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TERRORISMO

Superinteressante edição 169
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Terror na cabeça

Saiba o que passa na cabeça de um terrorista como aqueles que se lançaram contra as torres do World Trade Center.

A alemã Chaille Wendt estava tendo um dia de trabalho normal na Universidade Técnica de Hamburgo no dia 11 de setembro até que, bem, você já sabe. Ela parou para ver as imagens do atentado contra Nova York, ficou em silêncio e fez para si uma pergunta a um só tempo óbvia e de difícil resposta: que mente humana seria capaz de realizar algo tão abominável? Enquanto assistia a tudo, a cerca de 6 000 quilômetros de distância, Chaille (pronuncia-se Coile) sequer podia imaginar que um dos 81 passageiros do Boeing 767 da American Airlines o primeiro a bater em uma das torres do World Trade Center tinha estudado no mesmo prédio onde ela estava naquele momento. No início do ano passado, ela havia se encontrado algumas vezes com o simpático Mohamed Atta, aluno do mesmo departamento de planejamento urbano em que ela trabalha. Ele era gentil, calmo e extremamente educado, disse Chaille à Super alguns dias após o ataque.

Seu trabalho de conclusão de curso um projeto sobre o planejamento da cidade síria de Aleppo mereceu elogios dos professores. Mas o FBI, a polícia federal americana, tem outra imagem de Mohamed. Segundo os investigadores, ele era o seqüestrador que pilotou o Boeing em direção à torre norte do World Trade Center às 8h48 daquela manhã de terça-feira e deu início à primeira crise internacional de peso do século XXI.

O que teria se passado na mente de Mohamed Atta minutos antes de entrar no avião? Que espécie de convicção arraigada é essa capaz de fazer com que ele e outros 18 homens embarcassem tranqüilamente em uma missão como prova de frieza, alguns deles tiveram a calma de pedir para o vendedor de bilhetes creditar o trecho no cartão de milhagem da companhia aérea cientes de que não voltariam vivos? O ódio dos seqüestradores e de terroristas como Osama bin Laden é desumano, fruto de um cérebro doente, ou humano demais, vítima de certezas inexoráveis?

Se a primeira imagem que lhe veio à cabeça após o ataque foi a do terrorista em vestes de um maníaco fanático, com um sorriso perverso e macabro, é bom começar a duvidar dos estereótipos. Apesar de não excluir a existência de psicopatas infiltrados em grupos terroristas, a maioria dos estudiosos diz que, assim como Atta, ninguém precisa ser um Hannibal Lecter para fazer o que se suspeita que ele fez. Para os especialistas, qualquer um, sob certas circunstâncias, seria capaz de cometer um ato tão abominável. Inclusive você, ou eu.

A idéia de que terroristas são mentalmente doentes não corresponde à realidade, diz Philip Schrodt, especialista em terrorismo da Universidade de Kansas, Estados Unidos. Eles não são pirados que ouvem vozes do além. São pessoas que acreditam estar agindo certo e farão de tudo para atingir seus objetivos. Quando perguntado sobre por que alguém daria a própria vida por uma causa, qualquer que seja ela, Schrodt diz: Procure a lista de soldados americanos que ganharam medalhas de honra na Guerra do Vietnã e você vai encontrar dezenas de homens que morreram em ações suicidas pela mesma lealdade ao grupo que moveu as pessoas que cometeram o atentado. Apesar de reconhecer que há uma clara diferença entre uma guerra e um ato terrorista o ato terrorista é inesperado e, por isso, mais covarde, atingindo bem mais inocentes , ele diz que a mente dessas pessoas funciona como a de um soldado.

Na cabeça deles, a guerra existe, eles estão do lado do bem e não conseguem enxergar civis inocentes. Para eles só há inimigos.

O historiador de assuntos religiosos Philip Jenkins, da Universidade da Pensilvânia, também nos Estados Unidos, tem uma visão parecida. Ele costuma perguntar para os seus alunos o que acham dos pilotos americanos que derrubaram as bombas atômicas que mataram mais de 120 000 civis 20 vezes mais que as cerca de 6 000 vítimas no ataque a Nova York e Washington em Hiroshima e Nagasaki, em 1945. Como havia uma guerra e eles representavam uma nação inteira, ninguém poderia chamá-los de extremistas, diz Jenkins. Terroristas também acham que estão numa guerra e representam uma causa, mesmo que essa batalha não seja entre nações. Assim como os kamikazes japoneses e os soldados americanos que sabiam que não voltariam de suas missões no fronte ocidental, os seqüestradores que atacaram Nova York também acreditavam que estavam destruindo um inimigo em nome de uma causa justa. Dentro da sua lógica, não havia inocentes nas torres do World Trade Center, diz Jenkins.

