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Como os astrônomos sabem onde está cada estrela? 

Achou que só existia cartografia da Terra? Dá para fazer o mesmo com o céu.

Por Bruno Vaiano Atualizado em 25 Maio 2021, 11h16 - Publicado em 9 Maio 2021, 12h02

No tempo de uma vida humana, as estrelas se movem tão pouco na abóbada celeste que, para todos os efeitos práticos, não saem do lugar. O céu muda ao longo da noite, é claro –  quem já virou a madrugada ao ar livre deve ter acompanhado uma constelação “caminhar” até sumir no horizonte. Mas isso ocorre porque a Terra está girando em torno do próprio eixo. As estrelas “nascem e se põem” à noite da mesma maneira que o Sol faz durante do dia. 

(Vale dizer que as estrela se movem um pouquinho, é claro: todas as nossas vizinhas, assim como o Sol, giram em torno do centro da Via Láctea ao longo de milhares de anos – e elas também têm movimentos particulares conforme o contexto gravitacional em que estão inseridas. É só que, de distâncias tão longas, e em escalas de tempo muito curtas, é impossível perceber isso se você não for um astrônomo usando equipamento especializado.)

Quando você olha para o céu, a impressão é que você está dentro de uma bola, e que as estrelas são pontos distribuídos pela superfície interna dessa bola (como acontece com a projeção do céu no teto redondo de um planetário). É óbvio que isso é uma ilusão de óptica: o Universo é tridimensional, as estrelas só parecem estar todas à mesma distância de nós. Algumas estão bem próximas; outras, muito distantes. 

Assim, do mesmo jeito que você pode projetar a superfície redonda da Terra em um mapa, você pode projetar o céu como se ele fosse uma superfície – e usar um sistema de coordenadas similar ao de longitude e latitude para marcar a posição de cada estrela. É claro que a localização é só a ponta do iceberg: os físicos sabem a temperatura de cada estrela com precisão altíssima, bem como seu tamanho, sua composição química, sua distância de nós e até, em alguns casos, se ela tem planetas em torno de si. 

Existem dezenas de catálogos com as localizações e fichas técnicas desses astros, o que significa que uma mesma estrela tem várias nomenclaturas. Antares, o coração de Escorpião, atende por HR 6134 no catálogo de Yale, que lista as 9.110 estrelas visíveis a olho nu da Terra, e por HD 148478 no catálogo Henri Draper – publicado desde 1890 e hoje recheado com 360 mil estrelas (a maioria delas, é claro, tênues demais para serem vistas sem um telescópico).

Fonte: livro-texto Astronomia: uma visão geral do universo, da Edusp. 

Pergunta de @jecsoncarvalho, via Instagram

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