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Premiado mundialmente, Luiz Iria conta um pouco da história dos infográficos no Brasil e aconselha jornalistas a estudarem ilustração

Tive o prazer de conhecer o infografista Luiz Iria quando comecei a trabalhar no site da revista Mundo Estranho, em 2006. Posteriormente desenvolvemos alguns trabalhos juntos, mas não é necessário ser amigo do Iria para considerá-lo o maior infografista do Brasil: sua farta coleção de prêmios internacionais, seu pioneirismo em explorar o gênero nos anos 90 e sua grande influência são insuperáveis

Iria descobriu os infográficos por volta de 1995, quando era ilustrador da revista SUPERINTERESSANTE. Seu amor pelos quadrinhos e pelo cinema, levaram-no a abraçar a arte que aprendeu com professores de grandes jornais espanhóis como “El País” e “El Mundo”. Aliás, para quem não sabe, infográficos são um tipo de linguagem que une arte e texto para contar histórias e explicar processos. Depois de ganhar dezenas de prêmios importantes na SUPER (De Malofiej à Prêmio Esso de Jornalismo), Iria acabou liderando um Núcleo de Infografia da Editora Abril para o qual realizou trabalhos importantes em marcas como Saúde, Playboy, Mundo Estranho e Aventuras na História.

Na entrevista abaixo, o infografista conta um pouco da história de sua carreira (que se mistura com a história da infografia no Brasil) e dá conselhos para os interessados em mergulharem nessa fusão de arte e texto, importantíssima na era da Big Data – onde informações em excesso precisam ser organizadas e digeridas para grandes audiências.

Versão online de uma das partes do infográfico "Golpes de Mestre" de Luis Iria
Versão online de uma das partes do infográfico “Golpes de Mestre” de Luis Iria

1) Como você começou sua carreira na Abril? 
Luiz Iria: Comecei como ilustrador em um estúdio chamado “Cor & Forma”, no começo dos anos 90. Aprendi várias técnicas convencionais de ilustração como guache, nanquim, aquarela, grafite, colagem, entre outras. Após quatro anos lá, percebi que queria evoluir mais e que meu tempo ali tinha chegado ao fim. Foi quando o dono do “Cor & Forma”, em consideração aos meus serviços prestados, me apresentou para o pessoal da revista SUPERINTERESSANTE.

Comecei como free lancer e após quarto meses praticamente ilustrando a revista de ponta a ponta fui contratado em março de 1995 e foi aí que começou de verdade minha carreira na Abril.

2) Como a infografia surgiu na sua vida? 
Luiz Iria: Nesta época, o diretor de redação da Super era o Eugênio Bucci que conheceu a infografia através dos jornais espanhóis “El Mundo” e El País”, ambos de Madrid. Eles eram os grandes mestres da infografia mundial. Eugênio percebeu que essa linguagem dinâmica e inovadora tinha tudo a ver com a SUPER e convidou algumas feras da Espanha para ministrar palestras e workshops de infografia na Editora Abril. Quando vi as primeiras apresentações e o que aqueles caras faziam fiquei maravilhado. Quando garoto, eu era viciado em histórias em quadrinhos de super-heróis e depois  vi que a infografia tinha tudo a ver com as HQs, pois também eram várias imagens com pequenos blocos de texto. Foi essa ligação que me atraiu para a infografia.

3) Essa ligação é o mais fascinante na arte da infografia?
Luiz Iria: São muitos os pontos fascinantes. No caso da linha de identidade do meu trabalho, as imagens são o coração do infográfico. São elas que despertam no leitor a vontade de saber o que aquela imagem maravilhosa está querendo dizer. Isso não quer dizer que o texto não seja importante.Na infografia um depende do outro para passar a informação precisa e correta para o leitor.

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O infografista Luiz Iria

4) Você falou sobre histórias em quadrinhos, mas também é um grande fã do cinema de ação. Como seu amor pelos filmes influenciou seu trabalho?
Luiz Iria: Através da ação, dos movimentos e das tomadas de câmera. (Através dos meus infográficos) dá pra perceber o estilo de filme que eu gosto. “Star Wars”, “Indiana Jones”, “Jurassic Park”, “Aliens” e tantos outros foram uma fonte de inspiração pra mim.

