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Jardim do Din-Din

A corrida do ouro

Adriana Küchler

Dinheiro não dá em árvore, mas pepitas de ouro podem brotar no seu jardim, se você tiver paciência para esperar uns 100 mil anos. Esse é o tempo que leva para microorganismos dissolverem o ouro de sua fonte original e condensar o mineral no quintal mais próximo. Segundo Frank Reith, geomicrobiologista da Universidade Nacional Australiana, há muito tempo se pensava que o ouro só era encontrado junto de rochas como o quartzo. Mas o mineral começou a aparecer a quilômetros das jazidas e a despertar a curiosidade de pesquisadores como ele. Reith pegou amostras de três diferentes tipos de solo da Austrália e colocou microorganismos para interagir com a terra. Descobriu que, nas jazidas, bactérias e fungos separam o ouro de outros minerais e fazem com que pequenas quantidades se dissolvam em água. Assim, o ouro pode viajar por lençóis freáticos. Esse ouro pode chegar à superfície se for absorvido pela raiz das plantas. Ou ser atacado novamente por bactérias que vão, dessa vez, formar pepitas. "Estou pesquisando o DNA que encontramos nas pepitas para saber quais organismos atuam", diz Reith. A boa notícia é: "Pepitas de ouro cobertas por fósseis de micróbios foram achadas na Venezuela. É provável que também ocorram no Brasil, em regiões de chuva e altas temperaturas". Agora é correr para o jardim e cavar.

 

1 - Na jazida (acima), microorganismos tornam o ouro solúvel por meio de reações químicas

2 - A solução é levada pela água subterrânea por longas distâncias

3a - Absorvido pelas raízes das plantas, o ouro é liberado na terra quando as folhas caem

3b - Microorganismos condensam o ouro em pepitas. Com a erosão, elas surgem no solo

4 - Nesse ouro, aparecem microfósseis das bactérias

 

 

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