Essa explosão de ódio e violência motivada por uma causa por mais absurda que seja é o que separa, para os pesquisadores, o perfil de um terrorista do de um psicopata. O psicopata tem um problema no cérebro que o torna incapaz de sentir emoções, culpa e arrependimento como as pessoas normais, diz Renato Sabbatini, neurocientista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É como um problema na configuração do hardware de um computador. Ele diz que imagens dos cérebros dessas pessoas quase sempre revelam que eles têm uma atividade deficiente no lobo frontal, a região abaixo da testa que cuida das emoções. Por não sentirem remorso ou qualquer inibição de origem emocional, são capazes de cortar suas vítimas com a tranqüilidade de quem prepara um jantar numa noite agradável. É pura ingenuidade achar que os 19 homens que participaram dos atentados contra Nova York e Washington se enquadrem nesse perfil, diz Sabbatini.

O psiquiatra Henrique Del Nero, da Universidade de São Paulo (USP), diz que há outra diferença fundamental que coloca em lados opostos esses dois tipos de criminosos: Psicopatas não agem como suicidas, eles sentem prazer na violência e nunca interromperiam esse prazer se matando, diz Del Nero. Já os terroristas podem se suicidar porque têm a convicção de que vale a pena morrer em seu esforço contra o inimigo. Eles acreditam estar lutando por uma causa maior que suas próprias vidas.

Há uma exceção. Talvez houvesse um psicopata envolvido no ataque aos Estados Unidos assistindo a tudo à distância. Só pelo olhar dele, desconfio que Osama bin Laden seja o único psicopata da ação em Nova York, diz Del Nero. Os outros terroristas do grupo podem ser pessoas como você e eu. Embora seja muito improvável que um psicopata esteja entre os seguidores de um grupo terrorista inclusive porque gente assim é extremamente individualista e trabalha mal em equipe , é bem provável que haja alguém com esse distúrbio psiquiátrico na liderança da milícia. Os psicopatas muitas vezes são carismáticos e convincentes perfil no qual se enquadram não apenas bin Laden, mas também outros responsáveis por grandes mortandades da história, de Charles Manson a Hitler.

Todos eles se valem da mesma estratégia para arregimentar seguidores: dividem o mundo entre o bem e o mal e conclamam as pessoas a ficarem do lado certo. Essa visão polarizada e maniqueísta é apontada como um dos traços presentes na pregação de quase todos os grupos terroristas. Tanto faz se são os sikhs da Índia, militantes cristãos americanos ou fundamentalistas islâmicos, o que os diferencia das pessoas comuns é uma visão parcial e distorcida da realidade, diz Mark Juergensmeyer, professor da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, que já entrevistou dezenas de terroristas para o seu livro Terror in the Mind of God (Terror na mente de Deus, inédito no Brasil). Eu não tenho dúvidas de que os suicidas do ataque do dia 11 de setembro morreram com o sentimento de que realizaram um ato de bravura, de que eram super-heróis, diz Juergensmeyer.

É claro que não são apenas os terroristas que vêem o mundo assim. Deus versus o Diabo, Darth Vader versus Luke Skywalker, Batman versus Coringa. Se a visão dualista do mundo é algo presente em quase todas as culturas, o que faz com que alguns ingressem em grupos terroristas e outros permaneçam defendendo suas crenças civilizadamente com palavras incluindo o seu amigo que insiste em lhe converter para a religião que acabou de abraçar? Ou mesmo entrar numa corrente ou a torcer para o Corinthians?

Jarrold Post, ex-chefe do centro de análise e comportamento de terroristas da CIA, o serviço secreto americano, diz que o principal motivo que leva alguém a ser um terrorista é de natureza social. A necessidade de ser aceito por um grupo, sentir-se parte de uma comunidade, escolhido e reconhecido como alguém especial seria o suficiente para atrair muitos adeptos a seitas fanáticas ou grupos extremistas. Agora misture esses ingredientes à pregação do uso da violência e à catequisação de que matar em troca da própria vida é uma honra suprema, e estaria pronta a receita explosiva que mantém esses grupos em ação. Geralmente são jovens que perderam parentes em guerras, estão desempregados e encontram na missão terrorista um objetivo para a sua vida, diz Post. Se por trás dessa mente existir uma narrativa religiosa que incita o sujeito a cometer atentados, ele certamente o fará.

Há mais de dez anos, o psiquiatra Paulo Dalgalarrondo, da Unicamp, estuda a relação entre mente e religião. Há pesquisas que mostram que antes de se converter a uma nova religião, a maioria das pessoas tinha um sofrimento mental maior que a média da população, diz o psiquiatra. Esse sofrimento cai após a conversão, quando a pessoa dá um novo sentido para a sua vida. A conseqüência é que o convertido passa a ver o mundo de outra forma, separando-o em dois: o mundo exterior, com suas leis, e o mundo no qual ele acabou de ingressar, com uma série de regras próprias que lhe trazem alívio. Dependendo do que a nova religião exija dele, o convertido se tornará capaz de esforços surpreendentes para manter-se fiel a ela, diz.

