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Exclusivo: entrevistamos o Bobueno, o joão-bobo inspirado no Galvão

por Felipe Van Deursen

Chris Anderson posa para foto com Bobueno

Pegando carona no sucesso estrondoso do “Cala a boca, Galvão” (que foi parar no El País, no The New York Times e na capa da VEJA desta semana), um outro personagem volta a ganhar notoriedade nesta Copa. Trata-se do Bobueno, um pequeno joão-bobo, portátil e charmoso, que, segundo pessoas ouvidas pela SUPER, teria sido inspirado no narrador Galvão Bueno. Ele surgiu na Copa de 2006 e logo virou mania entre os boêmios descolados de São Paulo. Após um hiato de quatro anos, Bobueno está de volta (ele está até no Twitter) para mostrar que, entre vuvuzelas, Tadeu Schmidt e entrevistas do Dunga, é possível se divertir na Copa sem importunar as pessoas ao redor. Nós furamos o bloqueio à imprensa criado em torno do Bobueno e conseguimos esta entrevista exclusiva. E, se você ainda acha que ele não é sucesso, o sujeito na foto é o Chris Anderson, editor-chefe da revista americana Wired e autor de A Cauda Longa. De tendência ele entende…

1) O senhor faz questão de frisar que nada tem a ver com personalidades da vida real. No entanto, seu nome, fisionomia e propósito de existência parecem uma clara referência ao hoje mundialmente conhecido narrador esportivo Galvão Bueno, da TV Globo. Tenho que insistir na pergunta: o senhor tem algo a ver com Galvão Bueno?

Sou fã dele, como aliás todo o povo brasileiro.

2) O senhor tomou conhecimento da campanha “Cala a Boca, Galvão”? Tem algo a ver com ela?

Claro que não. Se o Galvão calar a boca, o que será de mim?

3) O que achou dessa pegadinha mundial envolvendo periquitos em extinção, trending topics no twitter, Carnaval, Lady Gaga e Galvão Bueno?

Como disse o grande Galvão Bueno durante uma transmissão, quando a câmera da Globo acidentalmente pegou uma faixa que dizia “Galvão, vá pentear macaco”: “é o bom humor do povo brasileeeeeeeiro”.

4) O senhor tem uma opinião formada sobre as vuvuzelas?

Muito barulho, pouco conteúdo.

5) Correto. E onde o senhor pode ser encontrado?

Na casa de um grupo de amigos que se reuniu em São Paulo, na casa de alguns amigos deles, em um ou outro boteco de São Paulo ou Olinda-PE ou na minha página do Facebook (Bobueno Bobs). Existem outros 1.499 de mim. 500 foram produzidos em 2006, 500 impressos às pressas no mesmo ano quando os primeiros 500 esgotaram em um dia, e mais 500 produzidos agora, em 2010.

6) Esta pergunta é de um leitor: é verdade que o senhor nutre uma profunda admiração por Wilson, a bola de vôlei?

Wilson mostrou o caminho para toda a minha geração. Se um inflável disser para você que nunca o admirou, provavelmente é porque tem inveja. Mas eu prefiro seguir o meu próprio caminho.

7) Em tempos em que até os videogames começam a entrar na era do 3D, é possível que um joão-bobo como o senhor faça sucesso?

Ora, por favor, imagem 3D nenhuma proporciona a satisfação incomparável de encher a mão num objeto macio e acolhedor. Eu sou o verdadeiro 3D.

8 ) O senhor surgiu, pelo que consta, na Copa da Alemanha (aquela do “Ah, Itália”). Podemos esperar seu retorno em 2014? Como será este retorno?

Olha, eu sofri muito nos últimos 4 anos. Fui acusado de ser pé-frio (e nem pé eu tenho!). Fui humilhado. Pior: fui esquecido. Como se tivesse sido eu que baixei a meia do Roberto Carlos. Como se fosse minha a culpa por Parreira estar mais a fim de passear na Alemanha do que de treinar o time. Não sei se eu seria capaz de suportar algo assim uma outra vez.

9)Por falar nisso, quais as expectativas do senhor para uma Copa no Brasil?

Eu vivo o presente. Não gosto de tentar prever o futuro. Mas preciso admitir que tenho um sonho. Sonho com uma cena: o Piritubão lotado, em junho de 2014, na abertura da Copa, com 60.000 bobuenos ocupando as arquibancadas. E aí, quando algum comentário infame soar, se ouve um som. Não o irritante “fuó” das vuvuzelas. Mas o sublime “tuf” de milhares de bobuenos balançando ao mesmo tempo. Só de pensar nisso me emociono.

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