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Muitos millennials não sabem o que foi o Holocausto. Então é bom lembrar

Vala comum no campo de Bergen-Belsen, na Alemanha, em 1945

Vala comum no campo de Bergen-Belsen, na Alemanha, em 1945 (Museu Imperial da Guerra/Domínio Público)

 

Uma pesquisa divulgada há algumas semanas pela Claims Conference, organização que negocia compensações para os judeus perseguidos pelo nazismo, chamou atenção pelo resultado. Dois terços dos americanos millennials não sabem identificar o que é Auschwitz e 22% deles não sabem dizer o que foi o Holocausto. Segundo a mesma pesquisa, 68% dos entrevistados acham que existe antissemitismo nos EUA e 51% acreditam que há muitos neonazistas no país. Além disso, 58% temem que algo semelhante ao Holocausto possa ocorrer novamente.

Apesar de que, com o tempo, um evento histórico tenda a naturalmente ficar mais distante e menos influente na vida das pessoas, isso choca porque o Holocausto foi, em termos históricos, ontem. Não se trata de perguntar quem foi Gêngis Khan, Justiniano, Átila, Hulagu ou qualquer outro líder sanguinário de um passado bem mais distante. Adolf Hitler fez o que fez há menos de 80 anos. Se você não viveu durante a Segunda Guerra, conhece alguém que a vivenciou nem que por meio apenas do noticiário, seja sua avó ou seu pai. Então esse desconhecimento maior entre os mais jovens é preocupante.

A pesquisa também mostrou que só 37% das pessoas identificam a Polônia como um país onde o Holocausto ocorreu. Problemático, pois lá se concentrou a maior parte de um experimento nazista tenebroso chamado campo de concentração e extermínio. Funcionava assim: os judeus eram reunidos em estações de trem próximas aos guetos onde eram forçados a viver e despachados a esses campos, ouvindo mentiras como “reassentamento”. Lá, eram separados por idade, sexo e potencial de mão de obra. Aqueles que não eram necessários eram encaminhados a um banho de chuveiro. Só que, em vez de água, o que caía eram cristais de Zyklon-B, que se vaporizavam em gás venenoso.

Essa foi a solução encontrada para exterminar os judeus sem desperdiçar munição em fuzilamentos. Mas a história comprova que, se um tirano quer fulminar pessoas às baciadas, por atacado, há jeitos mais práticos de extermínio. Marchas da morte, frio, fome e armas simples como machetes e porretes são fórmulas mais em conta. Reúna-os e coloque-os para andar até cair. Prive-os de comida e aguarde. Distribua facões a grupos rivais. Eis uma solução usada e aprovada por turcos, russos, indonésios e vários outros povos.

Então, alguns especialistas sugerem que os nazistas sabiam que o gás não era tão eficiente assim, em termos logísticos. Afinal, era preciso cercá-los, pegá-los, colocá-los em um trem (que poderia ser usado para fins militares bem mais práticos), transportá-los, vigiá-los, depositá-los nos campos e, só então, eliminá-los usando uma tecnologia relativamente cara e que às vezes os deixava na mão.

Não era pela eficiência que eles matavam com gás, mas seria por um espírito inventivo de extermínio. Os nazistas tinham plena consciência de que o plano era seguir matando no futuro, então valia a pena investir nessa forma industrial de morte. Eles queriam distanciar os carrascos daquela tarefa asquerosa. E, simbolicamente, gostavam de se ver como dedetizadores de povos “inferiores”, como ciganos, eslavos e, especialmente, judeus.

Em apenas um ano e em apenas um desses campos, o de Treblinka, 800 mil pessoas foram executadas. Em Chelmno, 330 mil. Em Sobibor, 250 mil. Em Auschwitz, foram 1,1 milhão. Os quatro ficavam na Polônia invadida pelos nazistas.

Em tempos em que notícias falsas mudam o destino de potências, as vacinas não funcionam e a Terra é plana, os negadores do Holocausto, que sempre existiram, podem ganhar mais fôlego. Mas há poucos eventos históricos com tanta documentação sólida como esse. As provas partem de milhares de relatos de testemunhas, com detalhes de todas as partes do processo. Há fotos, recenseamentos, registros de impostos que mostram que judeus que existiam na década de 1930 desapareceram depois da ocupação alemã. Existem caixas de documentos oficiais dos perpetradores, mostrando ordens, memorandos, relatórios, faturas e programações. Se for para levar em conta as evidências, faz mais sentido duvidar da existência do Império Romano do que do Holocausto (e, sim, ambos existiram).

Ainda há 400 mil sobreviventes do Holocausto vivos. Alguns estão no Brasil. Conheça suas histórias, como a da criança que sobreviveu à base de grama frita com gordura de ganso. Porque a única forma de evitar que isso aconteça de novo é não esquecer o que aconteceu.  

***
Para mais detalhes sobre os métodos usados nos grandes assassinatos em massa do século 20 e de um passado mais distante, leia meu livro 3 Mil Anos de Guerra, à venda em bancas, livrarias e, claro, na internet

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  1. Realmente, os “millennials” desconhecem muitos assuntos, e como citado no texto, em época de eleição, temos que tomar cuidado com essa turma que acredita em socialismo e comunismo, mas que ainda moram com os pais e são sustentados por eles, e que não sabem que esse tipo de regime matou mais que o nazismo. Seria importante fazer uma publicação mostrando os horrores do comunismo, das pessoas que morreram de fome, que sumiram ou foram mandadas para campos de trabalho forçado, porque não concordavam com o regime.

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  2. André de Souza

    Não são somente os indivíduos que acreditam em comunismo e socialismo que representam uma ameaça à democracia brasileira. Aqueles que, em manifestações de rua, levam cartazes com dizeres como “queremos o retorno da ditadura” ou “intervenção militar no Brasil já! ” também o são. E eu diria que são ainda piores. O Brasil nunca foi um país dominado por comunistas. E nunca será. Portanto, aqueles que crêem no comunismo como uma alternativa de governo no Brasil, por mais anacrônicos que possam parecer, podem argumentar que, como o país nunca viveu uma experiência comunista, não se pode afirmar veementemente que tal experiência seria um fracasso. Já o clamor pelo retorno ao militarismo se configura como um óbvio atestado de ignorância histórica, já que este tipo de regime foi vigente no Brasil durante duas décadas e todos sabemos no que deu. Portanto, a ignorância histórica promove a estupidez humana tanto à esquerda quanto à direita! Se o lulismo incondicional é um sinal de sectarismo político irracional, o surgimento de uma espécie de “bolsonarismo” representa uma certa forma de analfabetismo histórico. Em Política, a razão e a ciência são as categorias de pensamento que devem prevalecer, não a passionalidade.

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