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Se Conselho Fosse Bom Por Blog Coluna semanal de perguntas práticas, sentimentais e existenciais enviadas por leitores da SUPER. Por Karin Hueck

Eu estava bêbada e fiz sexo contra a minha vontade. E agora?

Essa semana, os leitores pediram conselhos sobre o que fazer em caso de violência sexual.

Por Karin Hueck - Atualizado em 1 fev 2017, 19h51 - Publicado em 1 fev 2017, 16h36

Há alguns meses, saí para beber com uns amigos e passei do ponto. Me levaram pra casa e um homem (desse grupo de amigos) desceu comigo, disse que ia cuidar de mim. Ficamos conversando, e eu, na minha inocência, acabei caindo no papo dele e fomos para o meu quarto. Eu não queria fazer aquilo, mas não tenho certeza se foi estupro ou não, afinal eu deixei ele entrar. Também tenho medo de denunciar depois de tanto tempo.
– E agora?
Cara agora. Não conheço todas as condições, mas, pelo que você está descrevendo, parece que foi estupro. Qualquer tipo de sexo não-consensual é crime – e você diz que não queria ter feito sexo. Além disso, você não estava em condições de dar consentimento (pessoas alcoolizadas ou fora de seu estado normal de consciência não conseguem tomar essa decisão). Não importa que você tenha topado ir para o quarto com ele, não importa se mudou de ideia no meio do ato – não podia ter acontecido. Acho que a primeira coisa que você deveria fazer é procurar acompanhamento psicológico. Se você conseguir, tente falar sobre o assunto com alguém de confiança. O ideal seria fazer a denúncia mesmo, mas sabemos que o mundo não é perfeito – o processo pode ser doloroso e traumático. Se você decidir seguir esse caminho, crie uma rede de apoio para acompanhá-la: junte amigas, parentes, pessoas que vão sempre acreditar em você e amá-la. E o mais importante. Repita em mantra até o infinito: a culpa não é sua.

 

Olá, preciso muito de ajuda!! Ano passado terminei o ensino médio e esse ano vou iniciar o cursinho, sou vestibulanda de medicina. O problema é que eu não tenho pai, e moro apenas com a minha mãe que anda fazendo da minha vida um inferno. Por ela me sustentar financeiramente, joga na cara todos os custos como se ela estivesse fazendo “um favor” para mim contra sua vontade. Além disso, ela não deixar eu sair com meus amigos, não posso namorar com ninguém e me obriga a fazer o serviço dela, quando eu me recuso a fazer, ela ameaça parar de pagar o meu estudo. Eu estou completamente perdida, porque não tem como fazer cursinho trabalhando fora. Poderia me dar dicas de como lidar com essa situação?
– Escrava da própria mãe
Cara escrava. A sua mãe não está sendo razoável e você precisa se livrar das ameaças. Infelizmente, não tem como fazer isso sem conseguir independência financeira. A primeira coisa que você deveria fazer é tentar arranjar uma bolsa no cursinho (ou em algum outro). Assim, sua mãe fica sem ter com o que chantageá-la. Outra opção, claro, é procurar um emprego. Muita gente trabalha de dia e estuda de noite. Sei que não é o ideal e que medicina é muito difícil. Mas vale o esforço. Pode ser que você fique uns anos estudando antes de passar no vestibular – e imagina passar esse tempo todo sem sair ou sem namorar ou brigando com ela? (Não sei a que você se refere quando diz que ela põe você para fazer o serviço dela. Se forem tarefas de casa, é justo que você a ajude.) Infelizmente, não dá para mudar as pessoas – mas dá para mudar as condições da sua vida.

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