
Não é fácil definir o que é o Second Life. Como um videogame Massive Multiplayer Online (MMO), os jogadores ficam conectados em rede. Existem cenários e e comandos para os personagens. Mas não há nada de inimigos, fases a cumprir ou competições a vencer. O jogador tem seu avatar - uma espécie de perfil do orkut com corpo e rosto - e pode, como no MSN Messenger, bater papo com outros jogadores conectados pela internet. Também dá para fazer compras, ir a shows de bandas de verdade, ter uma profissão, construir casas, tirar fotos ou transar. Do mesmo modo que o político Mark Warner, empresas do mundo real estão montando lojas e réplicas virtuais de seus produtos. Tudo ali é virtualmente possível. "Eu não estou criando um jogo", costuma dizer Philip Rosedale, o pai de Second Life, lançado em 2003. "Estou construindo um país."
Nesse mundo todos são admitidos. Uma conta básica sai de graça e permite ingressar como um personagem 3D. O candidato democrata Warner, por exemplo, falou com os eleitores representado por um personagem parecido com ele, de terno preto e gravata vermelha, como convém a um bom candidato. Logo que os residentes criam uma conta, eles podem escolher a aparência que terão dentro do programa. Dá para mexer em quase tudo, barba, cabelo e bigode. E quem não ficar satisfeito com o resultado pode mudar a qualquer momento.
Os jogadores interagem em locais variados, que replicam o mundo real. Há bares, restaurantes, praias, boates, shows e réplicas de algumas cidades. Amsterdã tem seus canais copiados, além do bairro onde prostituição e drogas são liberadas. Também há ruas de Manhattan e monumentos como a Torre Eiffel. Os habitantes se dividem em todo tipo de profissões e escolhas possíveis: tatuadores, detetives, donos de boates, mães - para engravidar, basta comprar um kit de gravidez por US$ 12. Há regras. Racismo e agressões sexuais são punidos com uma espécie de prisão. Quando viola as regras, o residente recebe uma advertência. Se reincidir, fica preso em um milharal (isso mesmo) sem conexão com o resto do jogo.
Esse mundo não pára de se expandir. O número de residentes cresce a uma taxa de 15% ao mês. A Linden Labs, empresa que criou o jogo, está lançando servidores localizados na Alemanha, Japão e Coréia do Sul - onde quase 100% da população tem banda larga. Em dezembro, o jogo terá um escritório no Brasil, de onde vêm 6 mil novos jogadores por mês. "Para deixar o Second Life mais próximo dos brasileiros, vamos montar ícones do país, como o Pão de Açúcar e o parque do Ibirapuera", diz Maurílio Shintati, representante da Linden Labs no Brasil. "Além de promover shows de artistas brasileiros lá dentro."