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Ouça as duas primeiras músicas criadas por inteligência artificial

"Daddy's Car" e "Mister Shadow" têm inspiração nos Beatles - e quase nenhuma participação humana.

Sabe aquela ideia de que seres humanos jamais serão substituídos por robôs nas atividades criativas e artísticas? Bobagem: a Sony acaba de lançar as duas primeiras músicas criadas quase completamente por um inteligência artificial. É isso aí: filmes como Eu, robôInteligência Artificial e Ela parecem estar se tornando, lentamente, realidade.

Por anos, a Sony tem alimentado um banco de dados com músicas de diferentes ritmos e artistas do mundo todo. Ao todo, são 13 mil canções, a maioria de jazz e pop, embora a gravadora diga que quase todos os estilos musicais estão presentes no banco de dados (a gente duvida que tenha pagodão nesse banco de dados, mas tudo bem).

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Aí, a Sony criou uma inteligência artificial chamada Flow Machines, que consegue analisar as músicas do banco e compreender as melhores interações entre estilo, ritmo e voz. Basicamente, o que esse programa faz é criar uma “colcha de retalhos” musical, usando pequenos pedaços e elementos das canções catalogadas pela gravadora.

Desse jeito, o programa é capaz de escrever melodias sozinho, mas precisa de um empurrãozinho de seres humanos. No caso das duas primeiras canções, Daddy’s Car e Mister Shadow (que você pode ouvir logo aí embaixo), quem fez esse papel foi o compositor Benoît Carré, que só precisou selecionar um estilo musical de base (no caso de Daddy’s Car, por exemplo, foram as canções dos Beatles) e, depois, organizar o material criado pelo robô em uma música só. A letra também não é da inteligência artificial, mas foi criada depois que a melodia já estava pronta.

Os pesquisadores da Sony têm trabalhado em criar um compositor virtual por anos, e em 2014 conseguiram montar alguns tracks bem parecidos com os estilos de músicos famosos, como George Gershwin, Irving Berlin e Tom Jobim,  – tudo isso só mixando músicas que já existem. Mas essa é a primeira vez que uma canção em ritmo pop é criada assim, “do zero”.

Ou seja, ainda não estamos em uma distopia típica de ficção científica: as duas canções não são exatamente revolucionárias do ponto de vista musical, e os seres humanos são indispensáveis no processo – pelo menos por enquanto. Mesmo assim, a Sony pretende lançar um álbum inteiro composto desse jeito – um projeto que, diz a gravadora, deve vir a público em 2017.

Ouça as canções robóticas:

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