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As cores do czar

Há quase 100 anos, o russo Prokudin-Gorskii inventou uma nova técnica de fotografia. Com ela, registrou, em algumas das primeiras fotos vistas em cores, um império prestes a desaparecer

Rafael Kenki

 

Entre 1909 e 1915, o químico Prokudin-Gorskii viajou por todo o Império Russo para tirar fotos a serviço do czar Nicolau II, que lhe deu um vagão de trem e um passe para ir a locais de acesso restrito, como este campo de prisioneiros do Império Austro-Húngaro, no início da Primeira Guerra Mundial. Na época não existiam filmes coloridos. O segredo era tirar três fotos em preto-e-branco em uma seqüência rápida, cada uma com um filtro vermelho, verde ou azul (como as que estão acima). A foto podia então ser vista em cores se projetada com os mesmos filtros – um processo que foi simulado por computador e deu origem a essas imagens.

 

O objetivo da expedição de Prokudin-Gorskii era documentar para o czar as diversas culturas da Rússia e a indústria crescente, que tinha como um de seus grandes símbolos a ferrovia à esquerda, a Transiberiana, que estava nos últimos estágios de construção.

 

Os borrões na foto à direita são uma limitação da técnica do fotógrafo: quem se movesse no intervalo entre as três fotos aparecia como uma mancha de cores. Estas mulheres mostram a mistura étnica da Rússia. Identificadas como gregas, colhem chá na costa do mar Negro, a 1 300 quilômetros da Grécia.

 

Trajes típicos como estes à esquerda – de uma mulher da Geórgia e de um burocrata em Bukhara, no atual Uzbequistão – eram comuns na Rússia da época. Na época, muitos territórios mantinham havia séculos as mesmas tradições. Várias sumiram pouco depois, graças à industrialização e a campanhas soviéticas para unificar o país.

 

À direita estão artesãos de Kasli, no meio dos Montes Urais. Em 1910, a cidade tinha um artesanato de ferro de fama mundial, que decaiu quando o metal passou a ser usado para a guerra que, junto com a Revolução Russa de 1917, derrubou o czar e mudou todo o país. Prokudin-Gorskii fugiu para a França, onde morreu em 1945.

 

 

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