
Velocidade Máxima
Os carros seriam máquinas de moer pilotos. Os Fórmula 1 de hoje são construídos sob várias limitações da FIA. A Federação Internacional de Automobilismo proíbe quase tudo o que um carro ideal teria, como motor turbo, aerodinâmica decente e outras coisas que aparecem no infográfico ao lado. O grosso dessas tecnologias já esteve nos F-1. Mas nunca tudo junto, no mesmo carro. Então não dá para saber qual seria a velocidade do bólido. O certo é que passaria dos 400 km/h. Mas aí o problema é o piloto. O baque de uma freada brusca numa velocidade dessas é cruel. A pressão faria o corpo do sujeito ser jogado para a frente com uma força seis vezes maior que a da gravidade (ou "de 6 g", como dizem os técnicos). Isso pode dar num desmaio ou numa parada cardíaca.
Arriscado. Para minimizar os danos, podemos dar um jeito de o piloto entrar nas curvas mais rápido, sem ter de frear tanto. Como? Com a solução mágica dos carros-asa, surgidos em 1978 e proibidos em 1983. Eles tinham um sistema aerodinâmico que os deixava com muita aderência, quase grudados ao chão. O piloto, então, podia entrar nas curvas com muita velocidade, sem medo de rodar. Só que a pressão lateral no corpo chegava a nada saudáveis 6 g –contra 4 g dos F-1 de hoje. E esse nem era o maior perigo: "O efeito dos ‘asa’ só funcionava com o chassi bem rente ao asfalto. Se o carro desse um solavanco, perderia toda a aderência e poderia decolar da pista", diz o engenheiro especializado em aerodinâmica Julio Meneghini, da Universidade de São Paulo. Para diminuir o risco e fazer nosso carrão andar mais rápido ainda, adotemos a suspensão ativa. Banida em 1994, ela evitava solavancos. Agora, vamos arrebatar com um também proibido câmbio automático do tipo CVT (sigla em inglês para "transmissão variável contínua"). Sua contribuição é fazer o carro funcionar sempre no limite, sem perder potência durante as trocas de marcha. Pronto: nosso super F-1 já pode cair na pista. Para quem sonha em ser piloto, seria uma beleza. Morreria tanta gente que nunca faltaria vaga nas equipes.
Aerofólio mutante
Nas retas, as asas ajustáveis ficariam quase paralelas ao chão, oferecendo resistência mínima ao ar. Antes das curvas, ficariam inclinadas, mantendo o carro mais preso ao solo. Mais: o próprio desenho do nosso F-1 já favorece a aderência
Mão na roda
Ao virar as quatro rodas (e não só as da frente, como diz o regulamento), o carro ganharia velocidade nas curvas. Os pneus voltariam a ser lisos (e não com sulcos, como os atuais). Isso aumentaria a área de contato com o solo, melhorando a tração
Versão turbinada
O turbo, banido em 1989, é o que há para aumentar a potência. No auge da era turbo, em 1987, havia motores que rendiam 1 200 cv, com cilindrada de 1,5 litro. O mais potente de hoje, o BMW da Williams, não passa de 900 cv, com um motor de 3,0 litros
Aderência no limite
O desenho do carro faria com que ele fosse empurrado contra o chão, ganhando aderência. É como se a máquina inteira fosse um grande aerofólio. Por isso, os bólidos assim eram chamados de carros-asa. Foram proibidos de vez em 1983
Avião-caça
Os F-1 de hoje têm mais resistência ao ar que os carros de passeio –o dobro da de um Ômega, por exemplo. Culpa das rodas descobertas e do cockpit aberto. Carenagem sobre os pneus e capota de avião-caça diminuiriam esse problema
Suspensão-robô
A suspensão ativa – que se auto-regula eletronicamente – deixaria o carro absurdamente estável. Ela foi banida em 1994, após dar dois títulos fáceis à Williams, para permitir alguma competitividade
Anos 50
Os primeiros F-1 tinham motor dianteiro. No final de década a equipe Cooper incorporou o motor traseiro
Anos 60
A revolução foram os sólidos chassis de folhas de alumínio, surgidos em 1962, e o aerofólio, em 1968
Anos 70
Em 1972 a Lotus cria o carro em forma de cunha. Em 1978 ela faz o carro-asa e reinventa a aerodinâmica
Anos 80
Da indústria aeronáutica chegam os chassis em fibra de carbono. O motor turbo ganha tudo de 1983 em diante
Anos 90
A eletrônica faz os carros praticamente andarem sozinhos, até boa parte dela ser banida