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TdF Entrevista – Iberê Thenório (Manual do Mundo)

Olá, pessoas! Em setembro, visitei o estúdio do Manual do Mundo, meu canal favorito do YouTube, para ver como funcionam as coisas por trás das câmeras. Para quem não conhece, o Manual do Mundo, que ganhou 2 dos 4 prêmios que disputou no YouPix de 2012, é uma espécie de guia de experiências, mágicas e receitas feito com base em vídeos.

A ideia é ensinar desde coisas simples, muito legais e úteis no dia-a-dia, até outras completamente inúteis, e que são mais legais ainda. Além de conhecer o lugar onde tudo isso acontece, ainda tive o enorme prazer de entrevistar o cara que faz tudo isso: o jornalista Iberê Thenório. Confira:

Mundo Estranho: De onde surgiu a ideia de criar o Manual do Mundo?

Iberê Thenório: A ideia surgiu da coleção Manual dos Escoteiros Mirins, da Disney, que é bem antiga e ensina as crianças a fazer tudo o que é interessante… experiências, mágicas, coisas de construir, etc. Então, se você pegar os primeiros 50 vídeos do Manual do Mundo, são todas coisas que eu já sabia quando era criança, e que estou mostrando ali. Só depois é que eu comecei a pesquisar coisas novas. No começo tinham poucas experiências, mas aí as pessoas começaram a pedir cada vez mais, e acabou indo bastante para esse lado. Mas temos bastantes coisas que não são experiências: receitas, pegadinhas… Não tem nada que seja chato!

ME: Teve alguma experiência que você deixou de fazer por ser perigosa?

Iberê: Muitas! Uma experiência muito legal de fazer é gerar hidrogênio em casa. É muito fácil, mas eu não vou fazer porque muita gente poderia se machucar… essa é uma experiência que eu queria explorar muito e não posso! Uma vez eu até fiz um jeitinho de gerar hidrogênio em casa, e o vídeo entrou no ar, mas o YouTube tirou porque era muito perigoso. E aí eu nunca mais fiz essa experiência. Outra que a molecada pede muito é a bomba de fumaça! Ela é feita com nitrato de sódio ou nitrato de potássio misturado com açúcar, só que tem que colocar tudo isso no fogo! E, no momento em que você leva isso ao fogo, o risco de estourar na sua cara ou de incendiar sua casa é muito grande!

ME: Você já fez sorvetone, refrigerante caseiro e até mesmo um brownie de esponja. De qual das suas receitas você mais gosta?

Iberê: 
Bom, a que eu mais gosto foi uma que eu fiz recentemente, que chama Palha Italiana de Cemitério. Foi pro Dia das Bruxas e ficou muito gostosa mesmo! Eu não faço quase nenhuma dessas com frequência porque eu como pouco açúcar, e todas as que eu faço ou são muito gordurosas ou são muito cheias de óleo. O que eu faço com frequência é miojo com ovo, que foi a primeira receita de todas. Às vezes eu faço as receitas e acabo nem comendo.

ME: Qual foi a experiência mais difícil que você já fez? E a mais legal?

Iberê: A mais difícil foi quando eu fiz eletrólise da água, e eu queria gerar umas bolinhas de hidrogênio que flutuassem. Mas não deu certo e eu acabei fazendo bolinhas que explodem, porque as bolinhas se formavam, mas não voavam, por causa do peso da bolha. Tentei filmar 4 vezes essa experiência e não deu certo. A mais legal, eu acho que foi um microscópio a laser em que você pega uma seringa, coloca uma água suja dentro, deixa sair uma gotinha, deixa a gotinha pendurada na ponta da seringa e aí você mira um laser forte naquela gotinha e, por causa de um efeito de refração da luz, tudo o que tem dentro da gota pode ser projetado na parede. Dá mais ou menos umas mil vezes o quanto ele projeta, em amplificação. E fica muito legal, fica muito bonito. Quando eu fiz, eu usei água do Rio Ipiranga, que é suja pra caramba, tive que ir lá no rio pegar a água. Na hora em que deu certo, eu fiquei pulando dentro de casa, superfeliz.

