Clique e Assine a partir de R$ 6,90/mês
Oráculo Por aquele cara de Delfos Ser supremo detentor de toda a sabedoria. Envie sua pergunta pelo inbox do Instagram ou para o e-mail maria.costa@abril.com.br.

Qual é a etiqueta para cumprimentos entre monarcas de dois países?

Não há um protocolo padronizado – o mais comum é um aperto de mãos. E quem respeita demais a cultura do outro pode se queimar.

Por Carolina Fioratti Atualizado em 18 jan 2021, 10h54 - Publicado em 15 jan 2021, 10h55

Não há um protocolo padronizado ou universalmente aceito – o mais comum é um aperto de mãos. Os monarcas são considerados chefes de Estado, assim como os presidentes e primeiros ministros, então não há hierarquia entre eles. Um nobre não é obrigado a seguir a etiqueta do país do outro.

Muitos nobres europeus são parentes próximos, o que torna os encontros informais: A rainha Elizabeth 2ª do Reino Unido, por exemplo, é prima da rainha Margrethe 2ª, da Dinamarca. No âmbito privado, elas certamente tomam um chá enquanto discutem problemas que só mesmo duas rainhas teriam.

Um evento que exemplifica essa situação foi o funeral do Rei Eduardo 7º, da Grã-Bretanha, em 1910. Entre os príncipes e monarcas presentes na reunião, estavam Jorge 5º, filho do falecido, Guilherme 2º, imperador alemão, e dois netos da rainha Vitória, também chefes de estado. Eles haviam dividido a infância. Por suas posições, mantiveram as regras de etiqueta em público, mas com certeza foram menos formais nos bastidores. 

Já houve situações em que o encontro entre chefes de Estado deu o que falar. Quando um representante de um sistema presidencialista demonstra respeito pelas tradições de um monarca, isso pode ser interpretado como uma demonstração de fraqueza e falta de patriotismo: a oposição republicana criticou Obama por se curvar diante do imperador japonês em 2009.

Durante uma viagem a Roma em 1963, John F. Kennedy, primeiro católico a ocupar o cargo de presidente dos EUA, não quis beijar o anel do papa Paulo VI. Ao negar a etiqueta, sua ideia era evitar que acusações feitas durante a campanha eleitoral – de que o presidente católico seria submisso ao Vaticano – ganhassem força. 

Fonte: Filipe Nicoletti Ribeiro, doutorando em História Social na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Pergunta da @tocafonabeijos, via Instagram.

Continua após a publicidade

Publicidade