Tornar-se um mártir seria o maior desses esforços, a prova de fé definitiva em diversas religiões. Mais que atingir a purificação da alma, a exaltação do sofrimento físico é uma espécie de atalho para chegar ao paraíso uma promessa que não é pregada apenas pelo Hezbollah e por outros grupos terroristas. Na própria Igreja católica há uma forte identificação com os santos que enfrentaram o martírio e a morte pela fé, diz Dalgalarrondo. E tanto o Antigo quanto o Novo Testamento estão repletos de passagens com esse teor.

Assessor de assuntos bíblicos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o padre Johan Konings tem uma visão bem diferente sobre o assunto e diz que a suposta glorificação da dor física no Cristianismo não passa de uma má interpretação dos textos da Bíblia. Quando Jesus diz: ‘Se um olho lhe faz pecar, arranca-o', as pessoas não podem interpretar isso como um incentivo à automutilação, mas como um conselho de que devemos cortar o mal pela raiz, diz Konings. Mas não seria a própria imagem do Cristo crucificado o maior exemplo dessa exaltação do engrandecimento pelo flagelo? Pouca gente sabe que, até o século II, Cristo não era representado na cruz mas como a figura do bom pastor ao lado de suas ovelhas, diz Konings. A imagem ‘dolorosa' do Cristo na cruz somente veio a se tornar símbolo da Igreja por volta do século VI, possivelmente por alguma relação com o ambiente de violência do período.

Para ele, nada mais natural que, nos momentos de guerra e sofrimento, as pessoas venham a se identificar com o martírio de Jesus e dos santos. Quando a Bíblia é interpretada a serviço de alguma causa violenta, todo tipo de distorção é feita, diz. Não é coincidência que a Inquisição e as guerras religiosas tenham ganhado força com o surgimento dos Estados nacionais. Desde o fim da Idade Média, o casamento entre a religião e o Estado terminava quase sempre em sangue e perseguição.

Já no Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos, há uma passagem que diz que aqueles que morrem em defesa de Alá irão para o mais alto nível do paraíso, o sétimo, ao lado dos profetas, com direito a mulheres delicadas e cálices cheios. Essas palavras são uma forma de explicar aos homens que o paraíso é um lugar maravilhoso, diz o xeque Jihad Hassan Hammadeh, líder da religião islâmica em São Paulo. Mas ele lembra que não há nenhuma promessa de paraíso para aqueles que usam a violência. O texto é claro: quem mata um homem inocente age como se estivesse matando toda a humanidade, diz o xeque. O Alcorão somente permite o uso da violência como legítima defesa, e, ainda assim, na mesma proporção do agressor, nunca incitando mais violência. Por essa visão, Mohamed Atta e os outros terroristas que participaram do atentado de 11 de setembro podem esquecer o paraíso islâmico pelo qual provavelmente decidiram morrer.

É claro que os terroristas interpretam as passagens do livro sagrado de uma maneira bem particular. Para quem estiver disposto a lutar na Guerra Santa, a promessa do paraíso ganha alguns itens adicionais. O terrorista Abdallah Sakran, preso em 1996 antes de detonar uma bomba em Israel, afirma que não apenas lhe foi prometido o paraíso, como lhe disseram também que seus parentes e amigos teriam mais chances de chegar lá se ele morresse em ação. E não é só isso: o pacote pós-morte incluiria o direito a casar com 72 virgens no paraíso e a 6 000 dólares para serem gastos aqui na Terra mesmo, pagos à sua família para ela tocar a vida até encontrá-lo no céu. É uma interpretação distorcida do Alcorão que, aliada à pobreza e ao ódio nacionalista, se torna um apelo e tanto para que o terrorismo conquiste novos adeptos, diz o xeque Jihad.

Com a crença de que a morte pela causa levará o terrorista ao paraíso, qualquer espécie de negociação torna-se praticamente impossível. O terrorismo tradicional tem um objetivo definido que abre uma possível base de negociação para a solução de impasses, diz Michael Fowler, especialista em resolução de conflitos da Universidade de Louisville, Estados Unidos. Isso não aconteceu no dia 11 de setembro. Eles não queriam a libertação de prisioneiros, dinheiro nem o reconhecimento de algum Estado, apenas atacar e humilhar um país que eles consideram um representante do mal. Em ações do terror com reféns motivadas por causas nacionalistas e religiosas, Fowler diz que o negociador tem que encontrar saídas que façam sentido à lógica do terrorista. No seqüestro dos funcionários da embaixada americana em Teerã, capital do Irã, em 1979, ele lembra que diplomatas da então Alemanha Ocidental intercederam pelos americanos usando os ensinamentos do Alcorão.

Eles conversaram com um dos conselheiros diretos do aiatolá Khomeini e disseram que, segundo as regras do Alcorão, os prisioneiros não deveriam ser tratados daquela forma. Ninguém sabe ao certo quanto isso pesou na resolução do caso, mas essa é uma das únicas saídas nesse tipo de negociação, diz Fowler. É preciso encontrar um ponto comum com cada tipo de causa terrorista.

