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Resenha: Mosquitolândia

Por turma-do-fundao Atualizado em 4 jul 2018, 20h32 - Publicado em 15 mar 2016, 18h51

Leticia_Helena

Divulgação

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A vida sob a perspectiva de uma menina de 16 anos é sempre confusa e reveladora. Todos nós passamos por esse momento de descoberta e reflexão sobre o mundo ao nosso redor. Em Mosquitolândia (Ed. Intrínseca, 350pgs., R$ 30) somos apresentados a Mim Malone, uma menina que decide embarcar em uma jornada que lhe trará ensinamentos valiosos sobre amizade, amor e coragem.

Já no primeiro capítulo vemos Mim embarcando em um ônibus com o objetivo de encontrar sua mãe. Isso tudo acontece depois do divórcio de seus pais, quando ela passa a morar com o pai e a madrasta no Mississipi. O estopim para sua fuga foi a conversa que ouviu entre o diretor do colégio e seu pai, na qual descobre que sua mãe verdadeira não está realmente doente como diziam a ela. Imediatamente, a garota decide ir atrás dela. Mas essa busca acaba se tornando um tópico secundário ao mergulharmos em sua mente curiosa e cheia de dúvidas existenciais.

Sempre se intitulando com apelidos irônicos como “a protagonista” ou “a heroína”, Mim transforma seus pensamentos em palavras e as coloca em um diário, sempre endereçado à mesma pessoa. A cada novo capítulo, somos apresentados a mais partes de seu diário e nos aproximamos mais dela.

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Mim é uma personagem muito real, com a qual todos nós nos identificamos, seja pela sua história (contada pelos constantes flashbacks entre os capítulos), seja pelo seu modo de ver o mundo. Ou também pelas situações malucas que ela vai enfrentando ao longo do caminho! Sem contar que sua alma indie/hipster não a deixa economizar nas referências e citações a elementos da cultura pop e a temas geek, sempre comparando sua vida a uma série de TV ou a um filme cult.

David Arnold conseguiu encaixar diálogos soltos carregados de lições escondidas, devaneios existenciais e uma perspectiva bem-humorada quanto aos defeitos da vida. Ele aproveita o tom cômico do livro para discutir assuntos importantes como o uso desnecessário de remédios em adolescentes e os problemas que uma criança de família desestruturada pode ter no futuro.

Os personagens que passam pela história são representações divertidas dessas passagens sérias do livro, como Walt, um menino com síndrome de Down que acaba virando o melhor amigo de Mim em sua jornada. Por meio dele, a obra discorre sobre o preconceito e os problemas sociais relacionados a pessoas que sofrem desse mesmo problema, além de falar sobre homossexualidade, depressão e abuso sexual de uma maneira não cansativa durante a trama.

No fim de tudo, essa é uma história que mostra o poder das amizades e como o amor pode mudar tudo. Não deixe de ler, você não vai se arrepender.

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