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8 mistérios de Harry Potter que permanecem sem solução

Por Leticia Cangane - Atualizado em 4 jul 2018, 20h33 - Publicado em 3 out 2017, 18h38

Uma das sagas mais queridas do público, Harry Potter conquistou e encantou a todos com seu final. A vitória do amor sobre o poder e as trevas demorou, foi complicada, mas saiu. J.K. Rowling conseguiu fechar a série maravilhosamente, e deixou os leitores satisfeitos em conseguir, durante os sete livros – e oito filmes -, responder grande parte das dúvidas e mistérios que cercavam a história do menino que sobreviveu.

Porém, com uma série tão complexa e com tantos detalhes como HP acaba deixando algumas tramas sem respostas. Aqui nesse post reunimos oito mistérios que ficaram no ar com o final da história. Confere aí!

1) Se Fred e Jorge tinham o Mapa do Maroto, como nunca perceberam Pedro Pettigrew?

Vamos começar pela mais clássica. Pedro Pettigrew, o Rabicho, era amigo dos Potter e os traiu, entregando o endereço da família para o Lorde das Trevas, o que resultou na morte do casal. Ele era também animago, ou seja, podia se transformar num animal, que no seu caso era o rato. Acontece que Rabicho, para fugir da polícia e dos amigos, forjou a própria morte e culpou Sirius Black pelos três assassinatos (seu e dos Potter) e passou a viver como animal pelos próximos 12 anos, indo parar na casa dos Weasley como o rato Perebas.

Ironias do destino à parte, os gêmeos Fred e Jorge Weasley possuíam o Mapa do Maroto desde 1990, mais ou menos, quando o roubaram do zelador Argo Filch. O Mapa mostrava todas as pessoas em Hogwarts e, em 1991, Rony iniciou seu primeiro ano na escola levando consigo o animago como bicho de estimação sem saber que ele era uma pessoa.

Fred e Jorge, curiosamente, nunca perceberam que Rony passava as noites com um homem desconhecido ao seu lado em seu quarto. Isso durou quase três anos, até que eles passassem o artefato para Harry e este descobrisse, com a ajuda dos outros marotos, Pettigrew.

Agora, como os irmãos que mais gostam de uma zoeira no mundo bruxo deixaram passar esse detalhe é um mistério que a série nunca explicou.

2) Quem matou Ariana?

Se existe um personagem com uma história complicada e cheia de mistérios em Harry Potter, é Alvo Dumbledore. Em Relíquias da Morte, o passado do diretor é explorado por meio da biografia lançada por Rita Skeeter – A Vida e as Mentiras de Alvo Dumbledore.

A partir daí, um passado controverso começa a se revelar, incluindo os crimes do pai de Alvo contra trouxas e a sua amizade com o famoso bruxo das trevas Grindelwald. Além disso, algumas passagens dão a entender que o próprio Dumbledore tinha certas afinidades com projetos que buscavam “o bem maior”. Essa expressão, utilizada na história, significa que algumas atitudes seriam aceitáveis para o bem do mundo bruxo, mesmo que envolvessem algum mal aos trouxas. A obsessão pelas relíquias da morte faz parte desse projeto, inclusive.

Em algum momento desse passado, a coisa ficou feia e as ideias de Grindelwald e de Dumbledore começaram a se opor. Ariana morreu nesse período, durante uma briga dos bruxos, e ninguém sabe qual deles a matou por acidente. Posteriormente, Dumbledore derrotou o bruxo das trevas e o mandou para a prisão, onde ele morreu.

Toda essa história foi surpreendente para os fãs, que possuíam uma imagem bem formada do diretor como o exemplo máximo do bem e da luta contra as trevas. Mas esses detalhes da relação do Tio Dumby com o seu passado acabaram ficando por isso mesmo e deixando muita gente curiosa.

Talvez essa história seja melhor explicada na franquia Animais Fantásticos e Onde Habitam, que aborda a história de Grindelwald e promete trazer nosso diretor favorito de volta. Dedos cruzados!

