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Alexandre Versignassi Blog do diretor de redação da SUPER e autor do livro "Crash - Uma Breve História da Economia", finalista do Prêmio Jabuti.

Há 80 anos, já havia fake news conspiratórias contra movimentos antifascistas

O ultra-nacionalista Plínio Salgado dizia, em 1937, que campanhas contra o fascismo e pela democracia eram um complô orquestrado pela União Soviética

Por Alexandre Versignassi - Atualizado em 11 jun 2020, 16h14 - Publicado em 11 jun 2020, 16h11

“Dimitrov determinou que não se falasse mais a palavra comunismo. Determinou que se organizassem frentes populares de ‘combate ao fascismo’; que todo movimento nacionalista e anti-comunista fosse apontado como ‘fascismo’. Determinou que desenvolva-se a campanha pela ‘democracia’.”

As aspas são de Plínio Salgado, líder da Ação Integralista Brasileira, o maior movimento fascista que o Brasil teve. Elas estão publicadas na edição de 8 de agosto de 1937 do antigo jornal A Razão, de Fortaleza – e foram ditas originalmente numa transmissão de rádio, no Rio. Este é o fac-símile, que faz parte do acervo da Biblioteca Nacional:

Biblioteca Nacional/Reprodução

Plínio diz ali que teve acesso a uma nova diretriz da URSS – o “Dimitrov” ali é Georgi Dimitrov, então presidente da Bulgária e secretário-geral da Internacional Socialista. E quem resume a tal determinação é o próprio Plínio, um pouco mais adiante:    

“O fato é que se articulou com grande eficiência em todos os países a revolução bolchevista sob a mascara hipócrita da ‘luta pela democracia'”.

Fake news, claro. Desnecessário dizer que os movimentos antifascistas e pró-democracia dos anos 1930 foram uma criação da União Soviética. 

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Plínio Salgado tentava passar ideia de que aqueles que chamavam seu movimento ultra-nacionalista de “fascismo” eram agentes a serviço da URSS – por mais que sua Ação Integralista fosse um xerox do regime reinante na Itália e na Alemanha da época. Plínio Salgado almejava ser o nosso Mussolini. 

Tudo isso há mais de 80 anos. A história só não se repete para quem desconhece a história.

Seja lá atrás, seja agora, “antifascismo” significa só “antifascismo” mesmo. E quem faz campanha por democracia deseja simplesmente democracia – ou seja, equilíbrio entre os poderes, soberania da Constituição e a noção de que Estado é algo maior do que o “governo”; de que governos vão, e instituições democráticas ficam. 

Outro ponto que nunca muda: quem vê grandes conspirações por trás de quem pede pela manutenção da democracia e rejeita arroubos totalitários não costuma estar do lado mais lado mais democrático da história.

 

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