Mas, afinal, há alguma diferença entre o religioso, o nacionalista, o radical de direita ou de esquerda quando eles estão dispostos a usar o terror para atingir seus objetivos? O Departamento de Estado americano é claro quando define o terrorismo como a violência premeditada contra alvos civis, praticada por grupos minoritários ou agentes clandestinos, normalmente com a intenção de influenciar a opinião pública. Ou seja: o que difere o terrorismo de outras formas de violência não é apenas o apego à causa, mas a forma de agir (leia mais sobre esse assunto na matéria Existe terrorismo bom?, na pág. 49). O irônico disso tudo é que as pessoas aceitam a morte de civis em guerras como uma fatalidade e não como um crime, como nas ações terroristas, diz Renato Sabbatini, psiquiatra da Unicamp. Será que um documento de declaração de guerra autoriza a morte de inocentes?

Para a ofensiva antiterrorista que tomou conta do espírito americano nos últimos dias, tudo indica que sim. É o que se verifica pela explosão na venda de bandeiras e de armas e pelo discurso do presidente George W. Bush conclamando o mundo para uma luta do bem contra o mal. Até mesmo a revista Time, geralmente tão equilibrada em suas tomadas de posição, escreveu um editorial dizendo que não era hora de os americanos se consolarem, era hora de eles aproveitarem o ódio para responderem com fúria aos ataques. Alguns especialista vêem um risco nisso. O discurso americano está cada vez mais parecido com o discurso dos fundamentalistas islâmicos, diz Roberto Ziemer, especialista em psico-história uma maneira de estudar a história à luz da psicologia. Ziemer diz que, no fundo, o fundamentalismo e seu filho, o terrorismo é apenas uma forma simplista de os homens personificarem num inimigo o mal que existe em todos. Inclusive em você ou em mim.

 

 

 

De Judas a Bin Laden

 

A Palestina está ocupada por uma nação poderosa. Em meio à população oprimida surge um grupo de terroristas que começa a empreender atentados contra os invasores, exigindo que eles deixem a cidade sagrada de Jerusalém. Não, não estamos falando do terrorismo muçulmano nos territórios ocupados por Israel. Essa história é muito mais antiga que o Islamismo data do ano 6, quando Jesus ainda era menino. Os judeus não são os invasores, mas os oprimidos. É deles que parte o terrorismo.

O terrorismo é tão antigo quanto o homem desde sempre há pessoas usando o medo, a ameaça, a intimidação para alcançar seus objetivos. Mas coube aos Sicarii, um grupo radical de militantes judeus, a discutível honra de ser o primeiro grupo terrorista organizado da história.

Para protestar contra a ocupação do Império Romano uma espécie de Estados Unidos da época , os Sicarii matavam romanos e judeus colaboracionistas nas ruas, de forma a criar pânico. Os assassinatos eram cometidos a punhaladas (daí o nome Sicarii, ou homens do punhal, em grego. O sobrenome do apóstolo Judas, Iscariote, é interpretado por alguns estudiosos como uma corruptela de Sicarii e um indício de que Judas pertencia ao grupo).

Em 66, os Sicarii tomaram parte em um violento levante contra os romanos, que durou quatro anos algo como a Intifada dos muçulmanos de hoje. Durante a guerra, a sagrada Jerusalém foi arruinada e o principal templo dos judeus, arrasado até hoje se faz um jejum anual em memória dessa tragédia. Em 73, os últimos Sicarii, acuados, cometeram suicídio coletivo. A ocupação romana da Palestina duraria mais 600 anos.

Começou assim, com uma derrota, a sangrenta história do terrorismo organizado. Não é à toa que ela se originou no Oriente Médio. Como qualquer um que já jogou uma partida de War sabe, a região fica bem na confluência de três continentes, lugar propício para o encontro entre civilizações incapazes de se comunicar. É assim desde a aurora da humanidade (tudo indica que os primeiros confrontos entre os Homo sapiens vindos da África e os neandertais saídos da Europa tenham se dado lá).

O segundo ato da história do terrorismo foi encenado 11 séculos depois da derrota dos Sicarii, também no Oriente Médio mais a nordeste, no Irã. O protagonista era Hassan II, grão-mestre dos Nizarins, um grupo dissidente islâmico que entraria para a história com outro nome: Ordem dos Assassinos. A palavra assassino vem de hashishiyun haxixe em persa , droga que os Nizarins supostamente inalavam antes de saírem às ruas para matar sultões, mulás, vizires, ulemás e xeques (conheça o significado desses nomes na matéria de abertura de Superintrigante, na pág. 28) que ousassem se opor à seita.

