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Quatro perguntas essenciais sobre banheiro público

Oi, Oráculo. Tenho uma porção de perguntas em relação a um assunto que tem me preocupado muito: BUMBUM NO VASO SANITÁRIO. Nós, meninas, (meninos já não sei), somos educadas a não nos assentarmos no vaso sanitário público. Aí vêm as questões:  
1 – É realmente perigoso? O que pode acontecer conosco caso nos assentemos?
2 – Forrar todo o vaso sanitário com duas camadas de papel higiênico nos livra de riscos?
3 – Verdade que temos de dar descarga antes de usar o vaso?
4 – Sabe quando o papel higiênico fica em cima da porta do banheiro ou em cima de um lugar (improvisado) destinado a ele? Faz mal usá-lo, pois ele não está em um lugar limpo?
Grata
Daniela Macedo, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, América do Sul.


Aí sim.

Após breve intervalo de motim e revolta em que nossos discípulos redatores em regime análogo a trabalho-feito-jumentos se recusaram a atualizar o blog (também conhecido como f-é-r-i-a-s), voltamos com um combo 4×1. E o assunto é um dos seus preferidos.

Cocô.

 

1)
Daniela, segundo Vera Lucia Dias Siqueira, professora do Departamento de Análises Clínicas e Biomedicina da Universidade Estadual de Maringá, existem contradições em relação a esse assunto. Há poucos relatos sobre infecção por meio de privadas públicas. “A maioria das bactérias, vírus ou protozoários capazes de causar doenças são micro-organismos muito sensíveis a variações de temperatura e umidade fora do seu hospedeiro, praticamente zerando o risco deste tipo de contaminação”, afirma.

Por isso, segundo Vera, sentar em um vaso sanitário sujo, mesmo que esteja sujo no naipe banheiro de estádio lotado em fim de festival de heavy metal, dificilmente vai trazer grandes problemas. Afinal, o que toca o vaso é a pele, que não é uma porta de entrada para a maioria dos agentes infecciosos.

MAS PORÉM CONTUDO…
Já o professor Marco Antônio Lemos Miguel, do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, da UFRJ, afirma que o risco de contaminação existe, sim. “Embora muitos microrganismos patogênicos não resistam por muito tempo no ambiente, outros o fazem perfeitamente. Podem existir alguns que causem doenças de pele como micoses, impetigo ou furunculoses”, garante.

Alguns autores têm discutido o fato de que se posicionar no vaso fazendo com que o jato urinário ou as fezes originem respingos pode ser pior (ou seja, cuidado com a posição paraquedas. Não conhece? Use a imaginação, caramba). Afinal, eles poderiam atingir a mucosa vaginal ou uretral, podendo causar a DST tricomoníase. “Mas o número e a viabilidade desses microrganismos dificilmente seriam suficientes para causar infecção”, afirma Vera.

2)
Mesmo assim, como evitar essa nojeira? O professor Miguel indica cobrir a lâmina d’água do vaso com papel para evitar os respingos. De acordo com o especialista, forrar a privada com papel higiênico reduz consideravelmente os riscos, mas não elimina. “Um pequeno contato pode sempre existir, e ser suficiente para causar a infecção. O suor também pode furar o papel e acabar com a barreira”, diz.

3)
Quanto à descarga, ela diminui o número de microrganismos presentes, entretanto deve ser dada com a tampa do vaso fechada, para evitar respingos. “Novamente, considerando a viabilidade dos microrganismos, a descarga só seria importante na presença de matéria orgânica visível, principalmente se quisermos ser ecologicamente corretos economizando água”, explica Vera.

4)
Como o próprio nome do papel higiênico já diz, ele deve estar limpo. Deixar o papel no chão pode contaminá-lo. Caso esteja úmido e com intensa carga de matéria orgânica (secreção, urina ou fezes – e a nojeira não paaaara) pode ser uma fonte de contaminação, sim. Nesse caso, é óbvio que não deverá ser usado. Mas, se levarmos em consideração apenas o fato de estar sobre a parede, o único risco seria uma irritação de pele, devido a poeira ou algum inseto, principalmente em pessoas alérgicas.

E, para fechar com chave de, de, deixa pra lá, esse post, relembremos um clássico do humor nacional. (contém linguajar chulo e conteúdo repleto de coliformes fecais. Não indicado para pessoas mais sensíveis)

Avisei.

(crédito da imagem: dcmaster)

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