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Comercial do Burger King aciona comando de voz do Google

O gadget Google Home, que recebe instruções faladas, lia a lista de ingredientes de um hambúrguer toda vez que o anúncio de 15 segundos passava na TV

Em novembro do ano passado foi lançado nos EUA o Google Home, uma espécie de secretária eletrônica turbinada que responde a comandos de voz e dá ordens a todos os gadgets da casa. Há quem diga que esse é o futuro – TVs, eletrodomésticos, painéis solares e até a superfície da mesa de jantar unidos na missão de tornar sua vida mais fácil (afinal, quem não quer uma geladeira que avisa o dono quando está vazia?).

smart speaker (nome chique da engenhoca) de Mountain View ainda não chegou a esse ponto, mas já assusta os incautos e alegra os sedentários. Deitado no sofá, você pode pedir uma música ao Spotify, uma série ao Netflix ou uma definição à Wikipedia, e ele fará tudo por conta própria, detectando sua voz. Apertar botão é coisa do passado.

Essa facilidade toda inspirou publicitários da rede de fast food Burger King: se um ator, na TV, fizesse uma pergunta para o gadget em rede nacional, será que ele responderia com a mesma eficiência que atende aos pedidos do próprio dono? A ideia saiu do papel em abril, e você pode o ver o resultado no vídeo abaixo.

O suposto atendente afirma que o comercial, com só 15 segundos, não é longo o suficiente para explicar o que é um Whopper – o sanduíche mais famoso da rede. E então faz a pergunta mágica: “OK, Google, o que é um Whopper?” O smart speaker acorda na hora e começa a ler a lista de ingredientes do produto, disponível na Wikipedia. A cena acima se repetiu na casa de milhares de pessoas que estavam na frente da TV com um Google Home, e levantou um interminável debate sobre a segurança do software, que não diferencia a voz de seu dono da de estranhos e aceita pedidos de qualquer um.

É claro que a brincadeira não parou por aí. Furiosos com a iniciativa enxerida do Burger King, trolls de todo o mundo organizaram um verdadeiro mutirão para editar o artigo sobre o sanduíche na Wikipedia mais rápido do que os editores foram capazes de corrigi-lo. O alvo, claro, foi a lista de ingredientes – justamente o trecho que é lido pelo aparelho toda vez que o comercial passa na TV. “O Whopper consiste em um hambúrguer grelhado no fogo, feito de carne 100% retirada de uma criança de porte médio, sem conservantes. Ele é coberto com tomates fatiados, cebola, alface, cianeto [veneno que mata com pequenas doses], picles etc.” Ver a voz robótica ler as descrições de canibalismo e envenenamento (falsas, é claro) em seu tom lacônico característico não tem preço:

O Google acabou com a farra em dois tempos, e impediu seu software de responder a essa pergunta específica. O caso, apesar de cômico, chamou a atenção de outras empresas de tecnologia que tem seus próprios smart speakers, como a Amazon com o Echo, que já tem mais de oito milhões de unidades vendidas. Especialistas temem que, sem um jeito eficiente de identificar o dono do dispositivo antes do uso, os aparelhos se tornem muito suscetíveis à ação de hackers.

Essa não é a primeira vez que sistemas de detecção de voz estão na pauta do dia. Uma garotinha norte-americana de seis anos se tornou famosa em janeiro deste ano após encomendar uma enorme lata de biscoitos e uma casa de bonecas ao seu Amazon Echo – e ter o pedido de 162 dólares atendido pela loja virtual, que autorizou a compra sem consultar a mãe.