A ordem era minoritária entre os muçulmanos, contra os quais ela declarou guerra. Mesmo assim, e apesar de colecionar inimigos poderosos, os Nizarins duraram 100 anos. A única explicação para a longevidade é a eficiência de suas táticas terroristas. Nenhum governante, por maior que fosse seu exército, queria irritar Hassan II, com medo de se tornar a próxima vítima dos punhais de seus 70 000 assassinos.

A palavra terrorismo só veio surgir bem depois, para designar o período mais sangüinolento da Revolução Francesa entre 1793 e 1794, sob o comando de Robespierre , quando 17 000 cabeças rolaram das guilhotinas, sem julgamento público ou advogado de defesa. Ao contrário do terrorismo praticado pelos Sicarii e pelos Nizarins, o terror revolucionário francês se exercia de cima para baixo, diz Gayle Olson-Raymer, especialista em história do terrorismo da Universidade Humboldt, na Califórnia. O objetivo passou a ser espalhar o medo para evitar a oposição, não para intimidar um poder maior.

No século seguinte, o avanço dos explosivos e das armas de fogo aumentou o potencial destrutivo dos atentados e diversos grupos perceberam o poder persuasivo do terror contra governos opressores. A maior vítima da nova tendência foi o governo czarista da Rússia. Inspirados em teóricos do terror como Mikhail Bakunin, grupos anarquistas começaram a mirar dirigentes para desorganizar o Estado. Em 1881, o czar Alexandre II voou pelos ares. Em 1918, já sob o governo comunista (outro regime entusiasta do terrorismo de Estado), foi a vez de Nicolau II ser assassinado, com toda sua família.

O começo do século XX registrou o crescimento do terrorismo nacionalista, que se espalhou pela Europa. Foi também nessa época que o mundo começou a perceber o impacto que um único atentado podia ter na história. Veja o caso de Gavrilo Princip, um sérvio de 19 anos. Em 1914, com apenas dois disparos de pistola um no pescoço do arquiduque Francisco Ferdinando, filho do imperador austro-húngaro Francisco José, e outro no estômago de sua esposa Sofia , o garoto, membro do grupo nacionalista Jovem Bósnia, deu início a um conflito que envolveu dezenas de países, despedaçou dois grandes impérios e deixou 8,5 milhões de mortos: a Primeira Guerra Mundial.

Daí para a frente, o terrorismo tomou outros rumos. Em vez de tentar acertar chefes de Estado, numa afronta direta ao governo, os grupos passaram a escolher alvos de grande visibilidade, geralmente civis, com o objetivo de provocar repercussão mundial e divulgar a causa. Foi assim em 1972, quando terroristas palestinos seqüestraram e assassinaram boa parte da delegação israelense nas Olimpíadas de Munique. O atentado chocou o planeta num grau só comparável ao que, no mês passado, reduziu o World Trade Center, em Nova York, a entulho.

Ainda na década de 70 surgiu outra novidade macabra: os atentados suicidas. Com bombas instaladas no próprio corpo ou pilotando um carro (ou avião) explosivo, os militantes tornaram-se muito mais letais e ficou fácil planejar um ato para começar, a fuga tornou-se desnecessária.

Essa tendência culminou, no dia 11 de setembro, com a enorme destruição imposta aos Estados Unidos. No mesmo dia, o presidente americano George W. Bush declarou em tom belicoso que acabaria com o terrorismo. Que ele tenha em mente que muita gente já tentou fazer o mesmo, igualmente por meio da violência o Império Romano, o clero muçulmano e o czar da Rússia, para citar alguns. Ninguém teve sucesso.

 

 

 

Século do terror

 

1901O anarquista Leon Czolgosz mata a tiros o popular presidente americano William McKinley. A onda de atentados anarquistas que começara na Rússia chega à América

 

1914

Ao lado, você vê os corpos do arquiduque Francisco Ferdinando e de sua esposa Sofia. O crime, cometido por um nacionalista sérvio, deu início à Primeira Guerra Mundial

 

1930

Ocorre o primeiro seqüestro de avião, no Peru. A partir dos anos 50, à medida que voar ficou mais comum, essa nova modalidade de terrorismo espalhou pânico pelo mundo

 

1946

Extremistas judeus detonam duas minas no Hotel King David, em Jerusalém. O atentado matou dezenas de civis e apressou a retirada das tropas britânicas e a criação do Estado de Israel

 

1972

O grupo palestino Setembro Negro invade a vila olímpica de Munique, seqüestra a delegação israelense e mata nove atletas

 

1995

O extremista americano Timothy McVeigh explode um prédio do governo em Oklahoma, mata 168 e assusta os americanos, ao mostrar que o terrorismo pode vir de dentro

 

2001

No pior atentado da história, dois dos maiores prédios do mundo são derrubados, o centro militar americano é maculado e cerca de 6 000 pessoas morrem.