3) Como a varinha de Harry age por conta própria em Relíquias da Morte?

Essa é uma história que ganha muito destaque no começo do sétimo livro, mas acaba sendo deixada de lado. Para quem não lembra, na noite da transferência de Harry para a Toca, quando os sete Potters entram em cena, Aquele-que-não-deve-ser-nomeado aparece e tenta atingir o Eleito.

A varinha de Harry então age por conta própria e destrói a varinha de Lucio Malfoy, a qual estava sendo usada por Voldemort para tentar contornar o problema dos núcleos gêmeos entre sua varinha e a de Harry. O problema é que, mesmo com Voldy usando uma varinha diferente, ou seja, sem a ligação entre os núcleos, a varinha de Harry atua sozinha.

Esse episódio é retomado numa conversa com Olivaras mais tarde, em que o velho fabricante de varinhas não sabe explicar o que aconteceu. Mais tarde, na famosa cena pós-morte em King’s Cross, Harry pede uma explicação a Dumbledore e este revela também não saber o motivo. Mas o falecido diretor arrisca uma teoria: na luta entre Harry e Voldemort ao final de O Cálice de Fogo, a varinha de Harry teria absorvido parte da essência de Voldemort, poder que teria “regurgitado” ao sentir a presença do lorde das trevas.

Outra possível explicação: nos comentários do conto dos três irmãos em Os Contos de Beedle, o Bardo, Alvo Dumbledore escreve que as varinhas absorvem o conhecimento de seus donos. Essa poderia ser uma explicação para o caso, no qual a varinha de Harry teria aprendido com o próprio e só o teria imitado. Mas aí é suposição, assim como a teoria de Dumbledore em King’s Cross. Resposta definitiva não há.

4) O que era o arco que matou Sirius Black?

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Uma das cenas mais marcantes da série é aquela que se passa no departamento de mistérios do Ministério da Magia quando a Ordem da Fênix, a Armada de Dumbledore e os Comensais da Morte se enfrentam pela primeira vez. E é numa grande sala com um arco de pedra enorme no centro que, com um empurrãozinho de Belatriz Lestrange, o padrinho de Harry morreu.

Porém, ficou a dúvida: o que era o tal arco onde o maroto acabou caindo após ser atingido pela comensal? O corpo de Sirius desapareceu ao atravessar o tal portal e nunca reapareceu. Ninguém nunca disse, na série, do que se tratava o intrigante objeto. Parece então que o departamento de mistérios era, realmente, misterioso.

5) A cena em King’s Cross é real?

A cena de As Relíquias da Morte em que Harry se reencontra com Dumbledore numa versão onírica da estação King’s Cross deixou muita gente intrigada. Ao mesmo tempo em que os fãs entenderam e se emocionaram com o trecho (que forneceu muitas respostas, por sinal), ficou a dúvida sobre o que aconteceu de verdade.

Dumbledore diz: “Isso aconteceu na sua cabeça, Harry, sem dúvidas, mas não quer dizer que não seja real”. A frase não é muito esclarecedora, vamos ser sinceros.

A cena é, provavelmente, a mais metafórica e espiritual de toda a série, chegando a ser quase religiosa. Aliás, existe uma metáfora religiosa bem grande aí, com Harry se sacrificando para salvar os amigos, assim como Jesus se sacrificou para redimir os pecados das pessoas, e o nome da estação sendo King’s Cross (Cruz do Rei, uma alusão à crucificação). Possivelmente, esse lugar em que Harry e Voldemort estavam era análogo ao limbo cristão, que é para onde vão as pessoas boas que não creem em Deus.

A cena pode ter ocorrido mesmo apenas num plano espiritual ou pode ter sido literal de alguma maneira. Faz diferença porque não sabemos o que teria acontecido com Voldemort se Harry tivesse decidido seguir em frente, ou seja, morrer. Será que, na prática, isso significaria que o Avada Kedavra teria matado a alma de Harry (e não o pedaço da alma de Voldemort), de modo que o vilão poderia voltar? Vale lembrar que, nesse ponto, Voldemort ainda tinha uma horcrux viva, a cobra Nagini, então tudo é possível.

