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Cachorros-robôs japoneses mortos ganham funeral budista

Por Lucas Massao - Atualizado em 4 jul 2018, 20h34 - Publicado em 10 Maio 2018, 12h39

Enterrar um bicho de estimação querido da família pode ser algo doloroso, com tristeza e palavras de despedida. Com os cães-robôs do Japão, para alguns, é a mesma coisa. O templo budista Kofukuji, nos arredores de Tóquio, já conduziu cerimônias funerárias para mais de 800 cachorros Aibo mortos.

O Aibo foi lançado pela Sony em 1999, com o chamariz de ser o primeiro robô com foco em entretenimento criado para uso doméstico. A primeira linha, com 3 mil unidades, esgotou em apenas 30 minutos, mesmo custando o equivalente a US$ 2 mil. Os números continuaram crescendo e o Aibo conseguiu vender mais de 150 mil unidades. Mas, em uma tentativa de cortar custos, a Sony decidiu interromper a produção do companheiro robótico em 2006.

Posteriormente, a empresa também cancelou o serviço de suporte e, desde 2014, os donos do Aibo têm buscado maneiras de lidar com os cadáveres robóticos de seus antigos companheiros. A A Fun, companhia especializada em restaurar produtos vintage, criou um serviço que recebe os Aibo mortos e os envia para o templo Kofukuji. Lá, eles recebem uma etiqueta dizendo de qual região do país vieram e quais eram seus donos. Os monges, então, seguem um processo que inclui cânticos e queima de incenso para garantir que as suas almas consigam descansar em paz. Muitos dos cães vêm acompanhados de bilhetes de despedida.

Em entrevista a agência France-Presse, o monge Bungen Oi disse que não via nada de errado ao dar um adeus digno a companheiros de quatro patas, mesmo que eles sejam robóticos. “Todas as coisas têm uma alma”, afirma. Após a cerimônia, a A Fun retira peças dos Aibo antigo que ainda podem ser usadas para consertar modelos que estejam menos danificados.

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Em janeiro, a Sony lançou uma nova linha do Aibo, agora equipado com inteligência artificial e conectividade à internet para interagir com o dono e o ambiente. Mas a empresa ainda resiste à pressão dos antigos compradores do Aibo a continuar o processo de reparo do primeiro modelo.

Com The Guardian

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