 

 

A globalização do medo

 

O terrorismo ronda o mundo atual como um espectro. Os Estados Unidos e todas as potências da Europa uniram-se numa guerra santa contra esse inimigo. Desde o fatídico 11 de setembro, o presidente George W. Bush tem produzido discursos em que a velha retórica belicista americana aproxima-se do tom pouco amigável dos xerifes do Velho Oeste retratados por Hollywood. Num pronunciamento na TV, Bush declarou querer capturar Osama bin Laden vivo ou morto.

Os atentados contra os Estados Unidos comprovaram um fato que vem sendo observado pelos analistas políticos: as próximas guerras não se darão somente entre Estados-Nações, mas entre países e grupos terroristas. A tragédia americana demonstra que a guerra tradicional pode ter acabado. O novo fronte é formado por uma série de conflitos internos provocados por grupos políticos bem armados e, em muitos casos, contando com o respaldo de alguns Estados organizados.

O principal combustível das guerras do passado era a animosidade entre nações e blocos econômicos. Hoje, o que insufla novos e sangrentos conflitos é o descontentamento com políticas externas e posturas econômicas hegemônicas. Antecipada em livros como Os Demônios, do escritor russo Fiódor Dostoiévski (que mostra o nascimento do terrorismo entre os opositores do czar na Rússia do século XIX), e O Agente Secreto, do polonês naturalizado britânico Joseph Conrad (no qual um grupo de anarquistas ingleses tenta explodir uma bomba em Londres), a guerra terrorista é sempre motivada pela paranóia, seja ela política ou religiosa. É o temor de ver determinado território ocupado, é a desconfiança em relação àqueles que não partilham dos mesmos credos religiosos. É a guerra do fanatismo, da intolerância e da insatisfação.

Grande parte dos exércitos ainda não está preparada para essa nova forma de guerrear. Antigas estratégias, desenhadas quando a perspectiva de combate era observada atentamente no mapa-múndi e não nos mapas de grandes centros urbanos como Nova York, Paris ou Londres, envelheceram muito nas últimas semanas. O terrorismo é um inimigo sem país determinado e muitas vezes com posições dentro do território do oponente. As nações dispostas a enfrentá-lo devem aprender a lidar com táticas de guerrilha e a estabelecer limites de segurança mais rigorosos em locais tumultuados como aeroportos, estações de metrô e avenidas comerciais.

A batalha contra o terrorismo terá que ser global, envolvendo cooperação não apenas de Estados, mas de organizações sociais e religiosas. Será uma aliança global, afirma o jurista americano Christopher Kutz, professor de jurisprudência e política social na Universidade de Berkeley, no Estado americano da Califórnia, uma instituição de ensino historicamente ligada à esquerda e aos movimentos sociais. Mas essa aliança global não poderá provocar uma paranóia igualmente mundial, em que os direitos individuais serão podados em nome da paz? Kutz enxerga esse risco, mas prefere acreditar na sobrevivência de valores como a liberdade e a privacidade. Ele teme por algumas conseqüências da desconfiança generalizada em relação a qualquer indivíduo que pareça islâmico.

O grande perigo que todos nós corremos é o de constrangermos ainda mais pessoas que pareçam diferentes, ou seja, de pele mais escura, afirma Kutz. O que seria apenas transportar a intolerância e o fanatismo dos grupos extremistas para as sociedades democráticas.

Por incrível que pareça, a discussão acerca das liberdades individuais num período conflagrado por ataques terroristas apagou muito da tradicional polarização entre direita e esquerda nos Estados Unidos. Ao longo da história americana, republicanos e democratas sempre habitaram nichos políticos opostos. O que também significava visões do mundo bastante diversas. Os republicanos são francamente favoráveis à postura de delegados do mundo encarnada pelos Estados Unidos desde o início do século principalmente durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria. Já os democratas marcam sua atuação por uma postura mais crítica e um pouco menos intervencionista.

Membro do Conselho Diretivo da John Birch Society, um dos bastiões mais conservadores do espectro político americano, e editor da publicação The New American, órgão porta-voz dos republicanos, o jornalista William Norman Grigg procura adotar um discurso mais moderado em relação à perda de direitos civis em nome do combate ao terrorismo e à possibilidade de uma guerra. Ao contrário de um endurecimento das liberdades individuais e de uma guerra, seria maravilhoso se a América se inspirasse nesta tragédia para se devotar mais uma vez aos valores não-intervencionistas, afirma. Grigg diz ainda que uma aliança global antiterrorismo poderá servir como uma luva a países como Rússia e China, dispostos a aniquilar movimentos separatistas islâmicos nos territórios da Chechênia e de Xinxiang, velhos causadores de enxaquecas nos intransigentes governantes locais.

Parece difícil, no entanto, acreditar que alguns respingos da nova atuação americana não venham parar na América Latina. O primeiro sinal de uma ação mais presente no Brasil foi a abertura, em setembro, de uma divisão da CIA, no consulado americano em São Paulo, destinada a investigar a lavagem de dinheiro de grupos terroristas atuantes no continente. Para Maria Lígia Coelho Prado, professora de história da América Latina contemporânea na Universidade de São Paulo (USP), outras medidas propostas por Bush poderão repercutir no Brasil e nos demais países do continente. Principalmente determinações a respeito de segurança nos aeroportos e na caçada aos suspeitos de terrorismo.

