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Bruno Garattoni Por Bruno Garattoni Vencedor de 13 prêmios de Jornalismo. Editor da SUPER.

Se o Butantan já faz a Coronavac, por que irá produzir a Butanvac?

Por Bruno Garattoni Atualizado em 28 abr 2021, 18h05 - Publicado em 28 abr 2021, 18h04

Nova vacina usa uma tecnologia que o instituto já domina, e por isso produção 100% nacional pode começar antes; entenda diferenças entre os dois imunizantes 

O Butantan anunciou que está começando, hoje (28), a produção da Butanvac: uma nova vacina contra o coronavírus, que foi desenvolvida pelo instituto em parceria com o hospital Mount Sinai, um dos mais importantes dos EUA. A Anvisa ainda não liberou o início dos testes clínicos da Butanvac. Se passar nos testes e tiver o uso emergencial autorizado, ela poderá ser produzida em larga escala já a partir de junho – com 18 milhões de doses, segundo o Butantan, prontas até a metade do mês.   

Essa é a principal diferença da Butanvac em relação à Coronavac, que o instituto já produz. A Coronavac é uma vacina de vírus inativado. Esse é seu principal componente, ou ingrediente farmacêutico ativo (IFA). O problema e que ele é importado da Sinovac, na China. O Brasil fica dependente das remessas de IFA, o que desacelera o ritmo de produção e aplicação da vacina no País. O Butantan pretende produzir também o IFA, e está construindo uma fábrica para isso, mas ela só começará a operar em 2022. 

A Butanvac é diferente. Assim como as vacinas de Oxford/AstraZeneca e da Johnson & Johnson, ela usa a tecnologia de vetor viral, ou seja, contém um vírus inofensivo – que é modificado em laboratório e carrega instruções genéticas para ensinar o corpo humano a fabricar a proteína spike (com isso, a pessoa vacinada desenvolve imunidade ao Sars-CoV-2).  

O vetor viral utilizado pela Butanvac é o vírus da Doença de Newcastle, que não acomete seres humanos – mas afeta aves. Esse é o ponto central. Como esse vírus infecta aves, pode ser fabricado inoculando ovos: um processo que o Butantan já domina, e é usado para fazer a vacina da gripe comum. O vírus é injetado nos ovos, se multiplica dentro deles e então é extraído para fazer a vacina.

É por isso que a Butanvac (caso ela se mostre segura e eficaz nos testes clínicos) poderá ser produzida mais rápido que a Coronavac, que é feita em bio-reatores – grandes tanques cheios de células, nutrientes e, no caso da vacina, vírus.  Segundo o Butantan, os dois projetos correrão paralelamente; um não substitui o outro.

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