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Supercult

Superinteressante edição 197
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Nostalgia

Dançando lambada

Tatiana Penido

 

De Porto Seguro, na Bahia, para o mundo, a dança sensual arrastou fãs por onde passou, na década de 80. Um furacão que fez o sucesso de gente como Luiz Caldas e a banda Reflexu’s, do inesquecível verso "Sene-senê/ Sene-senê/ Senegal". Nunca fomos tão ridículos (e felizes).

 

Adocica, meu amor

Universitárias com saias coloridas e miniblusas ao lado de homens com calças largas e lenços na cabeça lotavam as lambaterias. Os corpos suados giravam sem parar e a glória era dançar com duas mulheres ao mesmo tempo. Isso quando tudo não acabava num "trenzinho", com vários casais juntos.

 

Chorando se foi

A música nem sempre era a mesma. A lambada original (se isso é possível dizer) era uma mistura do carimbó com ritmos latinos, comum no Norte do país, mas que virou sucesso nos bares de Porto Seguro. Foi dali que empresários franceses levaram vários hits e formaram o grupo Kaoma, que estourou na Europa com a música "Chorando Se Foi".

 

Seu corpo estremece

O rebolado virou tema de abertura de novela das oito. Em Rainha da Sucata, da Rede Globo, de 1990, os casais ou trios se remexiam enfurecidos e até um robô feito de lixo entrava na dança. A música "Me Chama que Eu Vou" ressuscitou a carreira do velho cigano Sidney Magal.

 

Bamboleo

Tudo que pudesse ser dançado em ritmo de lambada virava lambada. Assim, a batida flamenca das guitarras do grupo franco-espanhol Gipsy Kings virou sucesso no Brasil. O povo repetia à exaustão os refrões de músicas como "Bamboleo" e "Djobi Djoba" (sabe-se lá o que isso significa). Até os Paralamas do Sucesso ("Alagados") e Caetano Veloso ("Meia-Lua Inteira") serviam de trilha musical para os lambadeiros.

 

A dança proibida

O cinema entrou na onda e produziu filmes sofríveis cheios de clichês. Carlinhos de Jesus foi protagonista de Lambada, Sonho e Sucesso e Lambada, o Filme. Mas trash mesmo foi Lambada – A Dança Proibida, em que uma princesa amazônica decide enfrentar uma empresa que quer destruir a floresta. Nesse meio tempo, ela divulga a lambada, dança proibida por ser "muito quente".

 

Por onde anda Beto Barbosa?

Depois de vender mais de 4 milhões de discos, no auge do sucesso, o rei da lambada chegou ao fundo do poço, em 1996, ao ser acusado de agressão. Beto se meteu em uma briga numa boate com a musa da Banheira do Gugu, Luiza Ambiel (com direito a tapa na cara e cenas de ciúme). A lambada acabou, mas Beto não perdeu o rebolado. Em 2001, aderiu à moda do forró moderninho (chamado "universitário") e continua dando seus shows.

 

 

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