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Conta Outra Por Blog Histórias esquecidas sobre os assuntos mais quentes do dia a dia. Por Felipe van Deursen, autor do livro "3 Mil Anos de Guerra"

Lugares lindos marcados pela guerra: Crimeia

A região disputada violentamente entre Rússia e Ucrânia é ponto de veraneio popular desde o tempo dos czares.

Por Felipe van Deursen Atualizado em 17 out 2018, 19h34 - Publicado em 23 nov 2016, 15h24

Vladimir Putin tirou da Ucrânia a República Autônoma da Crimeia em 2014, e o mapa da Europa, mais uma vez, mudou de forma belicosa. Não que seja uma novidade no currículo dessa península pouco menor que Alagoas. Nos anos 1850, o território batizou um conflito entre russos e uma aliança de ingleses, franceses e turco-otomanos: a Guerra da Crimeia matou cerca de 300 mil pessoas.

A história do lugar é vasta feito estepe, e ela é crucial tanto para ucranianos quanto para russos. Mas, antes deles, a Crimeia era mongol. De 1200 a 1760, o Khanato da Crimeia foi um importante estado tártaro, cuja economia girava em torno do comércio de escravos. Entre 1686 e 1700, russos e otomanos travaram outra guerra, e o khanato entrou na rota de colisão. A Rússia conquistou Kiev e o que hoje é o leste ucraniano, mas levou uma sova na Crimeia. Por isso, hoje o lado oriental da Ucrânia fala mais russo, segue mais a fé ortodoxa e é mais favorável a Moscou, enquanto o oeste é católico, fala ucraniano e é pró-Ocidente. A guerra em curso desde 2014 tem raízes nesse embate entre dois impérios que não existem mais (embora às vezes pareça que Vladimir Putin e seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, queiram reviver tempos de czar e de sultão que não viveram).

A Rússia só conseguiu conquistar a Crimeia em 1783, com Catarina, a Grande (a czarina, aliás, é uma das inspirações históricas de Putin). Em 1954, o governo soviético em Moscou, em uma medida para celebrar 300 anos da inclusão da Ucrânia no Império Russo, devolveu o território aos ucranianos, o que na prática não significa muita coisa porque, bem, era tudo URSS.

Fincada no Mar Negro, a península é estratégica do ponto de vista militar e econômico (petróleo, camarada), mas não é só isso. A Guerra da Crimeia marcou profundamente o orgulho da Rússia, derrotada no conflito. A região é ponto de veraneio popular desde o tempo dos czares. Anton Chekhov escreveu algumas obras-primas lá. Yalta – sim, a cidade da conferência que definiu o mundo pós-Segunda Guerra – fica na Crimeia.

A Rússia anexou, a comunidade internacional desaprovou, a guerra estourou em Donbass. Já se vão mais de quatro anos, o hype noticioso sobre a Crimeia passou, mas a península segue incerta de seu destino. E linda.

Castelo Ninho das Andorinhas. Foto: LenorLux | iStock
Castelo Ninho das Andorinhas. Foto: LenorLux | iStock
Foto: astroganov | iStock
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Sudak. Foto: joyt | iStock
Sevastopol. Foto: skostin1951 |iStock
Forte dos Genoveses, Sudak. Foto: Mordolff | iStock
Verão no Mar Negro. Foto: Dontsov | iStock
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