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Bruno Garattoni Vencedor de 12 prêmios de Jornalismo. Editor da SUPER.

O dólar está alto. Mas já esteve muito mais

Por Bruno Garattoni - Atualizado em 28 nov 2019, 15h14 - Publicado em 27 nov 2019, 15h30

R$ 7,60. Esse é o maior valor que a moeda americana já alcançou no Brasil. Veja quando – e por que – isso aconteceu.

A forte alta do dólar, que disparou nos últimos dias e alcançou o valor de R$ 4,27, o maior já registrado, tem dominado as atenções do mercado financeiro – e preocupado quem pretende viajar ao exterior. Também é provável que, daqui a alguns meses, esse movimento gere pressão inflacionária (já que o Brasil importa insumos centrais da economia, como diesel e trigo). Mas o que nem todo mundo sabe é que, em valores reais, o dólar já esteve muito mais alto. E bota alto nisso. 

No segundo semestre de 2002, as turbulências do processo pré-eleitoral fizeram a moeda americana chegar a R$ 3,95 – um valor que, corrigido pela inflação acumulada de lá para cá, equivale a R$ 10,81. Porém, isso não leva em conta a inflação do dólar. A moeda americana também perdeu valor nesses últimos 17 anos. Se você descontar a inflação dos EUA, a cotação corrigida seria de R$ 7,60.  

Hoje é até difícil imaginar o impacto econômico de um dólar nessa altura, mas aconteceu. O temor de investidores estrangeiros com o prognóstico da corrida presidencial (provável vitória de Luis Inácio Lula da Silva) provocou intensa fuga de capital, e consequente alta da moeda americana por aqui. Fernando Henrique Cardoso estava terminando seu segundo mandato, e as reservas internacionais -os dólares que ficam guardados no Banco Central, e são usados para cobrir eventuais déficits na balança comercial- estavam em parcos US$ 32 bilhões. Naquele ano, o governo teve de pedir US$ 30 bilhões emprestados ao Fundo Monetário Internacional.

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Após a eleição, o temor dos investidores não se concretizou: o governo Lula não implantou medidas restringindo a entrada e a saída de capital financeiro, cujo fluxo foi se normalizando. Em 2005, o Brasil pagou o empréstimo do FMI. Ao longo dos anos seguintes, a alta nos preços das commodities que o Brasil exporta (especialmente o petróleo e o minério de ferro) permitiu que o País fosse acumulando grande quantidade de reservas internacionais, que ascenderam a um patamar totalmente diferente: hoje, elas são de US$ 367,7 bilhões. 

É um valor mais do que suficiente para combater ondas especulativas e cobrir eventuais desequilíbrios na balança comercial (ou na balança de transações correntes, que é a balança comercial mais as remessas de lucros das empresas multinacionais para suas matrizes). Nos últimos 12 meses, nossa balança de transações correntes ficou negativa em US$ 54,8 bilhões. As reservas internacionais têm volume suficiente para cobrir isso por um certo tempo. Mesmo assim, vale notar que elas vêm tendo uma redução significativa: em junho, eram de US$ 390,5 bilhões. 

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