
Façam suas apostas: qual é o asteróide que vai atingir a Terra e causar uma enorme destruição? Talvez você não saiba, mas existe algo muito parecido com um bolão desse tipo. Só que, é claro, em versão acadêmica (e, até onde se sabe, sem envolver apostas em dinheiro). São cientistas da Nasa, nos Estados Unidos, e da Universidade de Pisa, Itália, que mantêm um ranking dos asteróides com maior probabilidade de nos atingir nos próximos 100 anos. Atualmente, existem 52 objetos em provável rota de colisão, mas a lista muda a cada instante. O primeiro motivo é que esses pequenos blocos de pedra são atraídos pela força gravitacional de planetas e, com o passar do tempo, sofrem ligeiras alterações de percurso. Além disso, quase todos ainda são muito pouco estudados. Cada vez que um astrônomo olha para um asteróide, consegue informações capazes de aumentar ou diminuir a cotação dele na bolsa de colisões.
As previsões dependem de uma rede mundial. Astrônomos de diversos países observam asteróides, perigosos ou não, e enviam suas descobertas para a International Astronomical Union (IAU), responsável por organizar os dados. Essa central tem um mapa completo, com os milhares de asteróides catalogados, detalhando seu tamanho, velocidade e trajetória estimada. Com essas informações, cientistas italianos e americanos calculam o risco de colisão. Não é um trabalho fácil. A cada ano os cientistas descobrem cerca de 250 novos asteróides. Só que, para saber qual a velocidade e a trajetória exata de cada um deles, é preciso observá-los por muitos anos. "Ainda não temos dados suficientes sobre a maioria dos asteróides. Daí a dificuldade em fazer previsões de impacto mais precisas", diz o astrônomo brasileiro Paulo Holvorcem. Mas não é preciso entrar em pânico: o risco de qualquer colisão ainda é bastante remoto.