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Alexandre Versignassi Blog do diretor de redação da SUPER e autor do livro "Crash - Uma Breve História da Economia", finalista do Prêmio Jabuti.

Um Marighella para chamar de seu

Wagner Moura define o guerrilheiro como um "líder social". O perfil real de Marighella, porém, está mais para o de um miliciano fissurado por armas.

Por Alexandre Versignassi - Atualizado em 18 fev 2019, 15h03 - Publicado em 18 fev 2019, 15h01

Do Manual do Guerrilheiro Urbano, que Carlos Marighella escreveu em 1969; página 57:

“O presente governo impõe pesadas cargas financeiras à população na forma de impostos. É responsabilidade do guerrilheiro urbano, então, atacar o sistema de pagamento de impostos.”

“O guerrilheiro urbano luta não somente por transtornar o sistema de coleta de impostos; o braço da violência revolucionária também tem que estar dirigido contra os órgãos do governo que levantam os preços e aqueles que os dirigem.”

Taí. Wagner Moura descreve Marighella como um “líder social negro”, uma Marielle Franco dos anos 60. Beleza, então. Quem quiser fazer um filme dizendo que Marighella foi um mártir do liberalismo, morto por um regime estatista, pode fazer também. Dane-se. História não é algo que se aprende vendo filme de ação.

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No meu filme de ação, Marighella seria basicamente um miliciano fissurado por armas que matava por prazer. Um político linha-dura que, se assumisse o poder, comandaria uma polícia tão ou mais assassina que a da ditadura militar, eliminando qualquer foco de “subversão” em seu regime, seja essa subversão real ou imaginária.

Como diz o Manual do Guerrilheiro:

“A grande desvantagem do policial montado é que se apresenta ao guerrilheiro urbano como dois alvos excelentes: o cavalo e seu cavaleiro. (…) Podemos derrubá-lo com metralhadora, revólver ou com coquetéis Molotov e granadas.”

“A arma básica do guerrilheiro urbano é a metralhadora leve. A metralhadora ideal é a INA calibre .45. Cada grupo de tiro das guerrilhas urbanas tem que ter uma metralhadora. Os outros componentes têm que estar armados com revólveres calibre .38, nossa arma ‘padrão’. O calibre .32 também é útil para aqueles que querem participar. Mas o .38 é preferível já que seu impacto usualmente põe o inimigo fora de ação. As armas de carregador longo são mais difíceis de transportar para o guerrilheiro urbano já que atraem muita atenção devido ao seu tamanho. Entre as armas de carregador longo estão a FAL, as armas e rifles Mauser e as armas de caça tais como a Winchester. Espingardas de cano curto podem ser úteis se usadas a pequenas distâncias. São úteis até para pessoas com má pontaria”.

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“Qualquer grupo de fogo pode decidir em assaltar um banco, sequestrar ou executar um agente da ditadura, uma figura identificada com a reação, ou um espião norte-americano (…) sem a necessidade de consultar o comando geral. Nenhum grupo de fogo pode permanecer inativo esperando ordens de cima. Sua obrigação é de atuar”.

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