 1990. "Hoje a tecnologia dos celulares avança tão rápido quanto a dos computadores", compara Bruno Lee, gerente de telecomunicações da empresa coreana Samsung.
A mudança não se restringe ao aparelho. O conteúdo da Internet também deverá se adaptar ao novo suporte. "Haverá páginas especialmente desenhadas para o WAP", anuncia o americano John Dvorak, um dos colunistas de tecnologia mais respeitados do mundo, que escreve na PC Magazine. O browser — programa para navegar pela rede — será mais limitado que o dos computadores, porém mais funcional. "A idéia é pôr no celular tudo o que for importante para o usuário quando estiver em trânsito", resume Beth Peart, gerente de marketing da Nokia Brasil.
Enquanto na Finlândia o WAP já é comum, o Brasil só agora vê a explosão dos celulares. Há 11 milhões de aparelhos no país — apenas sete para cada 100 habitantes. É um número pequeno, mas triplicou nos últimos três anos. E vai aumentar mais. Com a Internet na palma da mão, o celular tem tudo para virar kännykkä por aqui também.
Um novo chip vai permitir que os badulaques eletrônicos conversem uns com os outros.
Se depender de empresas como Ericsson, IBM, Nokia, Intel e Toshiba, num futuro próximo não haverá mais fios na nossa casa.
Essas gigantes das telecomunicações criaram em 1998 um sistema de radiotransmissão para interligar computadores e outros produtos eletrônicos. Os primeiros produtos aparecerão neste ano.
Seu celular vai abrir o portão da casa, receber as mensagens de sua secretária eletrônica e acender as luzes. O responsável por essa hipercomunicação é um chip chamado Bluetooth, que envia ondas eletromagnéticas por uma saída de infravermelho. Chama-se assim em homenagem a um chefe viking que unificou tribos inimigas na Dinamarca no século IX.