6) O que houve com Dolores Umbridge no final do quinto livro?

No final de A Ordem da Fênix, Dolores Umbridge é deixada por Harry e Hermione na Floresta Proibida. A vilã é então carregada para o interior da floresta por um grupo de centauros. Ela reaparece depois na enfermaria, tendo sido resgatada por Dumbledore, e está claramente traumatizada, ficando alarmada quando as pessoas fazem barulho de galope.

Vale lembrar que, na mitologia grega, centauros estupram mulheres. O centauro Nesso, por exemplo, tentou violar a mulher de Héracles e foi morto por isso. Na história Centauromaquia, centauros bêbados tentam estuprar os convidados de um casamento. Não estamos dizendo que J.K. Rowling inseriu uma situação de estupro em Hogwarts (mas outras pessoas já disseram), só que a ideia não deixa de ser perturbadora, principalmente se levarmos em conta que Harry e Hermione viram Umbridge ser carregada e não fizeram nada.

Umbridge reaparece em As Relíquias da Morte aparentemente saudável e normal, então pelo menos ela se recuperou do que quer que tenha acontecido.

7) Para qual casa foi Alvo Severo Potter?

No epílogo do sétimo livro, o filho de Harry, Alvo Severo, confessa para o pai que tem medo de ir parar na Sonserina, assim como o pai teve na sua época. Harry conta, então, que o chapéu leva em consideração a opinião do aluno e Alvo fica mais tranquilo. Ainda na parte “19 anos depois” e também por meio de entrevistas com a autora, descobrimos que Alvo é o filho mais parecido com Harry, fisicamente e na personalidade.

E aí fica a dúvida plantada pela autora no epílogo: para qual casa foi selecionado Alvo Severo? De acordo com as características dele, reveladas de diversas formas, o garoto poderia se encaixar tanto na Sonserina quanto na Grifinória. Em A Criança Amaldiçoada, peça de teatro baseada na história e feita com a colaboração de J.K. Rowling, Alvo acaba na casa das serpentes.

J.K. Rowling já disse que a peça deve ser considerada canônica, mas muitos fãs rejeitam essa ideia devido às contradições que a obra apresenta em relação ao resto da franquia. A autora também nunca falou sobre essa questão especificamente.

Grifinório ou sonserino, o que sabemos é que Alvo Potter, tão parecido com o pai, foi qualquer coisa, menos um garoto comum.

8) De onde surgiu o patrono de corça em Relíquias da Morte?

Quando Harry e Hermione estão sozinhos na floresta com apenas uma varinha, sem Rony, com uma horcrux e sem nenhuma perspectiva de solução para qualquer um desses problemas, um patrono com a forma de uma corça aparece e resolve tudo: traz o ruivo de volta, com varinhas extras, e leva Harry até a espada de Godric Gryffindor, que pode destruir o medalhão.

Porém, de onde surgiu o “patrono solução” é outra história. A tal corça prateada sabia exatamente onde estava a dupla de heróis e o momento em que o Weasley voltaria para os amigos – a tempo, inclusive, de salvar a vida de Potter.

Descobrimos mais tarde, nas memórias de Severo Snape, que a corça era o patrono de Lily Potter, mãe de Harry, e também do professor de poções. Como a mulher está morta há anos, só quem poderia ter lançado o patrono era Snape, que também era o único que podia ter escondido a espada dos comensais após a morte de Dumbledore, pois sabia de sua importância.

Porém, como Snape sabia de tudo o que foi citado – o esconderijo dos grifinórios e a volta de Rony – estando em Hogwarts como homem de confiança de Lorde Voldemort? E mais: como o patrono chegou até lá? Snape estava na floresta naquela noite? Ou mandou de longe? E a espada? Parece que Severo Snape levou para o túmulo o segredo do início da reviravolta que terminou com a vitória dos mocinhos.

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