5) Quais são os infográficos mais importantes que você criou? E o mais premiado?
Luiz Iria: O de coração e o mais importante da minha carreira até hoje com certeza foi “Golpes de Mestres” (um pedaço desse info pode ser conferido animado no site da SUPER). Uma infografia de nove páginas que mostra a origem e as diferenças entre as artes marciais mais praticadas no Brasil. Ela é especial pois foi o primeiro grande projeto da minha carreira como infografista e também porque os editores da SUPERINTERESSANTE foram contra a matéria desde o surgimento da ideia. Como eu acreditava muito neste projeto, tomei a iniciativa e produzi vários layouts do que seria o visual das páginas e mostrei diretamente para o Eugênio Bucci. Ele me deu a oportunidade e gostou tanto do resultado final que me mandou para a cidade de Pamplona, Espanha, mais precisamente na Universidade de Navarra onde acontece o Malofiej – a maior premiação de infográficos do mundo que, em 2013, completou 21 anos de existência.

A matéria conquistou medalha de ouro na categoria “Esportes” e eu estava lá para receber o prêmio pessoalmente. Um grande momento na minha carreira. Ela recebeu também o prêmio Abril de jornalismo e eu ganhei uma viagem estágio do Dr. Roberto Civita. Foi demais. Fui para Madrid estagiar por duas semanas no departamento de infografia do jornal “El Mundo”. Isso tudo aconteceu em 1998.

O info mais premiado foi a infografia de dez páginas “Montado na Fúria”, feita em 1999, que mostrava – com movimentos fantásticos – como era cada prova do rodeio brasileiro. Ele conquistou medalha de ouro na categoria “Esportes” no Malofiej, Prêmio ESSO de Jornalismo na categoria “Criação Gráfica” e o Prêmio Abril na categoria “Infografia”. “Montando na Fúria” ainda foi vendido e publicado na Espanha, Itália e Polônia. Um trabalho inesquecível.

6) E você virou hours concours no Prêmio Abril, né? 
Luiz Iria: Depois de oito anos consecutivos ganhando o Prêmio Abril, decidiram me premiar com a árvore dourada representando o hours concours. Em 60 anos de Abril, apenas 19 profissionais receberam este prêmio e eu fui justamente o décimo nono da lista. Outro momento marcante pra mim.

7) E quantos Malofiej você ganhou?
Luiz Iria: Foram mais de 30 até hoje. Em especial quarto medalhas de ouro e duas de prata na categoria “Revista que melhor usa infográficos no mundo”. Uma vez com a SUPERINTERESSANTE e outra com a Mundo Estranho.

8)Como rolou o convite para ser jurado desse prêmio?
Luiz Iria: O presidente do comitê organizador do Malofiej, Javier Errea, esteve em São Paulo para um evento internacional e foi pessoalmente na Abril me convidar para ser um dos 10 jurados da premiação. Foi um dos auges que vivi na minha carreira. Você ser considerado um dos melhores do mundo e poder mostrar sua opinião e sobre infografia… Ministrei também uma palestra para profissionais de várias parte do mundo naquela ocasião. UHUUUU!!!!!

A matéria infografada "Raio X das Plásticas" foi a primeira a faturar medalha de ouro pelo Brasil no prestigiado prêmio SPD. Ganhou também o Prêmio Abril de Jornalismo.
A matéria infografada “Raio X das Plásticas” foi a primeira a faturar medalha de ouro pelo Brasil no prestigiado prêmio SPD. Ganhou também o Prêmio Abril de Jornalismo.

9) Que outros infografistas você admira?
Luiz Iria: Em especial Mario Tascon, mestre espanhol que me ensinou muito, Alberto Cairo com quem tive a honra de trabalhar junto, Jonh Grimwade que, na minha opinião, tem o trabalho de infografia vetorial mais elegante do mundo e Jeff Gortzen que me ensinou como realizar um excelente workshop.

10) Que dicas você daria para quem quer começar no mundo da infografia?
Luiz Iria: Fazer jornalismo e ao mesmo tempo um curso intensivo de ilustração. Quem tiver esses dois lados muito bem desenvolvidos e se mantiver antenado tanto nas tendências de estilos de infográficos, quanto nas atualidades pode se dar muito bem pois, com o futuro se tornando cada vez mais digital, a infografia com certeza vai ser uma linguagem vital para o futuro da comunicação.

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