Em alguns países latino-americanos há grupos terroristas ou paramilitares atuantes. É o caso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que há três décadas promovem ações de caráter terrorista dentro de um território que faz fronteira com o Brasil. Embora a batalha de Bush seja contra os terroristas islâmicos, não há como negar a perspectiva de uma atuação mais firme no combate aos movimentos da América Latina, afirma Maria Lígia.

É um exercício perigoso de futurologia, porém, antecipar qualquer prognóstico sobre o comportamento dos Estados Unidos nesta nova ordem mundial forçosamente inaugurada em 11 de setembro. O mais provável, no entanto, é que estejamos diante de um período de exceção que ocorrerá dentro e fora dos Estados Unidos e que, patrocinado pelos próprios americanos, abrirá mão, interna e externamente, de alguns valores que sempre estiveram presentes no discurso daquele país: liberdades políticas, proteção ao indivíduo, autodeterminação dos povos.

Embora atos terroristas sempre tenham ocorrido, o quadro atual, com a idéia de Estado-Nação enfraquecida diante da atuação de Estados corporativos ou religiosos, converge para essa maneira violenta de ação que deve marcar a política externa americana. Em Turbocapitalismo: Perdedores e Ganhadores na Economia Globalizada, o estrategista americano Edward Luttwak percebe que a mudança estrutural acelerada em muitas economias acaba reduzindo o controle democrático e a autonomia dos países no quadro global. Isso, segundo Luttwak, pode lacrar as portas para as liberdades individuais em todos os cantos do mundo. As conseqüências humanas do turbocapitalismo são liberadoras e desorientadoras. A perda da autenticidade pessoal caiu sobre nós com força total, afirma.

Talvez estejam aí, num mesmo e explosivo pacote, a pergunta e a resposta para o recrudescimento da atuação internacional americana e para as reações brutais do novo terro- rismo contra a nação mais poderosa do mundo. O curso da história mudou, ainda que não se possa antever com certeza sua direção. O certo é que a ordem mundial forjada com a derrocada da União Soviética e o fim da Guerra Fria, e com a vitória dos Estados Unidos na Guerra do Golfo (1991) que durou quase uma década e foi marcada por um movimento de globalização dos capitais, dos produtos e das pessoas acabou.

 

 

Existe Terrorismo bom?

Rolihlahla criou uma milícia em seu país, apesar da oposição dos companheiros, que condenavam a violência. Ele vestiu-se com trajes militares, escondeu-se com seus homens na mata e distribuiu armas. Seu grupo começou a explodir bombas, sabotar fábricas, atirar em guardas desprevenidos e espalhar o pavor entre a população civil. Rolihlahla incitava a violência contra membros da elite e muita gente acabou sendo assassinada na onda de atentados que se seguiu. Até que prenderam Rolihlahla.

Sujeito horrível esse Rolihlahla, não é? Terrorista da pior espécie, não há dúvida. Por sorte, ele foi condenado à prisão perpétua. Aliás, talvez você já tenha ouvido falar dele. Ele é mais conhecido pelo nome inglês que adotou depois do batismo cristão: Nelson. Nelson Mandela. Depois de mais de um quarto de século cumprindo pena, Mandela foi solto em 1990, elegeu-se presidente em 1991 e hoje, já aposentado, é talvez a personalidade política mais admirada do planeta. Aposto que você gosta dele.

Em 1993, Mandela pendurou no pescoço a medalha dourada do Prêmio Nobel da Paz. Mas espera aí, um Nobel da Paz para um terrorista? Pode? Claro que pode. Mandela não foi nem o primeiro nem o único terrorista agraciado com o prêmio mais importante do mundo. Também há diplomas da Fundação Nobel nas salas de estar de Menachem Begin e de Yasser Arafat.

Begin e Arafat têm trajetórias bastante parecidas ambos dedicaram a juventude à luta pela criação de um Estado para o seu povo. Ambos explodiram bombas, mataram uma porção de civis e espalharam pânico. Ambos conseguiram chamar a atenção da comunidade internacional para suas causas graças à violência e acabaram escolhidos líderes de seus povos depois de abandonarem o terrorismo.

Por fim, ambos foram agraciados com o Nobel da Paz por conseguirem uma trégua no conflito que ajudaram a começar. Mas Begin e Arafat têm uma diferença significativa: estão em lados opostos. (Begin liderava o Irgun, grupo terrorista judaico dos anos 40 que pretendia expulsar os ingleses da Palestina e criar o Estado de Israel. Acabou se tornando primeiro-ministro do país e ganhou o Nobel de 1978, pelo acordo de paz com o Egito. Arafat criou a Al Fatah, a primeira das organizações islâmicas a explodir bombas na Israel de Begin. Terminou como chefe da Autoridade Palestina e ganhou o Nobel de 1994, pela paz breve obtida com Israel.)

