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Mais tubarões matam humanos ou mais humanos matam tubarões?

Resposta curta: 97 milhões de tubarões são mortos por nós todos os anos. Os tubarões, por sua vez, mataram cinco humanos em 2018. 

Parece um dado exagerado, mas é verdade. A estimativa aí em cima é a mais recente – um estudo de 2013, publicado na revista científica Marine Policy. Como um ano tem 8.760 horas, são 11,073 tubarões na conta da humanidade a cada 60 minutos.

Ainda de acordo com a pesquisa, esses 97 milhões anuais são um número conservador: podem ser 273 milhões de mortes por ano. Estima-se que algo entre 6,4% e 7,9% da população mundial de tubarões seja riscada do mapa anualmente – bem acima do ritmo em que várias das espécies caçadas podem se reproduzir. Haja barbatana.

Barbatanas, aliás, são um dos principais motivos que explicam toda essa matança. Os maiores mercados de carne de tubarão no mundo, afinal, são países da Ásia, como China e Vietnã. Por lá, a sopa feita com as extremidades de tubarão é uma verdadeira iguaria. 1 kg de nadadeiras tem valor de mercado de US$ 1100, apesar de representarem apenas entre 1% e 5% do peso de um tubarão. Na prática de pesca conhecida como finning, pescadores cortam apenas essas partes – muitas vezes, com o bicho ainda vivo – e descartem o resto do animal no oceano.

Atividades como a pesca ilegal e o bycatch (captura acidental), em que uma grande rede é jogada ao mar, também fazem aumentar essa conta. Apesar de tubarões nem sempre serem os itens mais queridos da pescaria, eles acabam vindo no balaio com outras espécies de peixes. Estima-se que quase a metade de mortes de tubarões pelo mundo seja fruto de bycatch.

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Dá para dizer que os brasileiros têm sua parcela de culpa no cartório. Isso porque o Brasil é o maior importador – e o 11º maior produtor – de carne de tubarão do mundo. Dados de 2017 estimavam que pelo menos 45 mil toneladas de carne de tubarão iam para o consumo nacional todos os anos.

E a parte mais curiosa é que uma parte significativa dos brasileiros sequer sabe que aquilo que chega à mesa pode ser chamado de tubarão.Uma pesquisa feita no mercado Municipal de Curitiba em 2017 mostrou que cerca de 70% dos consumidores não faz a menor ideia de que, ao comprar cação, estava arrematando carne de tubarão.

O produto que conhecemos como “cação”, na verdade, diz respeito a uma variedade ampla de peixes. Um estudo feito por brasileiros em 2018, que analisou 63 amostras de cação no comércio e em barcos pesqueiros da região Sul, descobriu que elas correspondiam a 20 espécies diferentes. Destas, 40% estão em risco de extinção. A quantidade de humanos mortos por tubarões, por outro lado, é ínfima quando comparada a esses números. Foram apenas 5 (cinco) acidentes fatais em 2018, segundo dados do relatório International Shark Attack File (ISAF).

Dos 130 ataques de tubarões a humanos, só 66 deles foram aconteceram sem que algum exemplar de nossa espécie “provocasse” os animais em seu habitat. Qual é o maior predador dos oceanos? Quem disse os tubarões – e o não o Homo sapiens – respondeu errado.

Fontes: FAO, ISAF, Gabriel Maia, graduando em Oceanografia-USP, Elasmobranchs Consumption in Brazil: Impacts and Consequences; Global catches, exploitation rates, and rebuilding options for sharks

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