ME: Você fazia a maior parte dos vídeos na sua casa, mas depois mudou para o “laboestúdio”. O que te fez mudar?

Iberê: A minha casa tem 35 metros quadrados, ela é do mesmo tamanho que o estúdio, e chegou um momento em que não cabia mais nada. Tinha um monte de caixa de coisas de química, de papel, de moeda, de ferramenta… chegou uma hora em que não tinha mais onde colocar tripé, onde colocar câmera, não cabia mais na minha casa. Aí eu tive que montar aqui o que eu chamo de laboestúdio, que é uma mistura de laboratório com estúdio. Montei um cenário muito parecido com a oficina do meu pai, que foi onde eu cresci fazendo essas coisas. Mas eu ainda faço bastante vídeo em casa, uns dois vídeos por mês eu gravo lá. As receitas eu tenho que fazer lá porque é cozinha.

ME: De onde você tira tantas receitas e experimentos para os vídeos?

Iberê:
O jornalista tem que buscar coisas novas o tempo todo, e é exatamente esse trabalho que eu faço. Tem muita coisa legal no YouTube, canais estrangeiros ou pessoas daqui mesmo que fazem coisas legais, mas às vezes os vídeos não são tão bonitos, ou estão em outra língua. E aí eu simplifico, estou sempre querendo fazer com que as coisas fiquem mais acessíveis. Mas eu também tenho um monte de livros que eu vou acumulando. Tem muitas sugestões que chegam todos os dias. E aí eu vou colocando tudo em uma lista. Eu só não saio fazendo tudo porque não é fácil, né? As pegadinhas, por exemplo: tem que pegar alguém no vídeo, e é difícil elaborar o negócio para a pessoa cair na pegadinha, com você filmando e tudo. As coisas vão acontecendo aos pouquinhos. Mas eu já tenho uma lista gigante de vídeos que eu quero fazer.

ME: Fazer vídeos para o YouTube dá dinheiro? Como?

Iberê: Dá. Funciona assim: quando alguém assiste ao seu vídeo no YouTube, aparece uma publicidade antes, e você ganha uma porcentagem de quem inseriu aquela publicidade, como se fosse em um canal de TV. É daí que vem o dinheiro. Dá para ganhar dinheiro se você fizer sucesso. E o que significa sucesso? Muitas visualizações! E pra chegar nisso, tem que fazer muito vídeo. Não adianta você fazer dez vídeos e querer fazer sucesso. Isso não existe. Você até consegue ganhar dinheiro com um vídeo que explodiu, mas você não vai conseguir ganhar a vida com isso. Para isso, você tem que fazer vídeos toda semana, e cada vez melhores. O Manual do Mundo já tem mais de 350 vídeos (até o dia 21/01), o que é vídeo pra caramba. Já faz quatro anos que eu faço vídeo, e há dois eu faço pelo menos uma vez por semana, então esse é o segredo. E não é fácil! Eu devo trabalhar pelo menos umas 12 horas por dia. Se alguém quer ganhar dinheiro com isso, tem que pensar que vai ter que trabalhar pra caramba, e vai ter que gostar. Eu gosto muito.

ME: Você já pensou em ter um programa de TV, no estilo do Manual do Mundo?

Iberê: Eu já recebi várias propostas de TV, mas era pra fazer coisas que não eram tão legais, não eram tão parecidas com o que eu gostaria de fazer. Aí eu resolvi fazer um projeto meu, com o que eu acho que vai dar certo, e a gente está oferecendo esse projeto para canais de TV, pra ver se vai rolar. A ideia é exatamente ensinar as pessoas a fazer coisas legais, em casa, e com isso mostrar que é divertido pôr a mão na massa, que é divertido pegar numa chave de fenda e mexer nas coisas.

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