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Retrospectiva SUPER 2014: 10 séries do ano

Por Bruno Carvalho, editor-chefe do site Ligado em Série

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2014 foi interessante para a TV, especialmente se assistida online. Com a popularização cada vez maior de serviços de streaming e novos players na produção de conteúdo, o ano trouxe surpresas e muita coisa boa original e de qualidade. Claro, ficamos sem as excelentes Louie, Community e Parks and Recreation (todas retornam em 2015), mas conhecemos novas histórias, personagens marcantes e aqui segue a lista dos dez destaques deste ano.

 

1. The Knick (EUA: Cinemax; Brasil: Max)

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O ano é 1900. A medicina começa a dar os passos mais avançados em termos de diagnóstico e cirurgia na proeminente Nova York. Liderada pelo Dr. John Thackery (Clive Owen), a equipe de médicos do hospital Knickerbocker em Nova York está no epicentro de novas descobertas possibilitadas pela revolução industrial numa sociedade que ainda não aboliu costumes monárquicos e apresenta problemas sociais devastadores. Com direção de Steven Soderbergh, The Knick foi uma série pouco baldada em 2014 (talvez por ser exibida num canal não tão popular), mas trata-se de um drama relevante e pungente. A produção de época é impecável, desde os figurinos à majestosa cenografia, que permite uma imersão completa e inquestionável naquele universo. São 10 capítulos que trazem um primor de produção que hoje está cada vez mais escasso na TV. Seus realizadores tomam um cuidado extremo com cada aspecto da série, em especial à sua trilha eletrônica que, ao mesmo tempo, contrapõe com a época e evoca a modernidade experimentada pelos personagens na virada do século. The Knick certamente é o drama mais excepcional do ano e um must see para fãs de séries e de uma boa história.

 

2. True Detective (HBO)

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Nic Pizzolatto surpreendeu o mundo com um mistério arrebatador, construído de forma meticulosa e contado numa roupagem com narrativa intrincada, cenários incríveis e atuações poderosas. Matthew McConaughey e Woody Harrelson estrelaram na TV em alto estilo com True Detective, sucesso instantâneo da HBO que trouxe a relação conflituosa e conturbada entre dois detetives bastante peculiares e diferentes, que precisaram se juntar – no passado e no presente – para resolver uma onda de crimes macabros ocorridos no agrário estado da Louisiana, EUA. Carregado com uma atmosfera sempre sombria e enigmática, este drama antológico certamente é a Emmy Tape de vários de seus atores, em especial McConaughey, que merecerá todos os prêmios a que for indicado. True Detective volta em 2015 com uma história completamente diferente, sim, mas a de 2014 já ficou marcada como uma das melhores coisas que a TV colocou no ar nos últimos tempos.

 

3. The Good Wife (EUA: CBS; Brasil: Universal Channel)

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É sintomático que a TV aberta norte-americana esteja cada vez mais incapaz de produzir séries relevantes em temática e estilo narrativo, papel que hoje ficou com as TVs fechada e canais de streaming. Fato é que The Good Wife segue como uma das poucas produções que fogem da curva. Em sua sexta temporada, continua com um fôlego invejável. O drama da advogada e esposa de político Alicia Florrick evoluiu e, de mero procedural jurídico, tornou-se um thriller político intenso, que constantemente balanceia histórias que contém ótimos casos de tribunal e intrigas do alto escalão do poder, num texto fluido e repleta de atuações memoráveis, seja da protagonista Julianna Margulies como do elenco fixo e convidado que reúne grandes nomes como Christine Baranski, Archie Panjabi, Alan Cumming, Carrie Preston, Michael J. Fox, Matthew Perry, John Noble, e por aí vai. Não se engane pelo título: de “boa esposa”, a série só tem o nome.

 

4. The Newsroom (HBO)

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É uma pena que Aaron Sorkin esteja se despedindo da TV e levando consigo um dos roteiros mais ricos da telinha. O showrunner “brinca” com palavras e comanda os talentosos intérpretes (mais uma vez destaque para Emily Mortimer e Jeff Daniels) como se estes fossem uma extensão orgânica de seu ágil e afiado texto, rotineiramente carregado de mensagens político-sociais válidas num mundo cada vez mais conservador e intolerante. Ambientada na fictícia redação de uma emissora que passa por dificuldades de audiência, The Newsroom é um exercício instigante que utiliza fatos jornalísticos recentes para discutir pontos de vista, ética e realizar uma profunda análise do mercado de notícias. Na terceira e última temporada de apenas seis capítulos – ainda em exibição – o canal ACN precisa sobreviver à competitividade desleal que virou o meio, ainda mais agora que qualquer cidadão com um smartphone na mão pode ser um repórter em potencial que não se preocupa em checar suas fontes ou exercer a função sobre preceitos morais. The Newsroom tem um universo peculiar próprio que sempre entrega um capítulo memorável e emocionante, qualquer que seja o tema.

 

5. You’re the Worst (EUA: FXX; Brasil: n/a)

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É muito bom encontrar uma comédia nova hoje em dia, ainda mais quando a TV está abarrotada de sitcoms com personagens que vomitam clichês, piadas recicladas e bordões. You’re The Worst vai na contramão de tudo isso contando a singela e divertida história de um casal que não tem absolutamente nada em comum a não ser uma visão egoísta e egocêntrica do mundo. Estrelam os excelentes Chris Geere (como Jimmy) e Aya Cash (como Gretchen) numa sitcom de câmera única que narra deliciosas desventuras de duas complicadas personalidades que se apaixonam e querem ficar juntos o tempo todo, mas sem jamais admitir. Cheia de humor rápido, reviravoltas e sacadas geniais, essa comédia do FXX foi uma das melhores novidades da última temporada de estreias e é uma pena que ainda não tenha chegado ao Brasil.

