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Bruno Garattoni Por Bruno Garattoni Vencedor de 13 prêmios de Jornalismo. Editor da SUPER.

Google cria tecnologia para acelerar a internet no celular; veja como vai funcionar

Por Bruno Garattoni Atualizado em 21 dez 2016, 09h42 - Publicado em 7 out 2015, 12h20

Ela se chama Accelerated Mobile Pages (AMP), e promete acelerar a navegação em celulares e tablets – que já representam grande parte do tráfego dos sites, mas costumam ter uma experiência de navegação pouco satisfatória. Quando você está dentro do Facebook, ou de algum aplicativo, provavelmente evita clicar nos links para páginas externas – porque sabe que eles vão demorar um tempão para carregar. “Quando o usuário clica num link, pode demorar 30 segundos para carregar o conteúdo”, diz David Besbris, vice-presidente de engenharia de buscas do Google. Isso acontece porque, além da página em si, o navegador também descarrega uma grande quantidade de elementos ocultos, como scripts de publicidade e de monitoramento de audiência. Você não vê, mas as páginas costumam ter dezenas de scripts, que vêm de vários servidores diferentes. E isso faz uma diferença enorme. Um texto de 1.700 palavras, que na Wikipedia teria parcos 170 Kb, chega a alcançar dez vezes mais num site de notícias típico. Ou seja, as páginas ficam pesadas e lentas – o que consome rapidamente a franquia de dados do celular.

A tecnologia AMP, que foi apresentada oficialmente hoje pelo Google, é uma tentativa de mudar isso. Ao anunciá-la, a empresa divulgou uma extensa lista de parceiros: BBC, The New York Times, Washington Post, The Wall Street Journal, BuzzFeed, Huffington Post, The Economist e The Guardian, entre outros, irão utilizar a nova tecnologia. No Brasil, a SUPER estará entre as primeiras publicações a adotar a nova tecnologia, junto a outros títulos da Editora Abril. Segundo o Google, o sistema também será adotado por Editora Globo, UOL e Folha de S. Paulo.

O usuário final não precisa fazer nada, basta continuar navegando normalmente – com a diferença de que as páginas dos sites abrirão mais rápido no celular. O ganho de velocidade é obtido de duas formas. Primeiro, na programação das páginas – que passam a usar a linguagem “AMP HTML”, criada pelo Google. Essa conversão é feita automaticamente, pela própria ferramenta de publicação (o WordPress, por exemplo, terá uma atualização para a nova tecnologia), e resulta em páginas com menos scripts e elementos ocultos. “O conteúdo volta a ser apenas conteúdo. Não megabytes de scripts”, explica Besbris. As regras e as características dessa mudança serão mais bem conhecidas hoje, quando o Google publicará as especificações da AMP HTML – que será liberada em código aberto.

O outro elemento é o cache: o Google irá armazenar, automaticamente, cópias das páginas AMP. Dessa forma, ao acessar um site que usa AMP, você poderá receber a página diretamente do Google, que têm mais servidores e pode entregá-la mais rápido. O uso desse cache é gratuito, ilimitado – e opcional. É uma solução diferente daquelas propostas pela Apple e pelo Facebook – que também procuraram enfrentar, recentemente, a lentidão da internet móvel. O primeiro passo nesse sentido foi o sistema Facebook Instant Articles, lançado em maio. Ele teve a adesão de grandes sites, com alguma cautela (apenas o Washington Post -que desde 2013 pertence a Jeff Bezos, dono da Amazon- aceitou colocar todo o seu conteúdo), e permite ler matérias inteiras dentro do próprio Facebook, sem clicar em links externos.

A solução proposta pela Apple veio com o lançamento do iOS 9, em setembro. Ele permite, pela primeira vez, que o usuário baixe e instale ad blockers (apps bloqueadores de anúncios). Isso acelera a navegação na internet, mas cria um problema para os sites – que se veem privados de sua principal, e geralmente única, fonte de receita. A resposta para essa questão foi a criação do aplicativo Apple News, também parte do iOS 9 (por enquanto, apenas em inglês). As empresas jornalísticas podem publicar seu conteúdo diretamente nesse app, que não está sujeito ao bloqueio de anúncios e em tese oferece uma melhor experiência de leitura ao usuário. Mas, como acontece no caso do Facebook Instant Articles, a Apple passa a ter poder sobre o conteúdo (podendo decidir se uma reportagem será ou não manchete do Apple News, por exemplo). O sistema proposto pelo Google é diferente, uma vez que não altera as relações entre os sites e seus leitores – que continuam acessando o conteúdo da mesma forma, mas com um ganho de velocidade.

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