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Superplantas podem combater a fome durante a seca

Por Marina Maciel Atualizado em 21 dez 2016, 10h30 - Publicado em 5 nov 2013, 09h00

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Quem diria que se esquecer de regar as plantas poderia trazer contribuição significativa para a erradicação da fome mundial? A descoberta foi feita pelo professor de biologia Shimon Gepstein, da Technion University. Mas alto lá: não tente fazer isso com as plantas normais da sua casa, você só vai matá-las e deixar sua avó aborrecida.

Por algumas semanas, o cientista israelense se esqueceu de regar suas plantas geneticamente modificadas ou transgênicas. Quando se lembrou da tarefa, para sua surpresa, elas ainda estavam vivas. Intrigado, o pesquisador fez testes e descobriu que as “superplantas” – como foram apelidadas – poderiam sobreviver por até um mês sem água.

De acordo com o cientista, mesmo que sejam regadas, elas precisam de apenas 30% da quantidade de água demandada pelas plantas normais. Ainda segundo ele, após serem cortados, os vegetais e frutas duram o dobro do tempo – e, às vezes, três vezes mais – caso sejam dessas plantas geneticamente modificadas. “Posso afirmar que as nossas não são perigosas para a saúde humana, porque as alteramos utilizando seus próprios componentes, nada foi adicionado a elas”, defendeu Gepstein no site da universidade.

Além de precisar de menos água para o crescimento, as plantas sustentam a produção de citocininahormônio responsável pelas divisões celulares dos vegetais –, que previne o envelhecimento e facilita a fotossíntese contínua. “Levei para casa uma alface modificada e ela levou 21 dias até começar a ficar marrom, enquanto que alfaces normais ficam ruins em cinco ou seis dias”, contou o pesquisador.

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Como as superplantas vivem mais, facilitam colheitas maiores. Dessa forma, podem ser uma boa opção para zonas áridas que sofrem com a escassez de água e com a falta de alimentos por causa da seca, considerada pelo Programa Alimentar Mundial a principal razão pela falta de comida no mundo. “Em muitos países, as mudanças climáticas estão amplificando condições naturais já adversas por natureza”, disse.

Essa solução fortuita pode vir bem a calhar no cenário previsto pela primeira parte do 5º Relatório de Avaliação sobre Mudanças Climáticas, divulgado em setembro deste ano pelo IPCC – Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas. Um dos principais pontos do documento assinalou que o contraste da precipitação entre as regiões úmidas e secas e entre as estações chuvosa e seca vai aumentar.

Quer saber mais sobre as mudanças climáticas? Então acompanhe o Blog do Clima e veja quais são as outras 18 principais mensagens apontadas pelo IPCC neste post do engenheiro florestal Tasso Azevedo, responsável pela curadoria do blog.

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Foto: Divulgação (Shimon Gepstein e sua equipe)

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