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Como as Pessoas Funcionam Por Blog Estudos científicos e reflexões filosóficas para ajudar você a entender um pouco melhor os outros e a si mesmo. Por Ana Prado

Aceitar um trabalho inferior à sua qualificação pode ser ruim para sua carreira, diz estudo

Por Ana Carolina Prado Atualizado em 21 dez 2016, 08h49 - Publicado em 16 nov 2016, 10h23
(Imagem: iStock)
(Imagem: iStock)

Em tempos de crise, pode não haver muitas opções de trabalho e o importante é pagar as contas. Mas um estudo divulgado em março pela Universidade do Texas em Austin descobriu algo que, quando possível, vale ser levado em conta: aceitar um emprego abaixo de seu nível de qualificação pode prejudicá-lo ao se candidatar a um trabalho futuro. Os pesquisadores descobriram que isso faz com que os empregadores vejam você como menos comprometido e competente do que eles desejariam. Ah, o mundo corporativo…

Para analisar a questão, os pesquisadores enviaram 2.420 aplicações fictícias para 1.210 vagas reais de emprego em cinco cidades dos Estados Unidos (vale ressaltar: a pesquisa diz respeito à realidade dos EUA) e acompanharam as respostas dos empregadores a cada aplicação.

Os candidatos fictícios tinham todos o mesmo currículo, que incluía seis anos de experiência profissional anterior. Mas dois fatores variavam: o sexo e a situação de emprego dos candidatos durante o ano anterior. Parte dos currículos continha uma ocupação em tempo integral, outros tinham um trabalho de tempo parcial, um trabalho temporário, um emprego abaixo do nível de habilidade do candidato ou desemprego.

Considerando todas essas variáveis, dois resultados se destacaram:

– Apenas cerca de 5% dos homens e mulheres que tiveram um emprego abaixo do seu nível de habilidade recebeu um retorno positivo do empregador. Isso representa metade da taxa de retorno para os trabalhadores em empregos de tempo integral em seu nível de qualificação.

– Empregos temporários também se mostraram um fator negativo para a percepção do mercado, mas apenas para indivíduos do sexo masculino. Menos de 5% dos homens que trabalharam em tempo parcial no ano anterior receberam um retorno positivo. Para as mulheres, no entanto, não houve qualquer influência negativa considerável. Ter um emprego temporário no currículo também não pareceu ter efeito nem para homens, nem para mulheres.

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“Embora milhões de trabalhadores estejam empregados em cargos de meio período, por meio de agências temporárias e em empregos abaixo de seu nível de habilidade, pouca atenção tem sido dada a como esses tipos de situações influenciam os resultados futuros de contratação dos trabalhadores”, diz o sociólogo David Pedulla, autor do estudo.

O que os empregadores dizem

Pedulla quis então entender por que dadas situações prejudicavam as chances das pessoas em um emprego futuro. Para isso, buscou informações diretamente com 903 pessoas que tomavam as decisões de contratação nos Estados Unidos. Usando perfis de trabalhadores semelhantes aos do primeiro estudo, ele questionou essas pessoas sobre suas percepções a respeito de cada candidato e seu histórico de trabalho, bem como sobre a probabilidade de recomendarem esses candidatos para serem entrevistados.

Ele descobriu que os homens em cargos de tempo parcial foram penalizados, em parte, por parecerem menos comprometidos com o trabalho. E os homens que aceitaram trabalhos abaixo de seu nível de habilidade foram penalizados por parecerem não apenas menos comprometidos, mas também menos competentes. Já as mulheres nessa mesma situação foram penalizadas por parecerem menos competentes, mas não menos comprometidas.

Pelo visto, o mercado considera mais aceitável para uma mulher do que para um homem estar em um emprego inferior à sua qualificação. O porquê disso ainda não está claro. “Os homens que ocupam cargos de tempo parcial, assim como homens e mulheres que estão em cargos inferiores ao seu nível de habilidade, enfrentam desafios reais no mercado de trabalho – desafios que merecem uma discussão mais ampla e atenção adicional”, disse Pedulla.

Via Futurity.org e Universidade do Texas em Austin.

 

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