
Santo sumiçosNo ano de 1700, uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré do Desterro foi encontrada na floresta, perto de Belém do Pará. Dali ela foi levada para a catedral da cidade, de onde sumiu três vezes para, em todas elas, reaparecer no mesmo ponto da mata em que fora achada. Nesse local, construiu-se, então, uma basílica para abrigar a imagem da santa. A legião de fiéis que se dirigiam periodicamente para lá deu origem ao Círio de Nazaré
Devoção espremida
O Círio de Nazaré acontece no segundo fim de semana de outubro. Nos dias que o antecedem, a estátua de Nossa Senhora desfila de carro e barco pelas cidades próximas, com honras de chefe de Estado. Mas o grande momento começa às 6 horas da tarde do sábado, quando a multidão se aperta para acompanhar a santa por 5 quilômetros até a catedral de Belém, de onde se retorna na manhã do dia seguinte. Muitos fiéis fazem o longo percurso descalços ou de joelhos
Fiapo milagroso
A corda usada para puxar o carro que leva a santa é um dos elementos mais tradicionais da procissão. Segurá-la é, para os fiéis, uma garantia de receber a bênção e pagar promessas tanto que, no final, a corda solta é disputada por milhares
Emoção e empurrão
A emoção aflora no rosto dos fiéis. No ano passado, 1,7 milhão de pessoas vindas de todo o Brasil participaram do Círio. Tamanha é a multidão que só é possível dar início à procissão com a ajuda da polícia
O sagrado e o mundano
Muitos participantes trazem consigo figuras que representam o pedido que vêm fazer à santa como miniaturas de casas, sacolas e até mesmo tijolos. A procissão termina quando a figura de Nossa Senhora retorna à basílica. Os romeiros dedicam-se, então, a atividades mais prosaicas, como beber, almoçar, encontrar os amigos ou divertir-se no parque montado ao lado da igreja