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Como as Pessoas Funcionam Por Blog Estudos científicos e reflexões filosóficas para ajudar você a entender um pouco melhor os outros e a si mesmo. Por Ana Prado

Reclamar sobre o trabalho com seus colegas pode melhorar o ambiente

Por Ana Prado - Atualizado em 24 Maio 2018, 18h19 - Publicado em 24 Maio 2018, 15h32

Quando a gente não está feliz, ficar reclamando pode até fazer tudo piorar – afinal, você está colocando as coisas ruins no centro das atenções. Mas isso nem sempre é verdade quando se trata de trabalho.

Uma pesquisa publicada recentemente no periódico Organization Studies descobriu que reclamar sobre o trabalho – durante o expediente – pode ajudar a construir relações mais próximas entre os membros da equipe e melhorar o humor de todo mundo.

Os voluntários analisados vinham de um ambiente nada fácil: eram enfermeiros, médicos e assistentes sociais do setor de oncologia e de pacientes terminais em um hospital dos Estados Unidos. Eles tinham que lidar com pressões vindas de todos os lados, incluindo pacientes e seus familiares, chefes que cobravam por mais produtividade e a própria estrutura organizacional.

Havia um descontentamento, por exemplo, sobre como o hospital tratava os pacientes: eles se sentiam frustrados por sentir que a organização não estava acompanhando certos progressos na área da saúde, como a tendência a tratar os pacientes enquanto pessoas inteiras, sem dar atenção excessiva a certas especialidades da medicina em prejuízo de outras.

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“Eles então usavam a reclamação e o humor para desafiar as estruturas existentes ”, explica a autora do estudo, Vanessa Pouthier, da Faculdade de Economia e Negócios da Universidade de Melbourne.

Como reclamar ajudou – e as regras a serem seguidas

Ao acompanhar a forma como aquelas pessoas se queixavam do trabalho em suas reuniões diárias de planejamento, o estudo detectou efeitos positivos.

O primeiro deles foi a formação de mais laços com colegas, incluindo aqueles de diferentes formações. “Uma das melhores coisas da equipe que observei foi que esses rituais de queixas ajudavam médicos e enfermeiros a perceberem que estavam se sentindo da mesma maneira em relação às situações [que enfrentavam todos os dias], e não eram tão diferentes”, diz Pouthier. Segundo ela, esses laços ajudaram a equipe a enfrentar os sentimentos negativos unida – e a superá-los.

Mas isso tudo não quer dizer que é só chegar ao trabalho e ficar reclamando. Existem algumas regras importantes que devem ser seguidas.

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Para começar, a reclamação precisa ser sobre algo que também incomode as outras pessoas com quem você irá falar, justamente para criar essa empatia. Não adianta falar sobre algo muito pessoal, por exemplo. Além disso, só vale reclamar de quem não faz parte da equipe – afinal, você não quer piorar as coisas criando um clima de inimizade, certo?

Por fim, é importante ter senso de humor. “Reunir-se para brincar sobre os problemas pode ajudar as equipes a trabalhar com eles e ainda gerar emoções positivas no processo. Isto é importante não só para a ligação entre as pessoas, mas também sob uma perspectiva cognitiva: emoções positivas ajudam a manter-se mais aberto”, explica a autora.

Essa abertura à troca é ainda mais vantajosa em equipes multidisciplinares como a de hospitais, com pessoas de diferentes formações. “Todos nós fomos socializados para pensar sobre o mundo de uma maneira particular”, diz Pouthier. “Então você tem interesses e valores profissionais diferentes, além de objetivos e perspectivas diferentes. E como a maioria dos problemas é complexa e exige um confronto de perspectivas, queremos essa variedade de perspectivas. Mas, para que isso funcione, todos precisam manter a mente aberta”.

O estudo também sugere que o humor pode servir a uma função política, ajudando a mobilizar as pessoas e a transformar suas perspectivas. “Vocês podem começar rindo juntos de uma situação política, como a estrutura da organização, e isso pode criar um lugar seguro para que conversas desafiadoras aconteçam”, diz ela. A partir daí, pode até sair alguma solução – ou, pelo menos, algo que melhore a situação.

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(Via Futurity.org e Universidade de Melbourne)

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