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Alexandre Versignassi Por Alexandre Versignassi Blog do diretor de redação da SUPER e autor do livro "Crash - Uma Breve História da Economia", finalista do Prêmio Jabuti.

Ele quer ser o novo FHC, mas falta combinar com os eleitores

Henrique Meirelles operou uma façanha na economia, mas isso não basta para que ele seja um candidato viável em 2018.

Por Alexandre Versignassi 7 dez 2017, 14h04

Henrique Meirelles só aceitou ser o Ministro da Fazenda de Temer para poder se candidatar à presidência. Assumiu com uma inflação anual de 10,67%, a maior desde 2002, e vai fechar 2017 com 3%. Pegou um PIB que só caía todo santo trimestre desde junho de 2014, e que vai fechar um ano no azul pela primeira vez desde lá. Além disso, conseguiu baixar os juros para o menor patamar da história sem que isso pressionasse a inflação para cima – pegou em 14,25%; estamos em 7%.

Não é a primeira vez que Henrique Meirelles entrega um bom serviço. Como presidente do Banco Central nos dois governos Lula, ele deixou a cama da macroeconomia arrumada para que o país vivesse sua maior bonança econômica em décadas.
Tudo isso, na cabeça de Meirelles, faria com que ele se tornasse um candidato tão viável quanto Fernando Henrique Cardoso foi em 1994, quando saiu da Fazenda direto para a presidência.

Só tem uma diferença. Fernando Henrique era um político profissional. Ainda em 1978 foi eleito para o senado depois de uma campanha que o vendia como futuro artífice da redemocratização, com o apoio de jovens extremamente populares, como o sindicalista de 32 anos que os telejornais da época chamavam de “Luís Inácio da Silva, o Lula”. Chico Buarque compôs seu jingle. Em 1985, Fernando Henrique faria uma campanha monstruosa para prefeito de SP. De novo embalado por Chico Buarque, que adaptou “Vai Passar” para FHC (“Vai ganhar/Fernando Henrique o voto popular…”):

O futuro presidente perdeu para Jânio Quadros na última curva, mas deixou seu nome na cabeça de uns bons milhões de eleitores.

Fernando Henrique, enfim, já era bem conhecido antes do Plano Real. E foi habilidoso ao puxar todos os méritos para si. Com Meirelles é diferente. O mérito pela bonança entre 2002 e 2010 ficou todo com Lula. E o mérito pela recuperação macroeconômica de agora não ficou com ninguém – o Ministro da Fazenda segue anônimo, e claro: na mentalidade popular, se vc é parte do governo Temer, como Meirelles é, vc está errado. Ponto.

Meirelles tem poucos meses para reverter essa situação e se apresentar como um candidato viável. A história, no entanto, mostra que essa é uma tarefa dura, senão impossível.

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