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Se um humano consegue enxergar uma formiga, a formiga enxerga um vírus?

Por Bruno Vaiano - Atualizado em 5 jun 2020, 16h47 - Publicado em 1 jun 2020, 10h00

Poético. Mas a resposta é “não”. Vamos entender por quê:

Tudo começa na compreensão das ondas eletromagnéticas. Elas existem em vários comprimentos. As mais longas transmitem rádio e o sinal de TV analógico. Já as mais curtinhas, superenergéticas, são usadas em exames médicos (raios X) e para criar o Incrível Hulk (raios gama). Há apenas um pequeno grupo de ondas, as que tem comprimento entre 400 e 750 nanômetros, que nossos olhos são capazes de ver.

Somos assim provavelmente porque a atmosfera e a água do mar são especialmente permeáveis à essa faixa. Durante a evolução da vida na Terra, a seleção natural deu vantagem a animais cujos olhos captassem luz no comprimento em que ela é mais abundante – e, portanto, mais útil.

Os olhos das formigas são um pouco mais afiados que os nossos. Conseguem captar ondas de uns 350 nanômetros. Mas ainda não é o suficiente para ver um coronavírus, cujo tamanho fica entre 80 nanômetros e 120 nanômetros. Ou seja: a luz no comprimento visível passa batida por ele (quando você vê uma ilustração do corona, ela é tingida artificialmente, com o objeto de distinguir partes relevantes da criaturinha, como sua coroa de proteínas).

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Os biólogos sabem qual é a aparência de vírus por meio de microscópios eletrônicos, que são uma tecnologia mais avançada e cara que a dos microscópios ópticos tradicionais. Em vez de ondas eletromagnéticas, eles disparam partículas chamadas elétrons (sim, aquelas mesmas que perfazem a corrente elétrica da sua casa) nos vírus e deduzem sua forma da maneira como elas interagem com ele.

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