O que são espécies de Lázaro?

Espécies de Lázaro são aquelas consideradas extintas pela ciência, mas reencontradas depois. O nome, cunhado em 1983, homenageia o personagem bíblico que ressuscita após quatro dias.

Imagine um paleontólogo que encontra fósseis de um bicho hipotético, datados em cerca de 100 milhões de anos. Se ninguém acha fósseis mais recentes, conclui-se que ele foi extinto ali.

Mas aí alguém encontra um fóssil do mesmo bicho, datado em cerca de 75 milhões de anos. Ou seja: ele estava vivo quando se achava que já tinha sido extinto. Esse é o efeito de Lázaro.

O efeito pode vir de extinções locais e mudanças populacionais, ou de limites da pesquisa: os seres podem estar em locais que os cientistas não acessam facilmente, como o fundo do mar.

Foi o caso do celacanto, peixe de quase 2 metros descrito a partir de um fóssil em 1836. Acreditava-se que ele tinha sido extinto há 66 milhões de anos, junto com os dinossauros.

Em 1938, um celacanto vivo foi pescado na costa da África do Sul. Esses peixes vivem a cerca de 200 a 1000 metros de profundidade e não são facilmente visitados por cientistas.

Virar fóssil exige condições muito específicas. Por isso, o registro fóssil tem falhas que nem sempre indicam extinção, especialmente quando uma espécie tem poucos indivíduos.