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Google TV vai funcionar no Brasil. Mas não como você pensa.


Como vcs já devem saber (e como a gente tinha antecipado em março), o Google decidiu entrar no mundo da televisão. No finzinho da semana passada, anunciou oficialmente a criação do Google TV – uma plataforma de tv digital que está sendo desenvolvida junto com Sony, Intel e Logitech, e deve chegar ao mercado nos próximos meses. Se você quiser o Google TV, terá duas opções: ou compra uma televisão da Sony, que virá com o sistema embutido, ou compra um aparelho de US$ 150 da Logitech, que se conecta ao seu televisor atual.

E pra que serve o Google TV? O que oferece? Basicamente, vídeo pela internet. É uma maneira mais conveniente de assistir aos serviços de vídeo online, como Hulu, Netflix (que já roda no Xbox 360 e no PS3) e os próprios sites da emissoras de TV – que, cada vez mais, oferecem sua programação online. E o Google TV também conversa com o decodificador da sua TV a cabo. Ou seja: ele junta, numa só lista, todos os canais da internet e da TV paga.

É bem legal mesmo (e isso sem falar em outras coisas incríveis, como tv social e interatividade, sobre os quais você lerá na próxima SUPER). O único problema é que, no Brasil, o Google TV não será 100%. Por dois motivos:

1. Os serviços de streaming não vão funcionar. Praticamente todos os serviços de vídeo pela internet são restritos a quem mora nos EUA. Se você tentar acessar o Hulu, o Netflix ou o BBC iPlayer, para citar apenas três exemplos, não vai conseguir – uma mensagem dirá que o vídeo “não está disponível” para a sua área. Já tentou comprar séries de TV no iTunes? Até dá, mas você tem que enganar o sistema (é preciso usar um gift card e fingir que mora nos EUA).

Isso acontece porque as emissoras gringas não querem que você acesse o conteúdo delas. Preferem vender seus programas e séries para as emissoras locais -abertas e por assinatura. Mesmo nos casos em que é possível acessar o conteúdo (usando um proxy, por exemplo), existe um problema central: os vídeos por streaming não têm legendas. Então, a menos que você seja fluente em inglês, terá problemas.

2. A TV a cabo também não. Para ver TV paga, você usa um decodificador. Isso acontece porque, para evitar a pirataria, os canais a cabo são codificados – e só o decoder da própria operadora consegue desembaralhá-los. A única maneira de fazer o Google TV reconhecer os canais da TV a cabo é por meio de um adaptador chamado IR blaster – que transmite comandos para o decoder da tv paga. É barato: custa menos de US$ 10.

O problema é que, como cada operadora usa seu próprio aparelho, não existe um padrão comum (até existe, e se chama Tru2Way – mas só nos EUA, e nem por lá pegou. Qualquer dia falamos sobre isso). Então, o Google teria de desenvolver centenas de versões do IR blaster, uma para cada modelo de decoder usado pelas as operadoras de tv paga de todo o mundo. Não é impossível, mas é difícil. E considerando que o Brasil não é prioridade, pode demorar muito. Se as operadoras brasileiras quiserem, podem tentar fazer isso por conta própria (é só escrever um aplicativo de Android). Mas tenho dúvidas quanto a isso.

3. E agora? Com todas essas limitações, para que o Google TV vai servir no Brasil? Inicialmente, pra duas coisas: navegar na internet pela TV (bacana, mas dispensável) e ver vídeos baixados do BitTorrent (coisa que você já pode fazer, hoje, com um DVD player de R$ 200). É pouco.

Então podemos desistir do Google TV? Não. Lembra-se de quando as gravadoras não queriam vender música pela internet, e a Apple conseguiu convencê-las a isso? Se existe uma empresa capaz de mudar o mercado de TV, forçá-lo a abrir seu conteúdo e rever práticas antigas (como vender programação em pacotes de canais), é o Google. E está na hora mesmo. Do contrário, a popularização dos downloads ilegais fará na indústria de TV o mesmo que provocou na indústria fonográfica – um enorme estrago. E não vai demorar.

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