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Por que satélites e pedaços de foguete incineram ao entrar na atmosfera?

O ar pode até parecer um negócio insubstancial. Mas se você viaja 25 vezes mais rápido que o som, ele se comporta de um jeito bem diferente.

Por Bruno Vaiano Atualizado em 7 jul 2021, 14h05 - Publicado em 7 jul 2021, 11h43

Um objeto atinge até 25 vezes a velocidade do som na reentrada. Isso significa que ele empurra a atmosfera com muita força.

As moléculas de gás localizadas diretamente na frente do objeto cadente são esmagadas contra sua superfície, criando um bolsão de ar comprimido, sob altíssima pressão. Gás sob pressão é sinônimo de aumento de temperatura.

Lembra daquela fórmula PV = nRT, que todo mundo aprende nas aulas de física do colégio? Pois é: o T é de temperatura, o P é de pressão, e eles estão de lados opostos do sinal de igual. Isso significa que, se um aumenta, o outro aumenta também.

A temperatura alcançada, de uns 1.600 °C, é suficiente para o gás se tornar plasma (os elétrons se afastam do núcleo dos átomos formando uma maçaroca carregada eletricamente). Plasma é a matéria-prima do Sol, então… dá para fazer um estrago.

A fricção da espaçonave com o ar – que é um fenômeno diferente –, também contribui com o calor, mas o fenômeno descrito acima é o principal responsável.

Os ônibus espaciais da Nasa, que precisavam reentrar na atmosfera sem se desintegrar (eram veículos reaproveitáveis, que voltavam com tripulação), penetravam na atmosfera terrestre em um ângulo exato para o calor do plasma fosse absorvido pela barriga da nave, forrada com tijolinhos de sílica.

Esse material conduz calor muito mal – e assim evita que ele alcance a fuselagem metálica por baixo do forro.

Pergunta de @nunno778, via Instagram.

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