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Insetos têm o instinto de cuidar da família, como aves e mamíferos?

Por Bruno Vaiano - 20 abr 2020, 14h59

Os biólogos já descobriram e nomearam no mínimo 800 mil espécies de insetos, e estima-se que milhões ainda estejam na fila (seja em seus ecossistemas, seja em gavetas de museu). Ou seja: depende muito do inseto. Como regra geral, é possível afirmar que esses artrópodes não têm o cérebro e os hormônios de que precisariam para gerar apego, amor ou carinho. Os que cuidam de seus parentes evoluíram esse comportamento por meio da seleção natural de genes responsáveis por atitudes altruístas. Ou seja: os animaizinhos fazem isso puramente por instinto, sem racionalização. São programados como máquinas ao nascer. 

Nessa linha, o exemplo típico são os insetos sociais, como abelhas e formigas. Há apenas uma formiga fêmea fértil na colônia, a rainha. As operárias são todas fêmeas inférteis que mantém a operação rodando, mas vão morrer sem passar seus genes para frente. Assim, a operação do formigueiro se mantém ordeira e impecável: todas as operárias cuidam de todos os bebês. Nesse sentido, o formigueiro é uma grande família. 

Mas há sempre um risco: uma operária pode nascer fértil por um acidente, encontrar um macho para transar e se emancipar das garras da rainha para criar sua família em paz – mais ou menos como príncipe Harry e Meghan Markle fizeram com Elizabeth II. 

Essa revolução sexual não acontece porque o sistema de determinação de sexo das formigas funciona de maneira que as operárias tenham 75% de seus genes idênticos entre si, e não 50% – que é a cifra compartilhada pais e filhos humanos, ou entre irmãos. Ou seja: as formigas operárias, ao cuidar dos bebês da rainha, estão passando seus genes para frente com muito mais eficiência (75%) do que uma mãe humana ao criar um filho que saiu de dentro de si própria (50%). Essa é a base genética do amor de família. Ele não é racional. 

É sempre bom reforçar que material genético não tem consciência nem intenções. Não tem molécula nenhuma “decidindo” ser bacana com suas sósias. É só uma questão de lógica. Repetindo: pedaços de DNA que tornam seus donos propensos a ajudar acabam se espalhando pela população justamente porque têm o efeito colateral curioso de zelar pela própria sobrevivência em outros corpos.

Como o objetivo de um ser vivo é passar seus genes para frente e mantê-los circulando na população, gerar alguém que tem 75% dos genes idênticos aos seus é um ótimo jeito de fazer isso. Mais eficaz até que fazer filhos da forma como fazemos.

Pergunta de @sr.devyson, via Instagram

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