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Bruno Garattoni Por Bruno Garattoni Vencedor de 13 prêmios de Jornalismo. Editor da SUPER.

Variante Delta consegue driblar a primeira dose das vacinas, mostra estudo

Por Bruno Garattoni Atualizado em 13 jul 2021, 18h56 - Publicado em 13 jul 2021, 17h20

Pfizer e AstraZeneca oferecem alta proteção contra a nova variante, mas somente após a segunda dose; exames revelam que carga viral em infectados pela Delta chega a ser 1.260 vezes maior do que com a cepa original, de Wuhan

A variante Delta do coronavírus foi descoberta na Índia e já chegou a mais de 90 países, onde caminha rapidamente para se tornar dominante. No Reino Unido, ela já responde por mais de 90% dos novos casos de Covid. Em Israel, 99%. Nos EUA são 51%, com forte ascensão (em alguns Estados, mais de 80% dos casos já são Delta). Isso acontece porque a nova variante é extremamente contagiosa: ela é 40% a 60% mais transmissível do que a variante Alfa (inglesa) – que, por sua vez, já era 50% mais contagiosa que a cepa original, de Wuhan. 

Dois estudos publicados nos últimos dias revelaram, pela primeira vez, como ela faz isso. Cientistas do Instituto Pasteur, na França, testaram a variante Delta contra anticorpos coletados de 56 pessoas, que haviam recebido as vacinas da Pfizer ou da AstraZeneca. Os anticorpos foram testados em dois momentos: 3 a 10 semanas após a primeira dose de uma dessas vacinas, e 4 a 5 semanas após a segunda dose. Os resultados não poderiam ser mais claros. 

Após a primeira dose da vacina Pfizer, apenas 13% das pessoas produziram anticorpos capazes de neutralizar a variante Delta. Com a AstraZeneca, apenas 9%. Mas, após a segunda dose, esse cenário mudou drasticamente: 94% dos vacinados com Pfizer, e 95% dos que haviam recebido AstraZeneca, geraram anticorpos em quantidade suficiente para neutralizar o vírus. 

Isso demonstra, mais uma vez, que as vacinas protegem contra a variante Delta – mas só após a aplicação completa, com ambas as doses. A relativa indiferença do vírus à primeira dose da vacina ajuda a explicar porque ele se espalha tão rapidamente mesmo em países em que a maioria da população já foi parcialmente imunizada, como EUA e Reino Unido. 

A segunda dose das vacinas oferece altíssima proteção contra Covid-19 sintomática e grave, mas não impede que as pessoas peguem o vírus. A variante Delta reduz bastante a “eficácia global” das vacinas Pfizer e AstraZeneca, que cai para 64% e 60%, respectivamente (não há dados sobre as outras, mas é provável que aconteça a mesma coisa). Isso significa que, de cada dez pessoas vacinadas, quatro ainda poderão contrair o vírus – a diferença, crucial, é que elas não irão adoecer. Terão apenas sintomas leves, ou nenhum sintoma.

Mas a capacidade da variante Delta continuar se propagando, mesmo sem causar uma explosão no número de mortes, é relevante – pois significa que o vírus continuará se replicando e sofrendo mutações, que podem dar origem a outras variantes. O maior problema, como explicamos aqui, é o que pode vir depois da Delta. Por isso, é essencial entender como e por que ela se espalha tanto. 

Um estudo feito pela Academia de Ciências Médicas da China, em parceria com a Universidade de Oxford, dá outra pista disso. Os pesquisadores mediram a carga viral (quantidade de vírus presente no organismo) de 62 pessoas infectadas pela variante Delta – e constataram que ela era, em média, 1.260 vezes mais alta do que em infectados pela variante original, de Wuhan. 

É uma diferença enorme, e que está diretamente ligada à transmissibilidade do vírus: quanto maior a carga viral presente em um indivíduo, especialmente nas vias aéreas superiores, maior o risco de ele infectar outras pessoas

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