Begin, Arafat e Mandela não demonstram nenhum arrependimento pelos atos violentos cometidos no passado. Os três garantem que foram forçados a chegar a esses extremos por uma boa causa. Muito bem. Poucas causas são tão justas quanto a defesa da natureza. Ninguém que não seja muito inconseqüente ou politicamente incorreto é a favor da extinção de animais, por exemplo. Isso quer dizer que todo tipo de atentado pode ser cometido em nome dessa causa?

A ONG Sea Shepherd, por exemplo, costuma arremessar sua traineira contra baleeiros em alto-mar. Já afundou oito deles e não pretende parar. Sua tática é terrorista espalha pânico entre os caçadores de baleias para fazê-los desistir da atividade. A Sea Shepherd nunca machucou ninguém durante os ataques, mas Paul Watson, seu fundador, em entrevista à Super, publicada em novembro de 2000, disse com todas as letras que não hesitaria em matar alguém se fosse absolutamente necessário para salvar uma baleia. A sobrevivência da espécie é anterior aos direitos do indivíduo, afirmou.

A Frente de Libertação da Terra (ELF) e a Frente de Libertação dos Animais (ALF) são ainda mais radicais. Ambas adotam expedientes como incendiar casas em bairros onde haja vida silvestre ou depredar lojas do McDonald's porque defendem a idéia de que todos devemos ser vegetarianos. Este ano, militantes da ALF espancaram o diretor de um laboratório científico que fazia testes com animais. O incêndio de lojas do McDonald's virou moda e foi adotado por ativistas antiglobalização, como o francês José Bové, aquele que, em janeiro, comandou, no Brasil, destruição de uma lavoura da Monsanto sob a alegação de que eram plantas transgênicas. Outra causa justa.

Sou totalmente a favor das causas ecológicas, afirma o sociólogo Gabriel Cohn, da Universidade de São Paulo. Mas seja qual for a causa, ela não será vencida com violência. Se o McDonald's tem um valor simbólico para os manifestantes ecológicos ou antiglobalização, é justo que alguém faça um protesto simbólico, com faixas ou pixações, por exemplo. No momento em que se fazem ataques reais, ameaçando vidas humanas, os manifestantes se colocam no mesmo nível dos celerados que derrubaram o World Trade Center, diz.

O historiador das religiões Philip Jenkins, da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos, outro estudioso da violência, tem opinião parecida. Nenhuma causa é boa o suficiente para justificar a morte de inocentes, diz. Jenkins estabelece um limite claro para separar as lutas legítimas do terrorismo condenável. Se civis têm suas vidas ou sua propriedade ameaçada, então o ato foi longe demais. Pelo mesmo critério, a Resistência Francesa, que atacava apenas alvos militares com táticas de guerrilha na Segunda Guerra Mundial, se justifica. Mas a luta de Mandela não.

Pelo mesmo critério, também, a atuação dos Estados Unidos durante a Guerra Fria apoiando o terrorismo de Estado na América Latina, financiando grupos terroristas de oposição em países comunistas como Camboja e Angola, e fortalecendo extremistas que viriam a se tornar terroristas, como o próprio bin Laden, no Afeganistão é completamente condenável. Tal política foi conduzida pelo secretário de Estado Henry Kissinger (que, dias após o atentado de Nova York, afirmou que tão culpados quanto os terroristas são aqueles que os apóiam, financiam e inspiram). Kissinger é o terrorista-mor, diz Cohn. Pois bem. O terrorista-mor, assim como Mandela, Begin e Arafat, também ganhou seu Nobel da Paz em 1973, pelo fim da Guerra do Vietnã.

Será que isso quer dizer que, no mundo real, por mais condenável que seja, a violência é muitas vezes o único caminho contra um inimigo mais forte? Com certeza não. A história tem alguns exemplos de pessoas que se recusaram a matar inocentes em nome de uma causa. É o caso de Mahatma Gandhi, herói da independência indiana, que pregava a resistência pacífica aos colonizadores ingleses. Ah, sim. Ao contrário dos terroristas Arafat, Begin, Kissinger e Mandela, Gandhi jamais ganhou o Nobel da Paz.

 

Para saber mais

Na livraria

Turbocapitalismo: Perdedores e Ganhadores na Economia Globalizada, Edward Luttwak, Nova Alexandria, São Paulo, 2001

A Civilização Americana, Jean-Pierre Fichou, Papirus, São Paulo, 1990

Dicionário de Política, Bobbio, Matteucci e Pasquino, Editora UnB, Brasília, 1994

Uma História dos Povos Árabes, Albert Hourani, Companhia das Letras, São Paulo, 1994

 

Na internet

www.terrorism.com

 

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