 

6. House of Cards (Netflix)

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Subversiva e surpreendente, essa série da Netflix voltou com tudo em 2014 continuando a história do frio, calculista e sempre intrigante Frank Underwood (num dos melhores papeis da carreira de Kevin Spacey) em sua escalada ao cargo máximo do poder executivo americano. Mestre da manipulação, ele seguiu articulando o seu show particular de troca de favores, agora como o “homem mais poderoso do mundo” e trouxe consigo um dos momentos mais chocantes da TV no ano (sem spoilers aqui para quem não viu) e muitas reviravoltas. O drama intensificou a sua complicada trama que envolve crimes de colarinho branco, estelionato e decepção nos sórdidos bastidores de Washington D.C., sempre beneficiado pelas performances vibrantes de todo o elenco coadjuvante, encabeçado, claro, por Robin Wright.

 

7. Veep (HBO)

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A comédia estrelada pela talentosíssima Julia Louis-Dreyfus (eternamente de Seinfeld), certamente merece os holofotes por ter construído uma das melhores temporadas de uma série cômica em muitos anos. Detentora de um timing impecável – tanto os roteiristas como os experientes intérpretes coadjuvantes (em especial Tony Hale, de Arrested Development), Veep definitivamente estabeleceu-se em 2014 como uma das melhores comédias da década, dona de um humor rasgado e inteligente que ultrapassa os limites do nonsense e do politicamente incorreto, sem apelações, e sempre digno de nota.

 

8. Homeland (EUA: Showtime; Brasil: FX)

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Quem diria que veríamos Homeland em um Top 10 após os fiascos que foram as temporadas dois e três deste drama que começou irretocável lá nos idos de 2011? É extremamente positivo quando uma série consegue se reinventar e superar as suas limitações. A quarta temporada parece outra produção, de tão destoante de seus últimos dois anos. Homeland retornou das cinzas totalmente focada no desenvolvimento de Carrie (Claire Danes, novamente digna dos prêmios aos quais será indicada) e Saul (Mandy Patinkin) e de uma nova trama estabelecida no oriente-médio, que até assusta de tão atual ao lidar com questões sensíveis como os ataques de veículos aéreos não tripulados, os “drones” e a nova e aterrorizante ameaça vinda dos rebeldes do Estado Islâmico. Sem Brody (Damian Lewis) e sua família, o drama parece ter ficado livre e leve para ter conseguido se reciclar completamente, sem perder a essência e sua interessante premissa.

 

9. Silicon Valley (HBO)

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A referência máxima em termos de “série nerd” hoje continua sendo The Big Bang Theory, mas enquanto aquela prefere explorar os estereótipos batidos, a novata Silicon Valley da HBO chega para dar uma abordagem mais real e diferente. Ambientada na região tecnologicamente proeminente que dá título à produção, esta comédia narra a história de um divertido e peculiar grupo de geeks, liderado por Erich (T.J. Miller) e Richard (Thomas Middleditch), que abre uma start-up dedicada a trazer ao mundo um novo e revolucionário software de compressão. Enquanto permanecem na incubadora do projeto, esta hilária comédia faz graça com eles em vez de fazer graça deles, em situações constrangedoramente elaboradas para extrair o máximo em gargalhadas do espectador. É uma excelente adição ao cardápio de comédias da telinha.

 

10. Orange is the New Black (Netflix)

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Raramente conseguimos ver uma série que possui uma segunda temporada superior ao seu ano de estreia, justamente porque os roteiristas geralmente colocam tudo que podem no começo e acabam exaurindo boas possibilidades criativas quando da renovação. Felizmente, esse não é o caso de Orange is the New Black, que retornou em 2014 melhor do que nunca. Escrita e estrelada por mulheres, a dramédia da Netflix provou por que conquistou milhares de casas e fez as pessoas investirem mais em banda larga do que em canais premium, graças às reveladoras histórias pessoais das detentas, reforçadas pelo elenco mais entrosado da TV hoje. Neste segundo ano, Chapman (Taylor Schilling) está totalmente adaptada à vida na prisão e tudo aquilo que se tornou uma marca registrada voltou potencializado: das situações, digamos, “escatológicas”, ao roteiro ousado de Jenji Kohan (Weeds) e à retratação fiel e sem glamourização de ótimas personagens femininas.

Menções honrosas: Game of Thrones (que apresentou sua temporada mais irregular, mas com episódios e acontecimentos fortes como o julgamento de Tyrion e as chocantes mortes), Fargo (minissérie do FX com um elenco estelar encabeçado por Billy Bob Thorton e Martin Freeman), The Leftovers (adaptação do livro homônimo com altos e baixos, mas que entregou um final eloquente), Hannibal (que abandonou o procedural em prol de sua intensa história), The Affair (novata do Showtime que é bem promissora), Last Week Tonight (jornalístico opinativo com Jonh Oliver que é melhor que muita comédia no ar), Mad Men (que fez uma belíssima “meia-temporada”), The Walking Dead (que voltou a inovar após ter entrado no piloto-automático) e 24 Horas: Viva um Novo Dia (que, apesar de ser “mais do mesmo”, trouxe Jack Bauer em 2014)!

 

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