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Mistério Platônico

Em busca de Atlântida

Dante Grecco

 

A expedição está prevista para começar em julho e promete ser uma das mais espetaculares de 2004. Um pequeno submersível com duas pessoas irá mergulhar nas águas do Atlântico em busca de um dos maiores enigmas da arqueologia: Atlântida.

Esse mistério teve início quando o filósofo grego Platão (427-347 a.C.) fez as primeiras referências ao mundo perdido de Atlântida em seus textos. Ele a descreveu como uma civilização rica, avançada e igualitária. Segundo o sábio, ficava além do que se chamava Os Pilares de Hércules, hoje conhecido como o estreito de Gibraltar, canal de 13 quilômetros entre a Europa e a África. Platão conta ainda que a ilha tinha sido tragada pelo mar 9 mil anos antes.

Nesses 2 mil anos que se passaram desde a Grécia de Platão, Atlântida transformou-se num mito e virou lenda.

"Curiosamente, ninguém levou a sério a indicação mais evidente: a ilha de Atlântida está justamente na entrada do estreito", diz Jacques Collina-Girard, historiador e arqueólogo da Universidade do Mediterrâneo, na França.

Em 2001, Collina-Girard reconstruiu um mapa da zona costeira ocidental da Europa há 19 mil anos. Acredita-se que o nível do mar era 130 metros mais baixo que o atual. O mapa revelou um arquipélago, cuja ilha maior, Spartel, localiza-se bem a oeste do estreito.

Pelos estudos, a ilha teria sido submersa há 11 mil anos. Ou seja, na mesma época citada por Platão. "Mera coincidência?", questiona Girard. Agora, o submersível irá mapear a ilha, coletar sedimentos e buscar cavernas que possam ter sido habitadas. Se o francês estiver certo, será o fim de uma lenda.

 

 

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