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Superinteressante edição 199
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Relógio Arqueológico

Cavucando no tempo

Bruno Maçães

 

Como é que os arqueólogos sabem que um fóssil humano tem exatamente 4,2 milhões de anos? Há pouco mais de 50 anos, não havia a menor chance de determinar isso. Com exceção dos raros objetos que continham referências históricas, não era possível saber se uma coisa tinha, digamos, 5 mil ou 5 milhões de anos.

Os métodos de datação atuais, que revolucionaram a arqueologia, são um monumento à inteligência humana. Eles se baseiam em duas coisas: a observação de alguns fenômenos naturais que têm a regularidade de um cronômetro, como a radioatividade, e a identificação de acontecimentos casuais com capacidade para iniciar tais cronômetros do zero.

Existem vários métodos, cada um com uma série de características próprias que permitem que um certo tipo de objeto seja datado. Eles também se diferenciam pelo alcance temporal. Alguns servem para contar a passagem de algumas centenas de anos. Outros, de bilhões. Aqui estão os mais importantes.

 

Dendrocronologia

Do que se trata: é o método de datação pelos anéis das árvores

Uso: madeira

Alcance: 9 mil anos

Como funciona: o padrão de crescimento das árvores muda com as estações do ano. Quando se corta uma árvore, é possível ver uma seqüência de círculos claros e escuros, correspondendo ao verão e ao inverno – um verdadeiro código de barras. Esse código pode se sobrepor ao de uma árvore mais antiga e assim por diante. Paleontólogos já foram capazes de reunir uma seqüência ininterrupta de 9 mil anos. Aí é só comparar os círculos e contar. Dá para saber quando uma construção foi erguida olhando a madeira que foi usada nela (ou até em que ano cada parte foi feita). Nos trópicos, as árvores não formam anéis bem distintos

 

Carbono-14

Do que se trata: quantificação de elementos químicos instáveis

Uso: papel, madeira, couro, tecido e ossos

Alcance: 60 mil anos

Como funciona: o elemento carbono-14 é raro. Ele é formado quando um nêutron colide com um átomo de nitrogênio-14. O N-14 vira C-14 e passa a integrar moléculas de gás carbônico. Enquanto vivem, plantas e animais absorvem gás carbônico da atmosfera. Quando morrem, os seres deixam de repor C-14 nos corpos. Porém, o C-14 é instável e volta a ser N-14. A queda ocorre a uma taxa constante: metade do C-14 vira N-14 em 5 600 anos; a metade do que sobra, em mais 5 600, e por aí vai. A diferença entre a quantidade de C-14 de um fóssil e a normal serve para calcular há quanto tempo o animal ou planta morreu

 

Potássio-argônio

Do que se trata: átomos transmorfos permitem datar ancestrais humanos

Uso: rochas vulcânicas

Alcance: 100 mil a 4,3 bilhões de anos

Como funciona: devido a reações no núcleo, átomos de potássio-40 viram argônio-40 sempre a uma mesma velocidade. Essa velocidade é conhecida com precisão. Por causa dessa reação, se uma rocha possui P-40, ela terá A-40. Quando um vulcão entra em erupção, todo o A-40 contido na rocha evapora – sobra apenas P-40. A rocha é zerada. Quando ela esfria, volta a produzir A-40. A proporção entre esses átomos numa rocha pode dizer exatamente quando ela se formou. Datando-se as camadas vulcânicas acima e abaixo de um fóssil, é possível determinar quando o dono daqueles ossos morreu

 

 

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