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Banco dinamarquês lança o primeiro empréstimo com juros negativos

Quem tomar dinheiro no Jyske Bank, o terceiro maior do país, terá de devolver menos do que pegou; entenda a lógica por trás do negócio aparentemente absurdo  

Os bancos ganham dinheiro de muitas formas, mas a principal é sempre a mesma: juros. Você pega dinheiro emprestado e, ao devolvê-lo, paga um pouco (no Brasil, um montão) a mais. É assim desde tempos imemoriais – até a Bíblia se manifesta acerca do tema. Mas, agora, um banco dinamarquês pretende inverter essa lógica, e emprestar dinheiro a juros negativos. O Jyske Bank, terceiro maior do país, começou a oferecer dinheiro cobrando juros de -0,5% ao ano. Ou seja: a cada ano que a pessoa fica com o dinheiro, seu saldo devedor se torna 0,5% menor. 

O empréstimo tem duas regras: possui duração máxima de 10 anos, e se destina exclusivamente à compra da casa própria. Se a pessoa comprar um apartamento de 300 mil euros, por exemplo (a Dinamarca usa sua própria moeda, a coroa, mas vamos usar o euro para simplificar a conta), e for pagando as prestações mensais, ao final do financiamento ela terá quitado o imóvel – por 285 mil euros, ou seja, menos dinheiro do que pegou emprestado no início. Como é possível?  

À primeira vista, a coisa pode parecer um loss leader: produto ou serviço que uma empresa oferece com prejuízo, almejando conquistar consumidores fiéis (e então um dia, quem sabe, lucrar com eles). Mas não é isso. O Jyske Bank oferece empréstimo a juros negativos porque, na prática, ele também pega o dinheiro a juros negativos. Atualmente, o Banco Central da Dinamarca oferece empréstimos a -0,65% anuais para os bancos. Na prática, o Jyske vai até ganhar um dinheirinho (com a diferença entre essa taxa, ainda mais negativa, e a que repassa a seus clientes). A novidade é que os juros negativos, até então só disponíveis para os bancos, também estarão ao alcance das pessoas comuns.

Você deve estar se perguntando: por que a Dinamarca tem juros negativos? É uma tentativa de estimular a economia, e também se aplica aos depósitos: se você deixar dinheiro parado, os bancos comerciais tomam um pedacinho dele, na forma de juros negativos, a cada ano. O Jyske Bank, por exemplo, vai descontar 0,6% por ano da conta corrente de quem tiver mais de 7,5 milhões de coroas (equivalente a 1 milhão de euros).  

A lógica disso é fácil de entender. Se a pessoa vai perder dinheiro ao deixá-lo parado no banco, então é melhor gastar ou investir em algum negócio – o que, em tese, ajuda a movimentar a economia. A medida não se restringe à Dinamarca. Desde 2014 o Banco Central Europeu (ECB) trabalha com juros negativos, que a partir de 2016 também foram adotados pelo governo japonês (cujos títulos estão pagando -0,18% ao ano)

Juros altos demais são terríveis para a economia, claro; mas seu extremo oposto, o juro negativo, também não é a bonança que aparenta. Costuma ser um sintoma de coisas bem ruins: país com crescimento fraco, estagnado, ou em recessão.  

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